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Pedágio na BR-040 divide cidade mineira e faz população gastar quase R$ 10 todos os dias

Moradores do distrito de Correia de Almeida, que pertence à Barbacena, reivindicam a isenção 

Minas Gerais|Thaís Mota, do R7

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Em menos de um ano sob responsabilidade da iniciativa privada, a BR-040 entre Brasília (DF) e Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, ganhou onze praças de pedágio, sendo dez delas somente no estado de Minas Gerais. Em contrapartida, apenas 58,6 quilômetros, sendo 5,1 deles em Minas, mais precisamente no município de João Pinheiro, no noroeste do Estado, foram duplicados.

De acordo com a Via 040, consórcio que ganhou a concessão do trecho, há um plano para que toda a extensão da rodovia seja duplicada até 2019, o que compreende 936,8 quilômetros. Ainda conforme a empresa, essa duplicação prevê "asfalto de alto padrão; sinalização ampla e eficiente; áreas de escape; cruzamentos e retornos em desnível; acessos adequados e novas passarelas". 


No entanto, a instalação das praças de pedágio tem gerado revolta entre os motoristas que trafegam pela rodovia. Eles reclamam do valor da tarifa (R$ 4,60 para automóveis, caminhonetes e furgões de um eixo, R$ 2,30 para motocicletas e R$ 9,20 para caminhões leves, furgões, trator e ônibus de dois eixos) e também da localização de algumas praças, o que tem feito com que pessoas que morem em um município e trabalhem em uma localidade próxima tenham que pagar todos os dias a tarifa na ida e na volta.

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Esse é o caso de vários moradores do distrito Correia de Almeida, que pertence ao município de Barbacena, no Campo das Vertentes. Eles tiveram a região onde moram separada da cidade à qual fazem parte por uma praça de pedágio instalada na altura do km 714. Com isso, a população que mora na localidade, mas trabalha, estuda ou depende dos serviços que só são oferecidos em Barbacena precisam pagar a taxa de pedágio diariamente.


O estudante Waldir Ferreira, de 27 anos, que mora em Correia de Almeida mas faz um curso técnico em enfermagem em Barbacena teve o orçamento mensal prejudicado com a instalação do pedágio. Ele se desloca todos dias até a escola onde estuda de carro e, desde que o pedágio foi implantado no dia 30 de julho, o custo da viagem subiu em R$ 9,20.

— Agora não compensa mais ir de carro.


Diante da insatisfação, Ferreira e um grupo de moradores da localidade criaram uma comissão para negociar uma solução com a Via 040. Na semana passada, a população fez um protesto e fechou os dois sentidos da rodovia por algumas horas. Em resposta, segundo o estudante, a empresa que administra a via ficou de analisar uma lista com dados dos veículos que utilizam a rodovia diariamente.

— Quase todo mundo em Correia de Almeida precisa ir diariamente à Barbacena porque todos trabalham ou estudam lá. Mas, com esse pedágio a cidade foi dividida. 

Em resposta, a Via 040 informou que já solicitou aos moradores do distrito um levantamento contendo a numeração das placas de veículos que utilizam a via diariamente para ir até a sede do município e que o caso será avaliado. Além disso, o consórcio informou que os veículos oficiais, ou a serviço de órgãos públicos, são isentos do pagamento da tarifa de pedágio.

A empresa disse ainda que a segunda etapa de duplicação da rodovia deve ter início ainda este ano e informou que já recuperou 700 quilômetros de pavimento e revitalizou mais de 200 pontes e viadutos. Também foram instaladas 12 mil placas de sinalização e 290 mil olhos de gato e implantadas defensas metálicas ao longo de boa parte da estrada.

Comparação

Para se ter uma ideia, na BR-381, trecho de 562,1 quilômetros compreendido entre Contagem (MG) e Guarulhos (SP) e administrado pela Autopista Fernão Dias, há oito praças de pedágio, sendo seis delas em Minas Gerais e o valor cobrado para automóveis, caminhonetes e furgões é de R$ 1,60. No caso de motocicletas, a tarifa é de R$ 0,80 e caminhões leves, furgões, trator e ônibus de dois eixos pagam R$ 3,20.

Concessão e obras

A Via 040, empresa do grupo Invepar, assumiu a concessão da BR-040 em 22 de abril de 2014, mas iniciou sua operação em 22 de outubro do mesmo ano. Ela venceu o processo licitatório para administrar o trecho de 936,8 quilômetros, entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG) por um período de 30 anos.

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