Porsche 911 ganha duas versões exclusivas criadas pela Singer e Louis Vuitton
Projetos baseados na geração 964 combinam motores de até 510 cv, câmbio manual e acabamento artesanal

O Porsche 911 ganhou duas interpretações exclusivas que aproximam o universo dos automóveis clássicos da alta-costura. Apresentados durante a Monterey Car Week, que aconteceu neste final de semana nos Estados Unidos, os projetos foram desenvolvidos pela Singer Vehicle Design em parceria com a Louis Vuitton e utilizam exemplares da geração 964 como ponto de partida.

Apesar de serem frequentemente chamados de réplicas, os dois carros são, tecnicamente, “restomods”. Isso significa que exemplares originais do Porsche 911 são desmontados, restaurados e profundamente modificados com componentes modernos, sem perder o desenho clássico. A Singer é considerada uma das principais referências mundiais nesse tipo de trabalho e pode gastar aproximadamente 4.000 horas em cada projeto.

As duas criações seguem propostas diferentes. A primeira é um 911 Classic com carroceria cupê, motor aspirado e inspiração no universo das viagens. A segunda utiliza a configuração Classic Turbo Cabriolet, com carroceria conversível, motor biturbo e acabamento concebido por Nicolas Ghesquière, diretor artístico das coleções femininas da Louis Vuitton.
Porsche 911 Classic aposta em cores históricas da Louis Vuitton
O primeiro modelo recebe uma combinação chamativa de amarelo-açafrão, azul-cobalto e detalhes amarelos. As cores remetem aos baús de viagem e às embalagens históricas da Louis Vuitton. A carroceria preserva as proporções do 911 clássico, mas recebe painéis de fibra de carbono e ajustes aerodinâmicos desenvolvidos pela Singer.

No teto, um bagageiro pode transportar malas, pranchas de surfe ou esquis. A proposta resgata a imagem do Porsche 911 como um esportivo que também poderia ser usado em viagens e atividades de lazer, algo presente na publicidade da marca alemã especialmente entre as décadas de 1960 e 1980.

Por dentro, o revestimento combina couro natural, detalhes azuis, costuras amarelas e gravações da Louis Vuitton. Há ainda malas feitas sob medida e uma série de acessórios que acompanha o carro, incluindo equipamentos de viagem e uma prancha personalizada.
Motor clássico com melhorias
O motor é um seis-cilindros boxer aspirado de 4,0 litros, refrigerado a ar, com aproximadamente 420 cv. O conjunto trabalha com câmbio manual de seis marchas, tração traseira, escapamento de titânio e freios de carbono-cerâmica.

Conversível tem 510 cv e inspiração na arquitetura de Paris
A segunda criação é baseada no programa Classic Turbo da Singer e utiliza uma carroceria conversível com para-lamas alargados. A pintura denominada Calcaire Lutétien combina branco, marrom e elementos dourados, em referência à pedra calcária presente em diversos edifícios históricos de Paris.

O projeto assinado por Nicolas Ghesquière também buscou inspiração em barcos clássicos. Por isso, o interior combina couro claro, madeira nobre e componentes metálicos dourados. O resultado é mais discreto do que o do cupê, embora ainda carregue uma extensa coleção de detalhes exclusivos.

No centro do painel está um relógio Tambour criado pela Louis Vuitton. A peça pode ser retirada do carro e utilizada como relógio de mesa. O conjunto inclui ainda um Tambour Automatic de pulso, com caixa de 40 mm, cerâmica e ouro amarelo.
A Louis Vuitton desenvolveu também um guarda-roupa completo para acompanhar o conversível, incluindo traje de seda, jaqueta, luvas, sapatos, capacete, óculos e malas moldadas para os compartimentos do veículo.

Na parte mecânica, o Classic Turbo utiliza um boxer de seis cilindros e 3,8 litros com dois turbocompressores. A potência estimada é de 510 cv, sempre associada ao câmbio manual de seis velocidades. Assistências eletrônicas modernas, freios de carbono-cerâmica e componentes de suspensão atualizados ajudam a controlar o desempenho.
Geração 964 preservou o desenho clássico e modernizou o 911
A escolha da geração 964 não aconteceu por acaso. Produzido entre 1988 e 1994, esse 911 é considerado o ponto de equilíbrio entre o charme dos Porsche antigos e a tecnologia dos modelos modernos. Seu desenho manteve os faróis circulares, o teto arqueado e a traseira inclinada dos primeiros 911, mas incorporou para-choques integrados e um aerofólio que se levantava automaticamente.
Apesar da aparência tradicional, cerca de 85% dos componentes eram novos em relação ao modelo anterior. A geração introduziu direção assistida, ABS, airbags, suspensão com molas helicoidais e a transmissão automática Tiptronic. O Carrera 4 também foi o primeiro 911 de produção regular equipado com tração integral, derivada do sistema desenvolvido para o Porsche 959.
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Reprodução
O motor original era um boxer de seis cilindros, 3,6 litros e refrigeração a ar, com 250 cv nos Carrera 2 e Carrera 4. A gama teve ainda versões Turbo, Carrera RS, Speedster e o raro Turbo 3.6. Ao todo, a Porsche produziu 63.762 unidades da geração 964, segundo o histórico oficial da fabricante.
Esse equilíbrio explica por que o 964 se tornou a base preferida da Singer. O modelo ainda tem motor refrigerado a ar, comandos relativamente analógicos e dimensões compactas, mas sua estrutura permite receber motores mais potentes, freios atuais e soluções eletrônicas sem descaracterizar o conjunto.
Singer transformou o 964 em objeto de coleção
Fundada em 2009 na Califórnia, a Singer Vehicle Design não fabrica carros novos nem mantém vínculo industrial com a Porsche. A empresa restaura veículos fornecidos pelos clientes e os reconstrói segundo especificações individuais, atualizando motor, suspensão, freios, estrutura e acabamento.
Nos dois exemplares com assinatura Louis Vuitton, praticamente todos os componentes foram revistos. As carrocerias recebem fibra de carbono, enquanto os motores preservam a arquitetura boxer refrigerada a ar. O câmbio manual e a tração traseira mantêm o caráter analógico que ajudou a transformar o 911 clássico em objeto de desejo.
Os preços não foram divulgados e os carros não integram uma série convencional à venda. Projetos da Singer normalmente ultrapassam US$ 500 mil antes mesmo das personalizações mais sofisticadas. No caso da parceria com a Louis Vuitton, a exclusividade, os relógios, as malas e os acessórios artesanais podem colocar cada exemplar na faixa de vários milhões de dólares.
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