BMW testa robôs humanoides em fábrica na Alemanha para montar baterias
Sistema da Hexagon permitirá uma montagem mais precisa, inspirada nos movimentos humanos
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A BMW iniciou uma nova etapa de testes com robôs humanoides na fábrica de Leipzig, na Alemanha, como parte da estratégia de ampliar o uso de inteligência artificial e automação nas linhas de produção.
O projeto utiliza o robô AEON, desenvolvido pela Hexagon Robotics, e marca a primeira aplicação desse tipo de tecnologia em uma planta da marca na Europa.
A iniciativa faz parte do conceito chamado de “Physical AI”, que combina inteligência artificial, robótica e sistemas produtivos reais. O objetivo da BMW é integrar robôs capazes de aprender tarefas industriais dentro do ambiente de produção já existente, especialmente em operações consideradas repetitivas, ergonomicamente exigentes ou ligadas à segurança.

Testes desde 2025
Os primeiros testes ocorreram em dezembro de 2025 na fábrica de Leipzig. Uma nova fase começou em abril deste ano para validar a integração total dos equipamentos antes do início do projeto-piloto previsto para o verão europeu. Inicialmente, os robôs serão utilizados na montagem de baterias de alta voltagem e na fabricação de componentes.
Segundo a BMW, o AEON foi escolhido por sua arquitetura voltada para ambientes industriais. O robô possui formato humanoide, mas se desloca sobre rodas, permitindo maior mobilidade dentro da fábrica.
A estrutura também aceita diferentes tipos de mãos robóticas, garras e ferramentas de escaneamento, ampliando a variedade de tarefas que pode executar.

Como os robôs funcionam
Dados divulgados pela Hexagon indicam que o AEON conta com 22 sensores embarcados responsáveis por monitoramento visual, tátil e espacial. O conjunto inclui câmeras RGB-D, sensores de força, sensores táteis nas extremidades das mãos, LiDAR, unidades inerciais e sistemas de proximidade.
A proposta é permitir que o robô realize atividades que exigem precisão milimétrica, especialmente em processos ligados à montagem de baterias de veículos elétricos.
Outro destaque é o sistema de baterias intercambiáveis automaticamente. O AEON consegue substituir seu próprio módulo de energia sem intervenção humana, reduzindo períodos de parada.
Segundo informações divulgadas pela fabricante, a autonomia operacional chega a aproximadamente três horas por carga. O robô também pode atingir velocidades de deslocamento de até 2,4 metros por segundo, enquanto outras fontes citam até 2,5 m/s dependendo da configuração utilizada.

Milan Nedeljković, membro do conselho de administração da BMW responsável pela área de produção, afirmou que a digitalização e a inteligência artificial passaram a ter papel estratégico dentro das fábricas da companhia.
“Digitalização melhora a competitividade da nossa produção”, declarou o executivo ao apresentar o projeto. Segundo ele, a combinação entre engenharia e inteligência artificial cria novas possibilidades para os processos industriais.
Michael Nikolaides, vice-presidente sênior da rede global de produção da BMW, destacou que a marca pretende avaliar gradualmente a inserção dos robôs dentro das linhas produtivas.
“Nosso objetivo é ser líder em tecnologia e integrar novas tecnologias à produção desde cedo”, afirmou.
O executivo acrescentou que os testes em Leipzig têm como foco explorar uma ampla gama de aplicações industriais antes de uma eventual expansão para outras unidades do grupo.
Do lado da Hexagon, o projeto também é tratado como uma etapa importante para validar a aplicação industrial dos robôs humanoides.
A empresa desenvolveu o AEON com foco em precisão, controle de força e aprendizado por demonstração, permitindo que determinadas tarefas sejam ensinadas ao equipamento após poucas repetições executadas por operadores humanos.
A BMW já havia realizado experiências semelhantes nos Estados Unidos. Na fábrica de Spartanburg, o robô Figure 02 participou da produção de mais de 30 mil unidades do BMW X3 ao longo de dez meses. Segundo a montadora, o equipamento movimentou mais de 90 mil componentes e trabalhou em turnos de dez horas diárias, fornecendo dados que agora ajudam a acelerar o programa europeu em Leipzig.
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