Produção de veículos sobe mas queda em relação a 2019 é de 21%
Produção avança mais do que o esperado mas há desafios como a exportação de veículos e o alto custo Brasil
Autos Carros|Marcos Camargo Jr

Dados divulgados nesta manhã pela Anfavea, associação dos fabricantes de veículos mostra que em agosto foram produzidos 210,9 mil veículos no país, crescimento de 23,6% sobre julho mas uma queda de 21,8% sobre o mesmo período de 2019. Já as vendas cresceram 5,1% no último mês com 183,4 mil unidades comercializadas. Quando comparado com agosto de 2019, a queda chegou a 24,5%.

Por conta da pandemia, a redução era esperada mas o tom do setor automobilístico não é de "terra arrrasada", como supunham algumas expectativas. "O setor automotivo estava saindo de uma crise em 2015 e 2016 e agora passando pela pior fase da pandemia no segundo trimestre. No próximo mês vamos reavaliar os impactos da crise e divulgar novos prognósticos", disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea durante a coletiva online.

O executivo avalia que a movimentação do governo para combater os danso econômicos da pandemia foram positivos. "A injeção de 250 bilhões do auxílio emergencial, os recursos que foram colocados ambém para suportar a medida provisória 936 que dá repõe parte dos salários reduzidos, o dinheiro para estados e municípios, a gente sabe que esse dinheiro ajudou a economia. (...) Quem recebe R$ 600 não compra carro mas esse dinheiro na economia ajuda o setor", avaliou o executivo.
Custos pressionados por conta do câmbio
Na coletiva online o R7 perguntou ao presidente da Anfavea sobre a recente elevação dos preços dos veículos, fenômeno visto tanto em modelos nacionais quanto importados. "O impacto do dólar é 'na veia'. Outros impactos temos como o custo do aço e isso afeta o nosso fornecedor e a indústria junto. A taxa de juros para baixo traz o dólar para cima".

Segundo o presidente da entidade as montadoras estão trabalhando para reduzir custos administrativos, nas fábricas e na cadeia para ter competitividade e amenizar o impacto nos preços pelo custo mais elevado. "Tenho falado com o governo que precisamos aumentar a exportação para ter um impacto menor da elevação do câmbio no preço final ao consumidor", disse Moraes.
Queda nas exportações: baixa demanda

A Anfavea também ilustrou que a queda na demanda por conta da pandemia afetou igualmente nossas exportações de veículos. Em agosto foram exportadas 28,1 mil unidades, redução de 3,4% ante julho e um recuo de 23,4% em relação a agosto de 2019.
A entidade classifica como "preocupante" a ociosidade na indústria brasileira. "Nas exportações temos preocupações, temos movimentos diferentes e países em realidades diferentes. Como disse o ministro Paulo Guedes é difícil fazer uma previsão pois não usamos os dados comuns para fazer essa análise até porque estamos em um fenômeno muito atípico", disse o presidente.

"Com a queda nos principais mercados, com exceção na China, essa ociosidade os preocupa muito. A indústria no mundo terá uma redução substancial. Se nós já tinhamos dificuldade de exportação pelo custo Brasil, se não resolvermos isso num curto espaço de tempo, países com maior competitividade vão conseguir se destacar. Por isso a gente reforça a questão da competitividade", avaliou Moraes.
Em um dado ilustrado durante a reunião online, a Anfavea mostrou que as vendas de veículos na Europa caíram 38,8% entre janeiro e junho de 2020 quando comparadas com o mesmo período do ano passado. Atualmente a redução das vendas no país estão em cerca de 20% o que é um indicativo positivo mas que a Anfavea evitou fazer prognósticos que serão divulgados no próximo mês.















