Nissan e Honda vão compartilhar ‘cérebro’ dos carros a partir de 2029
Fabricantes desenvolverão em conjunto centrais eletrônicas e sistemas operacionais para reduzir custos

A Nissan e a Honda firmaram um acordo para desenvolver e padronizar parte da arquitetura eletrônica de seus futuros veículos.
A parceria envolve as principais unidades de controle eletrônico, conhecidas como ECUs, além do sistema operacional embarcado, componentes de middleware e programas responsáveis pelo controle do automóvel.
A nova tecnologia deverá começar a ser utilizada pelas duas fabricantes a partir do ano fiscal de 2029. O acordo foi anunciado oficialmente pelas empresas.
Dianteira do Nissan Kait Advance
Marcos Camargo Jr 11.06.2026
Há cerca de um ano as duas empresas estudaram uma fusão, mas a Nissan e a Honda não aceitaram os termos que dariam mais poder ao grupo Honda, e as negociações foram quase suspensas. Agora o termo é apenas uma cooperação e não mais uma joint venture.

Na prática, Nissan e Honda trabalharão na criação de sistemas comuns para seus carros de próxima geração. As empresas definirão especificações compartilhadas para computadores centrais de alto desempenho e para ECUs zonais, responsáveis por reunir e controlar os sistemas eletrônicos de diferentes áreas do veículo.
Essa arquitetura elétrica e eletrônica mais centralizada substituirá gradualmente o modelo atual, no qual dezenas de módulos independentes comandam motor, freios, assistência à condução, climatização e entretenimento.
Fiat Pulse Impetus Hybrid
O projeto terá foco na chamada experiência de uso (user experience) e é determinado pelos programas instalados, permitindo receber atualizações remotas, incorporar novos recursos e corrigir falhas sem uma visita à concessionária.
A tecnologia também é fundamental para sistemas avançados de assistência ao motorista, inteligência artificial, gerenciamento de baterias e controle integrado dos veículos elétricos.

Apesar de utilizarem uma base comum, Nissan e Honda poderão manter interfaces, calibrações e características próprias em seus automóveis. A padronização ocorrerá principalmente nas camadas fundamentais da arquitetura, enquanto recursos como dirigibilidade, design das telas, conectividade e serviços poderão continuar diferentes.

O principal objetivo é reduzir os custos de pesquisa e desenvolvimento e encurtar o tempo necessário para colocar novas tecnologias no mercado.
A Honda, por exemplo, já desenvolve com a Renesas um processador de alto desempenho para seus futuros SDVs, com capacidade projetada de até 2.000 TOPS para aplicações de inteligência artificial. O componente está previsto para modelos da futura Série 0.
O novo acordo mostra que a aproximação entre as empresas continua mesmo depois do encerramento das negociações para uma possível integração empresarial.
Em fevereiro de 2025, Nissan e Honda desistiram da criação de uma holding conjunta após divergências sobre a estrutura do negócio, incluindo a possibilidade de a Nissan tornar-se subsidiária da Honda.
Na ocasião, porém, as duas companhias mantiveram a parceria estratégica voltada à eletrificação e à inteligência veicular. O fim das conversas de integração foi confirmado oficialmente em 2025.
A adoção da arquitetura compartilhada está planejada para os SDVs de próxima geração das duas marcas a partir de 2029, mas ainda não foram informados os primeiros modelos que receberão o sistema. Nissan e Honda também não detalharam quais componentes serão produzidos em conjunto nem o valor previsto dos investimentos.
A colaboração poderá avançar para outras áreas, com o objetivo declarado de acelerar a neutralidade de carbono, ampliar a segurança e reduzir a zero as mortes no trânsito envolvendo veículos das fabricantes.
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