Menos parada, mais produção: indústria de componentes aposta em eficiência sustentável no agro
Soluções para máquinas agrícolas ampliam vida útil dos equipamentos e ajudam a reduzir consumo de recursos e emissões

Com o custo do dinheiro mais elevado e a redução no ritmo de aquisição de máquinas novas, produtores passaram a olhar com mais atenção para a eficiência da frota já existente — movimento que fortalece o mercado de manutenção, peças e soluções tecnológicas.
Ao Mundo Agro, Alex Pereira, CEO da SKF Brasil, afirmou que o atual momento do mercado abre oportunidades para a expansão da companhia no agronegócio.
“As vendas de máquinas novas estão caindo neste ano. O produtor, com o custo do dinheiro alto e a margem mais pressionada, deixa de investir em máquinas novas e passa a investir na frota atual, onde ele tem que fazer a manutenção de qualquer maneira para continuar produzindo”, afirmou.
A estratégia da SKF para avançar no agronegócio está baseada em três pilares: engenharia, confiabilidade e proximidade com o produtor. A companhia, líder mundial em rolamentos, tem o agronegócio dentro de sua divisão industrial e espera elevar a participação do segmento no Brasil de 14% para uma faixa entre 16% e 18% até o final do ano.

Um dos principais desafios dos equipamentos agrícolas é a contaminação dos rolamentos por poeira, terra e lama, fatores que podem comprometer o desempenho das máquinas. A resposta da empresa está no desenvolvimento de componentes mais robustos, capazes de suportar as condições severas do campo.
“Se a contaminação não chega no rolamento, a gente estende a vida útil, a máquina para menos e o produtor vai produzir mais”, explicou.
A busca por maior durabilidade também se conecta à agenda de sustentabilidade. Entre as soluções desenvolvidas pela SKF está o Agri Hub, aplicado em plantadeiras e projetado para aumentar a vida útil dos componentes. Segundo o executivo, a tecnologia representa um avanço não apenas em produtividade, mas também em redução de impactos ambientais.
“Eu diria que a gente ajuda o produtor, o usuário a ser mais eficiente, parar menos, produzir mais. E a gente também tem essa pegada de ajudar o meio ambiente, com soluções tecnológicas nesse sentido”, ponderou.
A companhia também aposta em produtos desenvolvidos especificamente para diferentes aplicações do setor, dentro do conceito chamado de ASO (Application Specific Offer), que envolve soluções desenhadas para necessidades específicas de máquinas e equipamentos agrícolas.
Segundo Pereira, a inovação é resultado de uma rede global de pesquisa e desenvolvimento. A SKF investe cerca de 3% da receita em P&D e mantém especialistas conectados entre Europa, Estados Unidos e Brasil para desenvolver novas tecnologias.
“Para algumas aplicações não bastava ter uma performance altamente boa. A gente poderia ter aplicações específicas para alguns equipamentos e alguns maquinários”, disse.
Além da produtividade, a sustentabilidade é outro eixo estratégico da empresa. A SKF trabalha para alcançar operações carbono neutro até 2030 e neutralidade de carbono até 2050, conectando eficiência industrial e redução de emissões.
Com a agricultura cada vez mais pressionada por custos, clima e necessidade de maior produtividade, a visão da SKF é que componentes antes vistos apenas como peças de reposição passam a ter papel estratégico na competitividade do produtor.
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