Agricultura digital transforma decisão no campo e reduz custos
Com uso de dados, IA e monitoramento em tempo real, produtor ganha eficiência e sustentabilidade

A agricultura digital vem transformando a forma como o produtor brasileiro toma decisões no campo. Com o uso de dados, inteligência artificial e monitoramento em tempo real, a gestão da lavoura se tornou mais precisa, eficiente e sustentável.
O Mundo Agro conversou com Bruno Muller, head de Serviços de Agricultura Digital da Syngenta.
Mundo Agro: Como a agricultura digital tem transformado a rotina do produtor brasileiro nos últimos anos?
Bruno Muller: A tecnologia deu ao produtor o que ele tem de mais escasso: tempo e assertividade. O agricultor brasileiro integrou o digital de tal forma que hoje é impossível pensar em alta produtividade sem o suporte de uma plataforma inteligente.
Antigamente, o produtor tomava decisões baseadas no histórico ou no que via ao caminhar por uma pequena parte do talhão. Hoje, a agricultura digital permite que ele esteja em “todos os lugares ao mesmo tempo”, com total visibilidade do plantio à colheita. Nesse sentido, as ferramentas digitais trouxeram previsibilidade.
O agricultor brasileiro, que já é um dos mais resilientes do mundo, agora consegue antecipar gargalos logísticos, identificar pragas antes que elas causem prejuízos significativos, usar a IA para controlar estoque de forma simples e rápida, ser mais sustentável em seus processos e otimizar a janela de plantio e colheita. A rotina do campo tornou-se muito mais estratégica e simplificada.
Mundo Agro: Como as soluções digitais da Syngenta ajudam o produtor a reduzir o uso de defensivos e insumos químicos? É possível mensurar dados sobre economia de água, energia ou outros recursos naturais gerados pelo uso dessas tecnologias?
Bruno Muller: Nossas soluções digitais atuam diretamente para transformar o manejo do agricultor de forma sustentável e racional. Por exemplo, ao utilizar imagens de satélite de alta resolução e ferramentas de monitoramento da nossa plataforma digital Cropwise, permitimos que o produtor deixe de fazer a aplicação em área total para focar apenas onde é necessário e na dose correta. Ela oferece ferramentas de monitoramento, gestão operacional, seleção de sementes e recomendação de aplicações, cobrindo 76 milhões de hectares em 30 países, sendo que o Brasil representa uma fatia estratégica desse ecossistema, com 14,8 milhões de hectares monitorados pelas nossas tecnologias.
Quanto à mensuração, sim, os dados são claros. Um exemplo que posso citar é uma ferramenta que lançamos em 2025 no Brasil, o Cropwise Planting. É uma solução integrada à plataforma Cropwise que visa simplificar e facilitar o acesso às tecnologias de agricultura de precisão. Um dos principais diferenciais do Cropwise Planting é a otimização de recursos, pois a tecnologia permite que o plantio, a fertilização e a correção do solo sejam realizadas em taxa variável, o que significa que a quantidade de insumos é ajustada de acordo com as necessidades específicas de cada zona de manejo dentro de um talhão.
Esse nível de precisão resulta em uma redução significativa no que diz respeito ao desperdício de insumos e, consequentemente, em aumento da rentabilidade da lavoura. A inovação demonstrou um aumento médio do potencial produtivo das áreas em aproximadamente 3%, e redução de custos com fertilização que alcançam até 25% em algumas culturas.
Mundo Agro: Quais tecnologias dentro da plataforma Cropwise têm maior impacto na produtividade e na eficiência operacional?
Bruno Muller: A plataforma Cropwise é o ecossistema digital da Syngenta que integra dados agronômicos, climáticos e de solo para apoiar na tomada de decisão no campo. Dentro da plataforma, as tecnologias de maior impacto na produtividade e eficiência operacional são:
• Cropwise Protector - monitoramento de lavoura com mapas e alertas para resposta rápida a pragas e doenças;
• Cropwise Explorer - imagens de satélite em alta resolução para acompanhamento da saúde das culturas em tempo real;
• Cropwise Planting - agricultura de precisão no plantio, com ajuste de sementes e fertilizantes por variabilidade de solo. Produtores relatam ganhos de até 6 sacas/hectare em soja e redução de até 25% nos custos de fertilização;
• Cropwise Balance - com integração de Inteligência Artificial, permite que o produtor gerencie estoques e custos de forma simples - inclusive via áudios no WhatsApp. O controle financeiro preciso evita erros que podem comprometer até 30% da rentabilidade de uma propriedade.
• Nema Digital - diagnóstico de nematoides via IA e satélite, permitindo manejo localizado e mais eficiente.
O diferencial da plataforma está na transição da “agricultura de média” para a agricultura de precisão: cada área da fazenda recebe recomendações específicas, o que se traduz em mais produtividade com menor desperdício de insumos.
Mundo Agro: Quais são as tendências mais importantes que a Syngenta vê para o futuro da agricultura digital no Brasil?
Bruno Muller: O futuro da agricultura digital no Brasil passa por alguns macro desafios. Um deles é a integração de sistemas, ou seja, não adianta apenas criar novos dados. Temos que fazer com que todas as máquinas e softwares ‘falem a mesma língua’, para facilitar cada vez mais o cotidiano do agricultor. Na Syngenta, apostamos em sistemas abertos e integrados. No ano passado, abrimos o uso da Cropwise para desenvolvedores externos por meio da Cropwise Open Platform, que oferece acesso a modelos agronômicos, serviços preditivos e dados históricos baseados em décadas de pesquisa. O objetivo é impulsionar a inovação agrícola e reduzir a desigualdade no acesso à tecnologia entre grandes e pequenos produtores. Assim, desenvolvedores podem usar essas ferramentas para criar, testar e escalar novas soluções para o agro.
Quando falamos de agricultura digital, também temos que falar sobre Inteligência Artificial (IA). Dentre as prioridades estratégicas discutidas na Syngenta, a IA tem estado no foco de tudo, ganhando olhares atentos de todas as áreas. Nós temos debatido frequentemente sobre como a IA nos ajudará a alcançar nossos objetivos e desbloquear novas possibilidades - para nosso negócio e para os agricultores. Tudo isso nos permite comparar o desempenho de produtos e soluções de forma muito mais rápida e precisa, sempre focando em atender as necessidades específicas de cada agricultor. Essa agilidade é tendência, e será cada vez mais necessária para continuarmos avançando.
Na Syngenta, usamos a IA para prever resultados com base em múltiplas variáveis, como geografia, condições climáticas e tipo de solo. É essencial que uma multinacional como nós esteja atenta ao mercado e, mais do que isso, se antecipe às demandas para poder moldar o futuro. O Brasil já é protagonista global na adoção dessas tecnologias, e o nosso papel na Syngenta é garantir que essa inovação seja simples, acessível e, acima de tudo, gere valor real no bolso do agricultor.
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