Volkswagen prepara plano de 40 pontos com demissões e fábricas sob risco
Oliver Blume quer reduzir custos e capacidade produtiva, mas enfrenta resistência dos trabalhadores e do governo da Baixa Saxônia
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, tenta aprovar a maior reestruturação da história recente da montadora. O chamado plano de futuro reúne cerca de 40 pontos — documentos apresentados ao conselho mencionam 12 iniciativas e 45 decisões — para reduzir custos, eliminar estruturas duplicadas, diminuir a variedade de modelos e ajustar a capacidade industrial. A empresa foi preparada para produzir 12 milhões de veículos por ano antes da pandemia, mas agora trabalha com uma estrutura dimensionada para aproximadamente 9 milhões. A Volkswagen confirma oficialmente a necessidade de adequar sua produção à nova realidade do mercado.

Embora o Brasil ofereça terreno fértil para a expansão da marca, com lançamentos de SUVs e picapes de volume, a realidade na Europa está bem distante de um bom momento. Por aqui, a marca obtém um volume de financiamento para investir até R$ 20 bilhões na região até 2028.

Do outro lado do mundo, na Europa, a parte mais sensível envolve os empregos. O grupo tem aproximadamente 657 mil funcionários no mundo e já negociou a eliminação de cerca de 50 mil postos na Alemanha, considerando Volkswagen, Audi, Porsche e Cariad (empresa de tecnologia do grupo). Somente na marca Volkswagen, mais de 28 mil desligamentos até 2030 já estavam encaminhados por meio de aposentadorias, programas voluntários e redução de contratações, sendo 19 mil previstos até o fim de 2026. Blume, porém, admite que outros 50 mil empregos poderão ser eliminados mundialmente caso as medidas atuais não sejam suficientes, elevando o corte potencial para perto de 100 mil vagas. Quatro fábricas sob ameaça: quatro fábricas alemãs aparecem no centro das discussões. A Volkswagen ainda não encontrou uma ocupação considerada competitiva para Zwickau e Emden depois de 2031, nem para Hannover a partir de 2032. A unidade da Audi em Neckarsulm também estaria ameaçada a partir de 2034. Blume afirma que nenhuma decisão definitiva foi tomada e que o fechamento será a última alternativa, mas sustenta que os custos trabalhistas em algumas plantas alemãs são mais que o dobro dos registrados em unidades comparáveis de outros países europeus. O plano também prevê cortar aproximadamente 25% dos cargos de gestão.

A pressão vem da queda das vendas e da perda de espaço na China. No primeiro semestre de 2026, o grupo comercializou 4 milhões de veículos, recuo de 8,4% diante dos 4,4 milhões do mesmo período de 2025, enquanto o resultado operacional caiu 11,6%, para 5,9 bilhões de euros. Somente no segundo trimestre, as vendas recuaram 8,6%, com queda superior a 36% na China. A Volkswagen também abandonou a expectativa de crescimento da receita e passou a projetar uma variação entre estabilidade e redução de 3% em 2026. Os números do primeiro semestre foram divulgados pelo próprio grupo.
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O principal obstáculo para Blume está no conselho fiscal. O colegiado tem 20 integrantes: dez representam os acionistas e dez, os trabalhadores. A Baixa Saxônia, que detém 20% dos votos da Volkswagen, indica outros dois conselheiros entre os representantes dos acionistas. Na votação anterior, os dez representantes trabalhistas e os dois ligados ao governo estadual se posicionaram contra os fechamentos. Portanto, não são 12 representantes dos trabalhadores da Baixa Saxônia, mas um bloco de 12 votos formado pelas duas partes, suficiente para impedir ou atrasar decisões importantes.

Trabalhadores e governo estadual agora elaboram propostas alternativas, enquanto Blume tenta convencer as fábricas de que a redução de custos é inevitável diante da concorrência chinesa, das tarifas nos Estados Unidos e do excesso de capacidade. O impasse mostra que o problema da Volkswagen não será resolvido apenas com demissões: o grupo precisa recuperar competitividade em carros elétricos, acelerar o desenvolvimento de software e encontrar produtos para suas unidades alemãs.
Sem acordo com os empregados e a Baixa Saxônia, parte dos 40 pontos poderá permanecer no papel, prolongando uma crise que combina queda nas vendas, custos elevados e uma estrutura industrial maior do que a demanda atual.
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