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Formigão: a incrível história do Cybertruck brasileiro 

Lançada em 1978, picape tinha desenho feito com chapas retas, similar ao modelo elétrico de Elon Musk

Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

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O ano era 1978, e um empresário do ramo de automóveis inovadores criou uma picape seguindo o conceito de “chapas retas” e design curioso. Achou que era o Elon Musk e o Cybertruck, que está chegando às lojas no fim de 2023? Estamos falando de um veículo genuinamente brasileiro: o Formigão.

O estilo de chapas retas, vidro inclinado e dianteira em cunha antecipava tendência
O estilo de chapas retas, vidro inclinado e dianteira em cunha antecipava tendência

Mas que veículo era esse? A ideia do Formigão surgiu na metade dos anos 1970 pela empresa brasileira Renha, do empresário carioca Paulo Sérgio Renha. Fabricante de buggys e veículos fora de série, além de inúmeros triciclos, ele criou uma picape inspirada nos esportivos Lamborghini da época. 


Ao centro, a Renha ganhou destaque no Salão do Automóvel de 1978
Ao centro, a Renha ganhou destaque no Salão do Automóvel de 1978

A partir de um desenho retilíneo e futurista, a Renha criou a picape Formigão. A dianteira em cunha, a lateral quase reta, o para-brisa inclinado, a carroceria de fibra de vidro sobre chassi Volkswagen eram a “alma” desse carro que parecia ter vindo do futuro. As rodas de liga eram aro 13 com pneus bojudos, que davam um ar bem jovial ao conjunto e fizeram do Formigão um veículo de desejo e que "não conhece limites", dizia a propaganda na época.

Nos anúncios a marca prometia uma família de veículos, mas a picape é o que fez mais sucesso
Nos anúncios a marca prometia uma família de veículos, mas a picape é o que fez mais sucesso

Diferentemente do Cybertruck, que tem uma motorização moderna, o Formigão usava fórmula tradicional, para não dizer antiga. A picape ganhou soluções como a lanterna traseira da Variant, os faróis do Fiat 147 e o motor 1.600 boxer refrigerado a ar da linha Volkswagen. Com isso, tinha 58 cv e 11 kgfm de torque fornecido pela própria montadora, que dava garantia do conjunto mecânico.


Os triciclos da Renha eram sucesso de vendas e o Formigão tinha o perfil de picape despojada
Os triciclos da Renha eram sucesso de vendas e o Formigão tinha o perfil de picape despojada

A picape Formigão tinha 650 kg de capacidade de carga, volante e bancos de desenho esportivo, mas bem espartano para os olhares de hoje. Não havia direção assistida, nem mesmo ventilador, muito menos ar-condicionado.

A pretensão do carro era mudar um parâmetro de mercado com uma picape compacta e de lazer
A pretensão do carro era mudar um parâmetro de mercado com uma picape compacta e de lazer

A ideia do Formigão era atender o público que gostava de uma picape compacta, mas não necessariamente queria trabalhar com ela. Tinha perfil jovial e desempenho bem satisfatório, uma vez que era mais leve do que uma Kombi, por exemplo. O Formigão era feito sob encomenda e no Rio de Janeiro a empresa concentrava sua linha de produção e montagem dos kits de fibra (fiberglass como se dizia na época) sobre a mecânica VW a ar.


Lembremos que carro de carga naquela época era justamente uma Kombi "picape" ou Ford F-75, além das utilitárias médias da época. No mesmo ano a Fiat lançava o Fiat 147 picape, a primeira versão de um carro de passeio transformado em utilitário. Nos anos 1980 viriam modelos como Saveiro, Pampa, Chevy 500, e depois o Fiorino com base no Uno.

Nos anos 1980, a Coyote assumiria a produção do Formigão com outro nome, mas o projeto era o mesmo
Nos anos 1980, a Coyote assumiria a produção do Formigão com outro nome, mas o projeto era o mesmo

Foi fabricado com sucesso até 1980, quando a Renha se associou a outra empresa, desta vez em São Paulo, para produzir triciclos, e os direitos de produção do Formigão passaram para a empresa Coyote. Ao longo dos anos 1980 o Formigão continuou em ritmo muito mais lento do que o empreendido por Paulo Renha, e o projeto foi finalmente abandonado no início dos anos 1990.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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