Chevrolet prepara Tracker e Montana híbridos: motores já estão “saindo do forno”, diz executivo
GM investe R$ 10,5 bilhões no Brasil e deve começar sua eletrificação nacional com sistema híbrido leve de 48 volts associado ao motor 1.2 turbo flex

A General Motors está próxima do lançamento de seus primeiros veículos híbridos desenvolvidos para o mercado brasileiro. Em entrevista ao R7-Autos Carros, o vice-presidente da GM América do Sul, Fábio Rua, confirmou que os novos conjuntos mecânicos já estão “saindo do forno”, indicando que a etapa de desenvolvimento está avançada.
Chevrolet Sonic com acessórios originais
A fala de Fábio Rua corrobora o anúncio de Thomas Owsianski como presidente e diretor-geral da operação da companhia na América do Sul. O executivo disse durante o anúncio dos cinco milhões de veículos produzidos em Gravataí que os híbridos estão agora em processo final de homologação.

“Estamos no caminho para ampliar nosso portfólio com veículos híbridos, híbridos leves e PHEV. Em breve teremos estas novidades”, disse o presidente.
Chevrolet Tracker Premier
A GM ainda não revelou oficialmente quais modelos receberão a tecnologia primeiro nem estabeleceu uma data para o lançamento. No entanto, Tracker e Montana são os principais candidatos a inaugurar o sistema híbrido leve de 48 volts da Chevrolet no país.

Os dois veículos compartilham a plataforma GEM, utilizam o motor 1.2 turbo flex e são produzidos na fábrica de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, unidade que concentra parte importante dos investimentos destinados à eletrificação da marca.
Investimento chega a R`$ 10,5 bilhõesA chegada dos híbridos integra o plano de investimentos da GM para o Brasil entre 2024 e 2028. Inicialmente, a companhia anunciou R 3,5 bilhões ao programa, elevando o valor total para R$` 10,5 bilhões.

Do primeiro pacote, R`$ 5,5 bilhões foram destinados às operações da empresa no estado de São Paulo, incluindo o desenvolvimento de motores híbridos flex e a modernização das instalações industriais. A GM mantém fábricas em São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes.

São Caetano do Sul produz atualmente Tracker, Montana e Spin. São José dos Campos concentra a fabricação da S10, da Trailblazer, de motores e de transmissões, enquanto Mogi das Cruzes fornece componentes estampados para as demais operações.A ampliação do investimento deverá financiar adaptações nas linhas de montagem, desenvolvimento de componentes, atualização de motores e preparação da cadeia de fornecedores para os novos sistemas eletrificados. Tracker e Montana devem ser os primeirosEmbora a Chevrolet ainda não tenha divulgado sua estratégia de produtos, Tracker e Montana aparecem como escolhas naturais para a estreia dos híbridos nacionais.Além de serem fabricados na unidade que receberá parte dos investimentos, os dois utilizam o mesmo motor 1.2 turbo flex de três cilindros e a transmissão automática de seis marchas. Isso permite dividir componentes, calibrações e processos industriais, reduzindo o custo de implantação da tecnologia.

A GM trabalha inicialmente com uma arquitetura híbrida leve de 48 volts, conhecida pela sigla MHEV. O sistema seria associado ao motor 1.2 turbo flex da família CSS Prime.O propulsor atualizado utilizado atualmente nas versões superiores do Tracker desenvolve até 141 cv e 22,9 kgfm de torque. A Chevrolet, porém, ainda não confirmou a potência, o torque nem os dados de consumo do futuro conjunto híbrido.O sistema híbrido leve não movimenta o veículo exclusivamente com eletricidade, como ocorre em um híbrido convencional ou em um híbrido plug-in. Sua função é auxiliar o motor a combustão nas situações de maior esforço e recuperar parte da energia que normalmente seria perdida durante as desacelerações.

A solução deve combinar o motor 1.2 turbo flex com uma máquina elétrica de 48 volts, uma pequena bateria, um conversor de tensão e um sistema eletrônico de gerenciamento.Além da GM a Stellantis já usa sistema semelhante. Em modelos compactos a Fiat e Peugeot oferecem o sistema 12V chamado “T200 Hybrid” enquanto a Jeep oferece o sistema eletrificado 48V no Commander, Renegade e Compass.A máquina elétrica pode substituir o alternador e o motor de partida convencionais. Dependendo da arquitetura adotada pela GM, o componente poderá ser ligado ao motor por correia, formando um gerador de partida integrado, conhecido como BSG.A principal finalidade da arquitetura de 48 volts é reduzir o consumo de combustível e as emissões sem exigir uma bateria de grande capacidade ou alterações estruturais profundas no veículo.O ganho tende a ocorrer principalmente no trânsito urbano, onde há mais frenagens, partidas e retomadas. A assistência elétrica diminui o esforço do motor turbo justamente nas situações em que o consumo costuma ser maior.
A bateria de 48 volts é menor e mais barata do que a utilizada por um híbrido pleno. O sistema também dispensa tomada para recarga, porque a energia é recuperada durante o uso do próprio veículo.
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