Teste: Renault Kwid Techno se moderniza e custa R$ 75 mil mas vale a pena?
Versão intermediária do compacto ganha painel digital, multimídia de 10,1 polegadas e câmera de ré, mas preserva motor 1.0 e câmbio manual

O Renault Kwid chegou à linha 2027 com uma atualização importante para continuar competitivo entre os carros mais baratos do Brasil. A versão avaliada é a intermediária Techno, antiga Intense, oferecida por R$ 75.990 na campanha de lançamento. Mas o que mudou de fato no Kwid?
Multimídia do Renault Kwid Techno 2027
Marcos Camargo Jr. 14.09.2026
O já veterano subcompacto ganha nova dianteira, novos detalhes na traseira e melhora muito no acabamento. Também parece ter recebido melhores forrações nas portas e na parede corta fogo (entre o motor e a carroceria) e está mais silencioso. E o que mais?

Bem completo de série
Posicionada entre a Evolution e a Outsider, a configuração Techno procura reunir os equipamentos mais importantes da nova linha sem incorporar todos os detalhes visuais da opção topo de linha. Além do novo nome, o Kwid recebeu mudanças na dianteira, no interior e na conectividade, embora tenha preservado o conhecido conjunto mecânico.

Visual renovado
As principais alterações externas estão concentradas na parte dianteira. O Kwid ganhou grade redesenhada com acabamento preto brilhante, novo para-choque e o logotipo atualizado da Renault. As luzes diurnas em LED agora são de série, enquanto a lateral recebeu novos grafismos e a traseira passou a usar lanternas com contorno escurecido.

Outra novidade presente em toda a linha é a antena do tipo “shark” instalada sobre o teto. Na versão Techno, as rodas continuam sendo de aço com calotas de 14 polegadas. As rodas de liga leve diamantadas ficam reservadas para o Kwid Outsider.

Apesar das alterações, o compacto preserva suas proporções. São 3,73 metros de comprimento e 185 milímetros de altura livre do solo, medida superior à encontrada em muitos hatches urbanos. O porta-malas tem capacidade para 290 litros.

No quesito design, o carro transmite sobriedade e mais qualidade nos plásticos, calota e acabamentos. Feito para ser ágil no trânsito o Kwid preserva também suas virtudes de economia e pelo fato de caber em qualquer vaga apertada.
Interior mais moderno
A cabine recebeu as mudanças mais perceptíveis. Todas as versões do Kwid passaram a trazer painel de instrumentos digital de sete polegadas, console central redesenhado, novos revestimentos para os bancos, sensores traseiros de estacionamento e duas entradas USB-C que carregam celulares de forma mais rápida.

No Techno, a principal novidade é a central multimídia de 10,1 polegadas integrada visualmente ao quadro de instrumentos. O equipamento oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A versão acrescenta ainda câmera de ré, chave do tipo canivete, comandos de áudio no volante e antena shark.

A apresentação ficou mais atual, embora o projeto continue recorrendo amplamente a plásticos rígidos, natural para um carro posicionado como de entrada. Também permanecem características conhecidas do Kwid, como a carroceria estreita, a proposta essencialmente urbana e o espaço traseiro mais adequado para duas pessoas.

Itens de série
Além dos equipamentos específicos, o Kwid Techno traz os itens da versão Evolution. A lista inclui ar-condicionado, direção elétrica, vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, monitoramento da pressão dos pneus, controle eletrônico de estabilidade, assistente de partida em rampas e dois pontos Isofix.

O pacote de segurança mantém quatro airbags — dois frontais e dois laterais —, freios ABS e controle de tração. Os sensores traseiros e a câmera de ré facilitam as manobras, mas o acendimento automático dos faróis continua exclusivo do Outsider.

Dentro da gama, o Techno aparece como a escolha mais equilibrada. A diferença promocional em relação ao Evolution é de aproximadamente R$ 4.900, valor que acrescenta central multimídia, espelhamento sem fio, câmera de ré e comandos no volante. Já o Outsider custa cerca de R$ 8.900 a mais e aposta principalmente no visual aventureiro, nas rodas de liga leve e no sensor crepuscular.

Motor conhecido
Não houve mudanças mecânicas. O Kwid continua equipado com o motor 1.0 SCe flex de três cilindros, que entrega até 71 cv e 10 kgfm de torque. O câmbio é sempre manual de cinco marchas e não há opção automática.

É um conjunto voltado principalmente ao baixo consumo e ao deslocamento urbano. A carroceria leve ajuda nas saídas e retomadas em velocidades mais baixas, mas o desempenho em estrada exige planejamento, especialmente com o carro carregado.

Segundo os números oficiais do Inmetro, o Kwid registra 10,4 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada com etanol. Abastecido com gasolina, alcança 14,4 km/l no percurso urbano e 15,4 km/l no rodoviário.

Se por um lado dirigir o Kwid é um deja vu de um carro já com oito anos de mercado, por outro qualquer um que tenha dirigido versões anteriores vai notar o maior silêncio a bordo. A nova multimídia destacada é outra vantagem e o painel tem ótimo contraste oferecendo a conectividade que o cliente quer sem custar tanto.
Comportamento urbano
Com dimensões reduzidas, direção elétrica e boa altura em relação ao solo, o Kwid mantém sua vocação para enfrentar o trânsito das grandes cidades. A visibilidade dianteira é boa e o diâmetro de giro reduzido facilita manobras e retornos.

No percurso realizado durante esta avaliação, o computador de bordo indicou média de 14,9km/l com gasolina o que é uma boa marca para o Kwid rodando apenas na cidade ao longo de uma semana.
Vale a pena?
Por R$ 75.990 na condição promocional, o Renault Kwid Techno ganha força ao combinar baixo consumo, quatro airbags, controle de estabilidade, painel digital e uma central multimídia grande para o segmento. É justamente nessa versão que a atualização da linha 2027 fica mais evidente. E para quem quer um carro compacto é mais equipado ele volta a ser uma opção interessante diante de Fiat Mobi e Citroen C3 que formam com o Kwid a tríade dos modelos mais baratos para se comprar em
2026.
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