Burnout no trabalho: mais de 22 mil ações acendem alerta para empresas
Processos somam cerca de R$ 9,94 bilhões e envolvem mais de 11 mil empresas
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A saúde mental ganhou espaço nas relações de trabalho. O aumento dos afastamentos por transtornos mentais e das ações judiciais mostra que o burnout deixou de ser apenas um tema de bem-estar e passou a ter impacto jurídico nas empresas.
Levantamento da Predictus identificou 22.815 ações trabalhistas relacionadas ao burnout entre janeiro de 2016 e abril de 2026. Os processos somam cerca de R$ 9,94 bilhões e envolvem mais de 11 mil empresas.
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Os dados indicam mudança no perfil dos conflitos trabalhistas e reforçam a necessidade de atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Crescimento das ações
Em 2016, foram registradas 943 ações. Em 2024, o número chegou a 5.999 processos. Já em 2025, foram 4.940 ações, crescimento superior a 400% em relação ao início da série.
Em 65% dos casos, houve procedência parcial dos pedidos. Em 4,4%, procedência total, e 27,7% foram julgados improcedentes. Em cerca de 68% dos processos houve perícia apontando relação entre trabalho e adoecimento.
Isso não significa que todo diagnóstico gera responsabilidade automática. Cada caso depende das provas e das condições de trabalho.
O que é burnout
A Organização Mundial da Saúde define o burnout como resultado do estresse crônico no trabalho não gerenciado.
A síndrome envolve esgotamento, distanciamento mental e queda de desempenho. No Brasil, está na lista de doenças relacionadas ao trabalho.
Sintomas incluem cansaço extremo, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de motivação. O diagnóstico deve ser feito por profissional de saúde.
Principais áreas e funções mais afetadas pelo burnout
Alguns setores apresentam maior incidência de burnout devido à intensidade das demandas, pressão por resultados e exposição constante a situações de estresse.
Entre as principais áreas estão:
- Saúde: médicos, enfermeiros e profissionais hospitalares lidam com jornadas extensas, alta responsabilidade e contato frequente com sofrimento humano.
- Educação: professores enfrentam sobrecarga de trabalho, pressão por desempenho e desafios na gestão de alunos.
- Tecnologia da informação (TI): prazos curtos, alta cobrança por produtividade e necessidade constante de atualização contribuem para o esgotamento.
- Vendas e atendimento ao cliente: metas agressivas, cobrança por resultados e contato direto com clientes aumentam o nível de estresse.
- Setor financeiro: pressão por resultados, metas e ambiente competitivo favorecem o desgaste emocional.
- Jurídico: advogados e profissionais da área lidam com prazos rigorosos, alta carga de trabalho e responsabilidade sobre decisões relevantes.
- Recursos humanos: atuação em conflitos internos, gestão de pessoas e pressão organizacional podem gerar desgaste contínuo.
Essas áreas não são as únicas afetadas, mas concentram fatores de risco que exigem atenção especial das empresas.
Quando pode ser doença ocupacional
A lei prevê que doenças causadas ou agravadas pelo trabalho podem ser equiparadas a acidente de trabalho.
No burnout, a análise envolve fatores como jornadas excessivas, metas abusivas, pressão constante e assédio. A comprovação depende de documentos, testemunhas e perícia.
Quando há nexo com o trabalho, podem surgir indenizações, estabilidade provisória e outros direitos.
Responsabilidade das empresas
A legislação exige que as empresas reduzam riscos à saúde dos trabalhadores, incluindo os psicológicos.
A responsabilidade não decorre apenas do diagnóstico. É preciso avaliar se houve relação com o trabalho e se a empresa adotou medidas preventivas.
Registros e práticas efetivas são essenciais para demonstrar cuidado com a saúde ocupacional.
NR-1 e riscos psicossociais
A NR-1 passou a incluir expressamente os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.
Isso obriga as empresas a considerar fatores como sobrecarga, pressão, conflitos e organização do trabalho.
A gestão deve identificar riscos, ouvir trabalhadores e adotar medidas preventivas.
Prevenção
A prevenção exige análise da organização do trabalho, incluindo jornadas, metas e relações internas. Também é importante ter canais de denúncia, capacitar lideranças e acompanhar afastamentos.
Programas de apoio ajudam, mas não substituem mudanças estruturais.
Tema de compliance
O aumento das ações mostra que a saúde mental virou questão de gestão de risco.
A falta de prevenção pode gerar processos, afastamentos e prejuízos. Já políticas eficazes ajudam a evitar problemas e fortalecer o ambiente de trabalho.
Os mais de 22 mil processos são um alerta: cuidar da saúde mental é também uma obrigação jurídica.
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