Como as vendas de híbridos e elétricos estão movimentando o mercado em 2023
Vendas de carros elétricos mas principalmente híbridos estão em alta e obrigam fabricantes a rever política de preços no mercado brasileiro
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

2023 já é considerado o ano da virada na venda de carros eletrificados no Brasil. Híbridos e elétricos chegaram a preços mais competitivos e avançam agora sobre o domínio das marcas generalistas custando, muitas vezes, o mesmo que um similar a combustão. Até agora, as vendas de modelos eletrificados já representam 3,6% e devem fechar 2023 superando os 4%. No ano passado foram 2,9%.

Se em 2022 o mercado brasileiro registrou 22.812 unidades de veículos eletrificados entre janeiro e agosto, esse ano já foram 49.052 unidades. O crescimento foi de 76% segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Esse movimento se deve majoritariamente às novas marcas chinesas notadamente BYD e Great Wall Motors. Hoje temos modelos elétricos de entrada por volta de R$ 120 mil com autonomia de 300km, a mesma média de autonomia de um carro a combustão hatch abastecido com etanol. Em um degrau seguinte, há modelos elétricos como o BYD Dolphin e GWM Ora por R$ 150 mil, o mesmo preço de um SUV compacto com motor 1.0 turbo.
A verdade é que desse mercado de carros eletrificados, a grande parte é de modelos híbridos. E esse mercado também mudou. Modelos como o Haval H6 da GWM já é o híbrido mais vendido do país desbancando o concorrente Toyota Corolla Cross.
O BYD Dolphin na faixa de R$ 150 mil já tem mais de 10 mil unidades vendidas, mais que três meses de vendas de um SUV compacto como o Chevrolet Tracker. O Volvo EX30 ainda não chegou efetivamente ao mercado nacional mas terá preço a partir de R$ 219 mil, alinhado ao valor de um SUV médio de versão mediana de marca generalista.

A resposta já veio à altura. A Caoa Hyundai reduziu duas vezes o preço do Kona elétrico. Ele estreou por R$ 269 mil e agora sai por R$ 219,9 mil. A Mitsubishi que ainda não tem modelos eletrificados no Brasil, anunciou um amplo programa de redução de preços em toda a linha L200 e Eclipse Cross. Na linha de pickups, a Nissan fez o mesmo com a Frontier.

Não é difícil concluir que a chegada de novas marcas ao país, especialmente de modelos híbridos e elétricos, incomoda as grandes marcas. Executivos de várias empresas disseram ao R7-Autos Carros serem a favor da volta da taxação de 30% para modelos eletrificados que hoje são importados sem esse imposto. A justificativa é que as empresas que estão instaladas aqui há anos investem em novos produtos de produção local. "Só no último ciclo de investimentos, foram R$ 2 bilhões para produzir um novo modelo em São José dos Pinhais. Temos compromisso com o Brasil e só queremos igualdade de condições", disse o presidente da Renault Ricardo Gondo recentemente durante o lançamento do Kangoo e-Tech.

Pelo visto essa batalha pela atenção (e pelo dinheiro) do consumidor está mesmo só começando neste novo universo dos carros com eletrificação.















