Crise de energia paralisa fábricas da Ford e Dacia na Romênia e afeta economia do país
Produção de modelos como Duster, Bigster e Courier serão paralisados até 19 de agosto

A indústria automotiva europeia enfrenta um novo desafio que vai muito além da eletrificação e da disputa por competitividade. Desta vez, a combinação entre uma forte onda de calor e a histórica redução do nível do rio Danúbio obrigou o governo da Romênia a adotar medidas emergenciais de economia de energia, levando à paralisação temporária das fábricas da Dacia e da Ford até o próximo dia 19 de agosto.
Renault no Salão do Automóvel 2025
A decisão afeta diretamente a produção de modelos importantes para o mercado europeu, como Dacia Duster, Jogger, Sandero e Bigster, além dos Ford Puma e Transit Courier.O problema tem origem na pior seca registrada na região em décadas.

Com o Danúbio operando muito abaixo do seu volume normal, a usina nuclear de Cernavodă, principal fonte de eletricidade da Romênia, perdeu capacidade de geração por falta de água suficiente para o sistema de resfriamento dos reatores.

O governo chegou a realizar uma operação inédita para remover rochas do leito do rio e redirecionar parte da vazão para a usina, numa tentativa de manter a produção de energia. Ainda assim, o país decretou medidas emergenciais para reduzir o consumo elétrico, priorizando o abastecimento da população durante os horários de pico.Dacia terá produção suspensaEntre as primeiras empresas a aderirem ao plano estão justamente as duas maiores montadoras instaladas no país.

A Dacia, pertencente ao Grupo Renault, interrompeu as atividades em Mioveni, onde são produzidos alguns de seus veículos mais importantes para a Europa. A parada afeta diretamente a fabricação do Duster, Jogger, Sandero, Logan e também do recém-lançado Bigster.
Utilitários e SUv compacto serão afetados no caso da Ford
Já a Ford suspendeu temporariamente a produção em Craiova, unidade responsável pelos utilitários esportivos Puma e pelas vans Transit Courier e Tourneo Courier, modelos estratégicos para diversos mercados europeus. Segundo o primeiro-ministro romeno, a interrupção das atividades industriais já proporcionou uma redução de aproximadamente 200 MW na demanda nacional por eletricidade, aliviando momentaneamente a pressão sobre o sistema energético.O episódio evidencia como as mudanças climáticas começam a afetar diretamente a cadeia global da indústria automotiva. Nos últimos anos, montadoras precisaram lidar com a escassez de semicondutores, gargalos logísticos, conflitos geopolíticos e aumento do custo das matérias-primas.
Agora, fatores ambientais passam a representar um novo risco operacional. A queda no nível dos rios compromete não apenas a geração de energia, mas também o transporte fluvial de cargas e o abastecimento de água para processos industriais, elevando custos e reduzindo a previsibilidade da produção.O caso da Romênia reforça que a transição energética não depende apenas da eletrificação dos automóveis, mas também da capacidade dos sistemas de geração e distribuição de energia suportarem eventos climáticos.
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