Volvo terá 30 novidades e carros com até 30% de componentes Geely até 2030
Marca sueca prepara 13 modelos inéditos, amplia uso de plataformas e peças compartilhadas

A Volvo anunciou um novo plano estratégico para recuperar rentabilidade e ampliar sua participação no mercado mundial até o final da década. A fabricante prepara cerca de 30 novidades e atualizações de produto até 2030, incluindo 13 modelos totalmente novos, além de uma integração muito maior com a Geely, grupo chinês que controla a empresa sueca desde 2010.

O atual CEO Håkan Samuelsson, que retornou ao comando da Volvo, confirmou que o índice de componentes compartilhados com a Geely deverá subir dos atuais 10% para aproximadamente 30% até 2030. A aproximação inclui plataformas, componentes eletrônicos, baterias, motores elétricos e peças adquiridas em conjunto.

A empresa continuará se apresentando como uma fabricante premium de origem sueca, com identidade própria em desenho, segurança e acerto dinâmico, mas dependerá cada vez mais da escala industrial e tecnológica da Geely para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de novos produtos.
Volvo XC60 parado em rua tranquila de SP
Marcos Camargo Jr 03.07.2026
Treze modelos novos até 2030Dos 13 veículos inéditos previstos, sete serão destinados aos mercados ocidentais e seis terão a China como foco principal. A ofensiva combinará modelos completamente elétricos e híbridos, afastando definitivamente a Volvo da antiga promessa de vender somente carros elétricos a partir de 2030.

Os veículos destinados à Europa e aos Estados Unidos serão concentrados em duas plataformas principais da própria Volvo. Na China, os novos automóveis serão desenvolvidos em conjunto com a Geely, permitindo que a marca sueca responda mais rapidamente às características e à intensa concorrência do maior mercado automotivo do mundo.

A distribuição dos produtos também será regionalizada. A Volvo pretende desenvolver carros maiores para os Estados Unidos, modelos pequenos e médios para a Europa e veículos de porte intermediário especialmente pensados para o mercado chinês.

Além dos 13 carros totalmente novos, as cerca de 30 novidades previstas para o período incluirão reestilizações, novas motorizações e atualizações tecnológicas. Exemplos recentes desse movimento são o elétrico EX60 e as novas configurações híbridas plug-in de XC60 e XC90, agora equipadas com baterias maiores.
Porta-malas do Volvo EX30 Ultra
Marcos Camargo Jr 19.06.2026
Compartilhamento deve chegar a 30%Atualmente, aproximadamente 10% das peças utilizadas pela Volvo são compartilhadas com empresas ligadas à Geely. A meta é triplicar esse percentual até o final da década.Segundo a fabricante, o maior volume de compras conjuntas e a utilização de componentes comuns devem reduzir em cerca de 5% os custos de materiais. A economia será importante para que a Volvo tente elevar sua margem operacional de 3,5%, registrada em 2025, para mais de 8%.
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Uma linha para o Ocidente e outra para a ChinaUm dos pontos mais interessantes do novo planejamento é a separação mais clara entre os produtos chineses e ocidentais. A decisão não é apenas comercial, mas também política.

A Volvo precisa aproveitar a tecnologia e a escala da Geely sem ampliar sua exposição às barreiras impostas pelos Estados Unidos contra veículos e componentes chineses. A situação ficou especialmente sensível depois das restrições enfrentadas pela Polestar, outra empresa controlada pelo mesmo grupo.

A integração não ficará restrita aos automóveis. A Volvo também começa a colocar sua rede comercial e sua estrutura industrial europeia à disposição de outras marcas ligadas à Geely conforme já divulgado. O acordo mais concreto até agora envolve a Lynk & Co. A Volvo assinou um memorando para se tornar importadora e distribuidora exclusiva dos veículos da marca na Europa, utilizando concessionárias, sistemas de vendas e serviços de pós-venda já existentes.
Inicialmente, os modelos Lynk & Co 01, 02 e 08 deverão ser comercializados por meio dessa estrutura. O 02 é elétrico, enquanto 01 e 08 utilizam sistemas híbridos. A operação permitirá que a Lynk & Co cresça sem precisar criar imediatamente uma rede própria em cada país europeu.
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