Radares com velocidade média passam a funcionar em 8 estados
ANTT autoriza testes em 15 rodovias; fase é chamada de “educativa”

Uma nova geração de radares começará a ser testada nas rodovias brasileiras. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou projetos-piloto para medir a velocidade média dos veículos em trechos de estradas de oito estados.
Os testes serão realizados no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nesta primeira fase, que terá duração mínima de 180 dias, os registros serão apenas educativos e não poderão resultar em multas pela velocidade média.

É importante observar, porém, que não se instala uma estrutura desse porte apenas para informar o motorista. Embora a ANTT afirme corretamente que o projeto ainda não possui caráter punitivo, a experiência servirá para validar equipamentos, sinalização, reconhecimento de placas e critérios operacionais. Na prática, trata-se de uma transição técnica que poderá preparar a futura regulamentação das autuações.
Bancos do BYD Dolphin SE
Marcos Camargo Jr 02.06.2026
Para que a velocidade média possa gerar uma infração, ainda serão necessárias mudanças regulatórias e definições jurídicas, incluindo margem de tolerância, certificação dos equipamentos, informações obrigatórias na notificação e mecanismos para defesa do motorista.
Como funcionam esses radares de velocidade média?
O funcionamento é diferente daquele dos controladores tradicionais. Duas câmeras instaladas em pontos distintos registram a placa e o horário de passagem do veículo. Como a distância entre os equipamentos é conhecida, o sistema calcula quanto tempo o motorista levou para percorrer o trecho.

Caso o carro seja identificado no segundo ponto antes do período que seria mínimo para cumprir a distância, o sistema conclui que a média ficou acima do limite. Assim, reduzir a velocidade apenas alguns metros antes do radar e voltar a acelerar logo depois deixa de ser suficiente.
Lateral dianteira da RAM Dakota Big Horn
Marcos Camargo Jr. 06.08.2026
A proposta tem potencial para modificar um comportamento comum nas estradas brasileiras. Hoje, muitos condutores trafegam acima do limite e freiam bruscamente ao se aproximar de um radar fixo. Com a fiscalização por trecho, será necessário manter uma velocidade compatível durante todo o percurso monitorado.
Onde os novos radares serão testados
Os equipamentos serão avaliados em trechos de 15 rodovias. A maior concentração ficará no Paraná, com testes nas BR-163, BR-277 e BR-376, além das estaduais PR-151, PR-444 e PR-862.

Em Minas Gerais, o sistema chegará às BR-040, BR-050, BR-116 e BR-381, esta última conhecida como Rodovia Fernão Dias. No Rio de Janeiro, serão monitorados pontos das BR-101 e BR-116, incluindo um trecho de pouco mais de nove quilômetros da Ponte Rio-Niterói no sentido de Niterói.
O Espírito Santo terá três segmentos da BR-101. Goiás receberá a tecnologia na BR-414, enquanto Mato Grosso do Sul terá um trecho de 11 quilômetros da BR-163. No Rio Grande do Sul, os testes ocorrerão na BR-386.
Lateral dianteira da Volkswagen Tukan cabine simples 2027
Marcos Camargo Jr. 21.08.2026
Santa Catarina completa a relação com um trecho de aproximadamente três quilômetros da BR-101 sobre a Ponte Anita Garibaldi, em Laguna.
Os estados e as respectivas rodovias serão:
* Espírito Santo: BR-101;
* Goiás: BR-414;
* Mato Grosso do Sul: BR-163;
* Minas Gerais: BR-040, BR-050, BR-116 e BR-381;
* Paraná: BR-163, BR-277, BR-376, PR-151, PR-444 e PR-862;
* Rio de Janeiro: BR-101 e BR-116;
* Rio Grande do Sul: BR-386;
* Santa Catarina: BR-101.
Ainda não existe uma data única para a ativação de todos os pontos. Cada concessionária deverá instalar os equipamentos, concluir a sinalização e comprovar que a estrutura está pronta. Os 180 dias serão contados a partir do início efetivo de cada operação.

Período educativo vai gerar dados para a ANTT
Durante os testes, as concessionárias terão de produzir relatórios mensais para a ANTT. O órgão pretende avaliar a confiabilidade dos registros, o funcionamento das câmeras, o comportamento dos motoristas e os possíveis efeitos do sistema sobre a segurança viária.

Os trechos também deverão ser sinalizados, com avisos sobre o início e o fim da medição e indicação do limite de velocidade existente na rodovia. Os parâmetros não serão necessariamente iguais em todos os locais, pois dependerão das características de cada estrada.
Roda da Fiat Toro híbrida
Marcos Camargo Jr. 24.08.2026
A experiência está amparada pela Resolução ANTT nº 6.000/2022, que permite testar soluções e métodos de engenharia ainda não regulamentados de maneira definitiva.
Tecnologia já foi testada no Brasil
A fiscalização por velocidade média não é uma novidade absoluta no país. Em 2017, a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo realizou uma experiência educativa nas avenidas 23 de Maio, dos Bandeirantes e Jacu-Pêssego, além da pista expressa da Marginal Tietê.
O levantamento realizado naquele período indicou que o número de motoristas acima da velocidade média permitida poderia ser até sete vezes maior do que o total flagrado pelos radares pontuais. A tecnologia, porém, não avançou para a aplicação de penalidades por falta de regulamentação específica.
Outro teste foi realizado na BR-050, com câmeras separadas por 11 quilômetros. Em um trecho limitado a 80 km/h, o mesmo veículo deveria levar pelo menos 7 minutos e 16 segundos para passar pelos dois equipamentos.
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