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Luiz Fara Monteiro

Companhia aérea deixará de cobrar taxa de pais que queiram poltrona ao lado de seus filhos

Mudança na Ryanair ocorre durante investigação sobre possível descumprimento à legislação de defesa do consumidor

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Companhia altera política para assentos Depositphotos.com

A regra da Ryanair em que adultos que viajavam com crianças pagavam uma taxa de reserva de assento - de 8 euros - e podiam selecionar assentos ao lado para até quatro crianças gratuitamente chega ao fim. A companhia europeia de baixo custo alterou sua política de alocação de assentos familiares, declarando que os passageiros com crianças que não pagarem pela reserva antecipada receberão seus assentos aleatoriamente após o check-in.

O novo sistema aplica-se às compras efetuadas a partir de hoje e irá, prioritariamente, acomodar estes grupos na parte traseira do avião, uma vez que as primeiras filas costumam ser as primeiras a esgotar. Esta medida elimina o sistema anterior, em que um adulto pagava pelo seu lugar e recebia, no momento da compra, até quatro lugares adjacentes gratuitos para crianças.


De acordo com um comunicado, a empresa justificou o reajuste tarifário como uma medida em conformidade com as normas vigentes na maioria das companhias aéreas europeias. Quem desejar garantir assentos específicos ou voar nas primeiras filas terá que pagar a taxa correspondente.

A mudança ocorre depois que a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) - principal entidade reguladora da concorrência e da proteção do consumidor no Reino Unido - afirmou estar investigando se a política era injusta segundo a legislação de defesa do consumidor. A CMA afirmou que irá testar se a nova política de assentos da companhia aérea está em conformidade com a lei e que sua investigação continua.


A CMA já havia declarado que a cobrança seria analisada. Havia uma dúvida se a “abordagem da companhia aérea em relação às reservas de assentos poderia significar que os pais estariam sendo cobrados para que a companhia cumprisse suas obrigações de segurança infantil e relacionadas à deficiência, conforme estabelecido pelas normas da aviação – e investigaria para determinar se essa prática está de acordo com a legislação de defesa do consumidor”.

Outras companhias aéreas ofereceram a possibilidade de acomodar crianças ao lado de um dos pais ou responsável sem custo adicional, ou ainda alocar assentos juntos automaticamente durante a reserva, também sem custo adicional, acrescentou a empresa.


A Ryanair criticou a CMA:

“Os reguladores europeus, como a CMA do Reino Unido, têm falhado sistematicamente com os consumidores ao ignorarem a revenda flagrante e abusiva de passagens aéreas superfaturadas por agências de viagens online não autorizadas, a especulação de preços por monopólios aeroportuários e as deficiências nos serviços dos órgãos europeus de controle de tráfego aéreo”, afirmou Michael O’Leary, CEO da Ryanair .


“Em vez de promover a concorrência e tarifas mais baixas para os consumidores, a CMA está determinada a forçar a Ryanair a adotar a política de assentos familiares menos transparente e menos favorável ao consumidor, utilizada pela maioria das outras companhias aéreas, simplesmente porque é o padrão da indústria”, acrescentou.

“Adaptaremos, ainda que a contragosto, ao padrão da indústria, pois não queremos perder tempo explicando aos órgãos reguladores, que estão completamente equivocados, o quão mal compreendem o que é melhor para os consumidores no Reino Unido e na Europa. De acordo com nossa política revisada de assentos familiares, as famílias podem ter que esperar até depois do check-in para saberem seus assentos e é mais provável que sejam alocadas na parte de trás da cabine”, concluiu o executivo.

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