A colheita da oportunidade
Feira da Agricultura Familiar fortalece a renda, amplia mercados e aproxima produtores e consumidores durante a Expomontes

Na 52ª Expomontes, Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros, que começa hoje, existe um espaço onde o protagonista não é o tamanho da propriedade nem a potência do equipamento. É o legado das pessoas.
O evento tem a expectativa de receber 300 mil visitantes, atraídos, principalmente, pelos shows, e de movimentar R$ 400 milhões em negócios durante o período da feira, que acontece até o dia 5 de julho, no Parque de Exposições da cidade.
A Feira da Agricultura Familiar é um dos ambientes mais autênticos da exposição. Ali, cada produto carrega uma história. O beiju, o queijo, o doce, o café, a farinha e o artesanato não representam apenas mercadorias. São o resultado do trabalho de famílias que transformam a produção rural em sustento, identidade e tradição.
“Ao longo dos anos, mantivemos essa essência, mas também avançamos de forma significativa, ampliando o espaço, melhorando a estrutura de atendimento, oferecendo mais capacitações e criando oportunidades para que os expositores profissionalizem cada vez mais seus negócios. Hoje, a Agricultura Familiar ocupa um papel estratégico dentro da Expomontes, demonstrando a força do empreendedorismo rural e contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e social de toda a nossa região”, disse Flávio Gonçalves Oliveira, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros.
Nesta edição, cerca de 160 agricultores familiares, provenientes de 12 municípios do Norte de Minas, ocuparão 40 barracas. Juntos, eles representam aproximadamente 300 famílias que encontram na feira uma oportunidade de ampliar a renda, divulgar seus produtos e conquistar novos consumidores.
Segundo a Emater, aproximadamente 70% dos expositores são mulheres, evidenciando o papel central que elas desempenham na produção, no processamento dos alimentos, na gestão dos pequenos negócios e na comercialização.
“Eu tenho um prazer muito grande de fazer parte dessa caminhada da Agricultura Familiar. É um reconhecimento para nós, produtores, porque antes não tínhamos esse privilégio. Participando da feira, adquirimos conhecimento, fortalecemos a agricultura, divulgamos nosso trabalho e nossos produtos. Em dez dias, nos tornamos uma família, companheiros de luta, e isso é muito importante”, disse Maria Madalena, carinhosamente conhecida como Dona Nenzinha, produtora rural da Comunidade de Pinheiros. Em sua barraca, ela oferece um dos pratos mais tradicionais da culinária regional: o frango caipira.
Ao caminhar entre as barracas, o visitante levará para casa muito mais do que alimentos típicos. Carregará consigo um pouco da cultura, da história e da identidade do Norte de Minas. E essa talvez seja a colheita mais valiosa proporcionada pela Feira da Agricultura Familiar.
“É um espaço em que o agricultor, além de comercializar o que produz, fortalece sua relação com os consumidores e cria oportunidades de negócio que permanecem durante todo o ano. Muitos visitantes que conhecem os produtos na Expomontes passam a comprar posteriormente nas feiras livres, diretamente dos produtores ou por meio do delivery, que já é uma realidade para muitos agricultores familiares. É um espaço para comercializar, divulgar e consolidar negócios”, afirmou José Carlos, extensionista da Emater.
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