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O ativo mais valioso da pecuária já não está no pasto

Sensores, inteligência artificial e monitoramento em tempo real fazem do comportamento animal um ativo estratégico para aumentar produtividade e reduzir custos

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Leonardo Guedes, cofundador da Cowmed Foto cedida: Cowmed

Por muitos anos, o tamanho do rebanho e a extensão das pastagens foram os principais indicadores da força de uma fazenda. Hoje, a competitividade passa também pela capacidade de coletar, interpretar e transformar dados em decisões mais rápidas e eficientes. O Mundo Agro abre a porteira para um artigo de Leonardo Guedes, cofundador da Cowmed.

“Ao longo das décadas, a pecuária brasileira atravessa uma profunda transformação. Desde 1990, a produtividade do setor saltou 183%, enquanto a área ocupada por pastagens encolheu 18%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).


Isso significa que, hoje, o tamanho do rebanho e a área de pastagem não são os únicos fatores que definem a produtividade. Há um outro ativo, tão valioso quanto: os dados biológicos.

Sensores inteligentes, inteligência artificial e dispositivos conectados chegaram ao curral e estão redefinindo a lógica econômica da produção animal. Nesta nova era, o comportamento animal deixou de ser um indicador meramente zootécnico para se tornar uma variável de fluxo de caixa.


Na pecuária leiteira, essa revolução é ainda mais evidente. Tecnologias baseadas em IoT permitem monitoramento contínuo do rebanho, identificando sinais precoces de doenças, alterações metabólicas, cio e estresse térmico antes mesmo de qualquer percepção humana. O que antes dependia exclusivamente da experiência empírica do produtor agora pode ser acompanhado em tempo real na tela de um smartphone.

Na prática, isso significa que comportamento, saúde, conforto térmico, ruminação e fertilidade não são apenas indicadores ligados ao bem-estar animal. São também indicadores financeiros tão relevantes quanto preço da arroba ou custo da ração.


Diagnósticos precoces e a identificação precisa do momento reprodutivo reduzem perdas e elevam a produtividade em até 20%. Obviamente, uma vaca saudável produz mais, reproduz melhor, demanda menos intervenção veterinária e reduz perdas invisíveis que comprometem a rentabilidade da operação.

E os ganhos com o uso da tecnologia impactam diretamente o EBITDA, gerando incrementos de até 4% na receita bruta ao mitigar o descarte de leite e o uso excessivo de medicamentos.


O produtor que entender que dados animais são ativos financeiros terá vantagem competitiva indiscutível na pecuária do futuro. Os demais correm o risco de continuar administrando fazendas modernas com ferramentas do século passado."

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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