Teste com a Honda CG 160 Titan 2026: mais refinada, econômica e líder de vendas
Topo de linha da família CG mantém evolução introduzida em 2025 e estreia a cor Pearl Stark Gray; modelo tem ABS, iluminação de LED, painel com indicador de marcha e motor flex de 162,7 cm³

A Honda CG 160 chega à linha 2026 sem mudanças mecânicas ou de equipamentos, mas com novidades na paleta de cores. Na Titan, versão mais sofisticada da família, uma das opções é a Pearl Stark Gray, oficialmente classificada pela Honda como Cinza Metálico. É justamente essa tonalidade que dá um aspecto mais sofisticado à motocicleta, combinando o cinza com os componentes escurecidos do motor, rodas e escapamento. A CG 160 Titan 2026 tem preço sugerido de R$ 20.590, sem frete. O R7-Autos Carros testou a motocicleta mais vendida do país por uma semana.
Honda CG Titan 160 2026 Pearl Gray Metallic (cinza metálico)
Não é por acaso que a Honda evita alterações profundas apenas um ano depois da chegada da décima geração. A renovação realizada na linha 2025 foi uma das maiores da história recente da CG, modificando visual, suspensões, freios, painel e iluminação. Para 2026, portanto, a estratégia foi preservar esse conjunto e mexer essencialmente nas cores.

A importância da CG também pode ser medida pelos números. A família Honda CG 160 acumulou 260.248 emplacamentos somente no primeiro semestre de 2026, segundo a Fenabrave. Foram 46.148 unidades apenas em junho. Para colocar a liderança em perspectiva, a Yamaha YBR 150, que reúne a família Factor 150, registrou 38.961 unidades no mesmo período. Ou seja, a CG vendeu mais de seis vezes o volume da principal concorrente direta.
Como anda a CG 160 Titan 2026
Ao guidão, a Titan mostra por que a fórmula da CG continua funcionando tão bem depois de cinco décadas. Não existe nenhuma característica isolada. O que chama atenção é justamente o equilíbrio entre baixo peso, posição de pilotagem natural, motor suficientemente disposto para a cidade e comandos fáceis.

A posição é confortável e deixa o piloto praticamente ereto, com guidão em boa altura e pedaleiras que não obrigam a dobrar excessivamente as pernas. Também é uma motocicleta estreita, característica importante para deslocamentos urbanos e corredores. Com apenas 120 kg de peso seco, é fácil de manobrar mesmo em baixa velocidade.

O motor continua sendo o conhecido monocilíndrico flex OHC de 162,7 cm³, refrigerado a ar e alimentado por injeção eletrônica PGM-FI. Na especificação 2026, entrega 14,4 cv a 8.000 rpm com gasolina e 14,7 cv com etanol. O torque é de 1,41 kgfm com gasolina e 1,43 kgfm com etanol, ambos a 6.750 rpm. O câmbio permanece manual de cinco velocidades.

É uma mecânica claramente desenvolvida pensando mais em elasticidade, economia e durabilidade do que em desempenho absoluto. A CG responde bem nas arrancadas urbanas, tem engates de câmbio leves e permite rodar boa parte do tempo sem explorar demais as rotações. Em avenidas mais rápidas, entretanto, os limites naturais de uma 160 aparecem e as ultrapassagens precisam ser planejadas com maior antecedência.
Consumo continua sendo um dos argumentos
Outro ponto importante é a economia. Dependendo do combustível, estilo de condução, trânsito e peso transportado, a CG 160 pode trabalhar na faixa dos 35 a 45 km/l em utilização real, embora não exista um número único oficial da Honda que represente todas as condições de uso.

Com tanque de 14 litros, portanto, teoricamente é possível superar 500 km entre abastecimentos em condições favoráveis. Mais importante do que buscar um número recorde é a facilidade com que a CG consegue manter médias elevadas de consumo no trânsito cotidiano, justamente onde a maioria dessas motos trabalha.

A adequação ao Promot 5 trouxe alterações de calibração para a geração apresentada em 2025. Comparada à geração anterior, houve pequena redução de potência, mas o caráter do motor praticamente não mudou: continua privilegiando respostas em baixa e média rotação, manutenção simples e baixo consumo.
Ciclística melhorou bastante na geração 2025
É na ciclística que a atual Titan mostra uma das maiores evoluções em relação à antiga CG. Na dianteira, a suspensão telescópica passou a utilizar tubos de 33 mm, com curso de 120 mm. Atrás permanecem dois amortecedores, mas eles trabalham com uma balança redesenhada, de perfil retangular, com 106 mm de curso da roda.

Na prática, o conjunto mantém uma das características tradicionais da CG: suspensão relativamente confortável para absorver buracos, valetas e irregularidades sem transformar a moto em algo excessivamente macio. Ao mesmo tempo, a dianteira mais robusta melhorou a sensação de precisão nas mudanças de direção.

As rodas são de liga leve de 18 polegadas e utilizam pneus sem câmara Michelin Pilot Street 2, nas medidas 80/100-18 na frente e 100/80-18 atrás. É uma configuração interessante para o Brasil porque preserva o comportamento previsível da CG e oferece boa capacidade de enfrentar pavimento ruim.
ABS finalmente chegou à Titan
Uma das mudanças mais importantes introduzidas em 2025 e preservadas na Titan 2026 foi a chegada do *ABS*. A versão topo de linha tem disco dianteiro de 240 mm com pinça de dois pistões e ABS de um canal. Atrás há outro disco, de 220 mm, com pinça de pistão simples.

É uma diferença importante em relação às demais CG. Start, Cargo e Fan utilizam CBS, enquanto a Titan ganhou a proteção contra travamento da roda dianteira. Seria melhor ter ABS nas duas rodas, mas sua presença na dianteira já representa um avanço importante para uma motocicleta utilizada diariamente em trânsito pesado.A Titan também ganhou rodas de desenho específico e toda a família passou a utilizar pneus sem câmara, outra vantagem prática em caso de perfuração.

A modernização de 2025 também corrigiu uma das defasagens da CG. O painel digital Blackout da Titan ganhou indicador de marcha engatada e computador de bordo com indicador de consumo. Além disso, mostra velocímetro, conta-giros, hodômetros e nível de combustível.
Pode parecer um detalhe, mas o indicador de marcha faz bastante diferença em uma motocicleta de uso urbano e principalmente para motociclistas menos experientes. É um recurso que concorrentes chinesas já ajudavam a popularizar nas categorias de entrada e que finalmente passou a integrar a CG.

Outro recurso útil é a tomada USB-C de série, posicionada próxima ao painel, permitindo alimentar um smartphone utilizado para navegação. Na Fan o equipamento é opcional. A iluminação também evoluiu. Titan e Fan passaram a ter farol e lanterna traseira de LED, enquanto toda a família recebeu LED atrás. Os piscas, entretanto, continuam utilizando lâmpadas convencionais.
Dimensões favorecem o uso urbano
A CG Titan continua sendo uma motocicleta compacta. Tem aproximadamente 2,03 metros de comprimento, 747 mm de largura e 1,09 m de altura, com entre-eixos próximo de 1,31 m. A altura do banco fica na casa dos 790 mm e o peso seco é de 120kg,

Esses números explicam parte da facilidade de condução. O baixo peso e o guidão relativamente largo permitem mudar rapidamente de direção e facilitam manobras de estacionamento. Para quem utiliza a moto profissionalmente ou enfrenta trânsito intenso todos os dias, são características que muitas vezes pesam mais na escolha do que alguns cavalos extras de potência.
Concorrência aumentou mas a CG não se abala
Se durante muitos anos falar em motocicleta urbana de 150/160 cm³ praticamente significava escolher entre Honda e Yamaha, atualmente a situação mudou. A Yamaha Factor 150 continua sendo a adversária tradicional da CG e aparece como a segunda street mais vendida do país. No primeiro semestre de 2026, a família YBR 150 acumulou 38.961 unidades. A Yamaha FZ15, com proposta mais esportiva, também participa dessa disputa e acumulou 19.699 unidades no período.
Outra concorrente direta é a Haojue DK160, que aposta justamente na simplicidade mecânica, preço competitivo e parceria comercial da marca chinesa com a JTZ/Suzuki no Brasil. Foram 6.261 unidades no primeiro semestre de 2026. A Bajaj Pulsar N150 também começa a aparecer com maior frequência nessa categoria e chegou a 4.248 emplacamentos no mesmo período.
Ainda há modelos da Shineray disputando o público mais sensível a preço. Isso significa que a CG enfrenta hoje uma variedade de concorrentes muito maior do que há alguns anos.
A CG 160 Titan 2026 não tenta ser a motocicleta mais potente ou mais equipada entre as pequenas urbanas. Seu maior argumento continua sendo o conjunto. É leve, econômica, fácil de conduzir, tem uma rede gigantesca de concessionárias e uma mecânica conhecida pelo mercado.
A evolução feita em 2025 também tornou a Titan um produto tecnicamente mais atual. ABS dianteiro, discos nas duas rodas, farol e lanterna de LED, pneus sem câmara, painel com indicador de marcha e consumo e USB-C diminuíram a distância de equipamentos que existia para algumas concorrentes.
E talvez a maior demonstração de que a Honda não precisava alterar muito esteja justamente nas vendas. Com mais de 260 mil CG 160 emplacadas somente nos seis primeiros meses de 2026, nenhuma outra motocicleta brasileira sequer se aproxima de seu volume. A Titan é apenas uma das versões contabilizadas dentro dessa família, mas representa a interpretação mais completa de uma receita que, mesmo diante de uma concorrência cada vez maior, continua dominando o mercado brasileiro.
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