Presidente da Renova é suspeito de comércio ilegal de madeira
Segundo o Ministério Público Federal, Roberto Waack estava na administração da empresa quando os crimes ocorreram, na Amazônia
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

Roberto Waack, diretor-presidente da Fundação Renova, entidade criada para administrar as ações de reparação de danos do rompimento da barragem de Mariana, a 110 km de BH, é um dos denunciados pelo Ministério Público Federal em uma ação que investiga o comércio ilegal de madeira na Amazônia.
Waack é citado na ação por aparecer como um dos sócios-administradores da Amata, empresa supostamente envolvida nos crimes, quando as fraudes ocorreram. Além dele, outras quatro pessoas são citadas.
Uma operação da Polícia Federal apreendeu 5 contêineres da Amata que seriam enviados para exportação devido a irregularidades detectadas quanto à origem da madeira.
Segundo o MPF de Manaus, a área de exploração da empresa deveria estar limitada ao interior da Floresta Nacional do Jamari, mas já teria ultrapassado 2,4 km da região.
Na ação, o Ministério Público pede os réus peguem R$ 47 milhões em ressarcimento pelos danos materiais ao meio ambiente ou adotem medidas compensatórias no mesmo valor.
O documento também pede que a empresa apresenta à Justiça, em 30 dias, garantias de reparação dos danos ambientais, patrimoniais e morais já causados ou que venham a ocorrer durante a ação, sob multa diária de R$ 10 mil, em caso de descumprimento.
A reportagem tenta contato com a defesa de Roberto Waack.
Procurada, a Fundação Renova disse que os pontos levantados na ação estão sendo esclarecidos. Confira a nota completa:
"A Fundação Renova afirma que os pontos levantados na ação civil pública que tramita na 7ª Vara de Manaus envolvendo a empresa Amata e pessoas físicas, entre elas, o diretor presidente da Fundação, Roberto Waack, estão sendo esclarecidos.
É importante destacar que Roberto Waack se desligou da função de diretor presidente da Amata há quase 5 anos e renunciou ao cargo de conselheiro em junho de 2016, um ano e meio antes do início de qualquer etapa da operação Arquimedes.
A biografia e atuação de Waack à frente das ações de reparação são exemplos de seriedade, ética e compromisso com os melhores e mais rigorosos padrões de conduta.
Com extenso currículo na área de sustentabilidade e meio ambiente, Waack tem sua trajetória ligada a importantes organizações nacionais e internacionais como WWF Brasil, Global Reporting Initiative (GRI), Forest Stewardship Council (FSC), Instituto Ethos e Fundo Brasileiro para a Biodiversidade.
A Fundação Renova informa que não há razões para que a ação em curso interfira no trabalho que está sendo desenvolvido em toda a bacia do Rio Doce e que se mantém empenhada na reparação integral dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais."
A assessoria da Amata explicou, por meio de nota, que segue os mais rigorosos padões de produção e que é um equívoco a empresa estar entre os investigados. Confira a nota completa abaixo:
"Operações como a Arquimedes, deflagrada pela Polícia Federal, fazem parte de um esforço necessário para controlar o desmatamento e a exploração ilegal de madeira no Brasil.
Essa agenda é defendida pela AMATA desde a sua fundação, em 2005 – e por isso celebramos tal avanço nos controles ambientais.
Primeira empresa a obter uma concessão pública federal para fazer o manejo florestal sustentável, a AMATA segue os mais rigorosos padrões de produção e governança certificados por organizações internacionais independentes. Desta maneira, é um equívoco a AMATA estar entre as companhias investigadas.
Nascemos para demonstrar que é possível conciliar desenvolvimento econômico e manter a floresta em pé.
Estamos seguros de que esse equívoco será esclarecido ao longo da apuração dos fatos."















