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Insumos caros e preços instáveis exigem nova lógica de planejamento agrícola

Ferramentas como barter, hedge e comercialização digital ganham espaço como instrumentos de proteção da renda no campo

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Empresa ADM, em Rondonópolis, MT Foto cedida: ADM

Com margens cada vez mais apertadas e um cenário global instável, o produtor rural precisa lidar com uma equação complexa antes mesmo do plantio: insumos caros, clima imprevisível e preços voláteis.

A próxima safra exige mais do que conhecimento técnico no campo — exige estratégia, gestão de risco e tomada de decisão baseada em dados e ferramentas de mercado.


O Mundo Agro conversou com Eduardo Rodrigues, vice-presidente de Grãos da ADM.


Eduardo Rodrigues, vice-presidente de Grãos da ADM Foto cedida: ADM

Mundo Agro: Diante de um cenário marcado por volatilidade climática, custos elevados e oscilações nos preços das commodities, quais são os principais pontos que o produtor rural deve considerar ao planejar a próxima safra?

Eduardo Rodrigues: O setor chega ao novo ciclo diante de um ambiente marcado por margens mais ajustadas, maior seletividade no acesso a financiamento, oscilações nos preços das commodities, incertezas climáticas e pressão sobre itens estratégicos, como fertilizantes, defensivos, combustíveis e logística. Diante disso, a próxima safra deve exigir dos produtores rurais uma gestão ainda mais criteriosa dos custos, do crédito, da aquisição de insumos e da comercialização da produção.


Nesse cenário, o acesso à informação e a ferramentas financeiras e comerciais são determinantes no planejamento da safra para a rentabilidade e a gestão de riscos. Além da definição do pacote tecnológico e do calendário de plantio, decisões sobre proteção de preços, momento de compra de produtos agrícolas, alternativas de financiamento e canais de comercialização passaram a ter peso direto na previsibilidade orçamentária e de receitas do produtor.

Mundo Agro: Como ferramentas financeiras e comerciais, como operações de barter e estratégias de comercialização antecipada, podem ajudar o produtor a reduzir riscos e proteger sua rentabilidade?


Eduardo Rodrigues: Em um ambiente de maior exposição a fatores climáticos, econômicos e geopolíticos, o planejamento passou a ter papel central na gestão da safra. O produtor precisa equilibrar diferentes fatores para proteger as margens operacionais e adquirir os produtos agrícolas necessários para uma safra produtiva. O Barter é uma operação que permite a aquisição de produtos agrícolas com pagamento vinculado à entrega futura de parte da produção. A modalidade já representa 50% dos negócios de vendas de insumos da ADM e tem sido adotada como ferramenta de apoio ao planejamento financeiro da fazenda, ao permitir maior alinhamento entre custos de produção, expectativa de receita e estratégia comercial.

Em um cenário de crédito mais restrito e juros elevados, esse tipo de instrumento contribui para ampliar alternativas de acesso a matérias-primas e reduzir a exposição do produtor a oscilações de mercado. A modalidade também permite que o agricultor organize parte dos custos da safra com base na produção futura, o que pode ajudar na composição de uma estratégia mais aderente ao ciclo agrícola.

Mundo Agro: A digitalização vem ganhando espaço no campo. De que forma plataformas de comercialização digital e inteligência de mercado estão mudando a tomada de decisão dos produtores?

Eduardo Rodrigues: A rotina do produtor envolve decisões contínuas e, muitas vezes, tomadas fora do horário comercial. A tecnologia vem para apoiar com dados e inteligência de mercado para tornar o planejamento mais assertivo, ajudar a prever riscos e contribuir com o dinamismo na comercialização. Nesse sentido, a digitalização tem ampliado as possibilidades de negociação e facilitado a aquisição de insumos.

Pensando na necessidade de tornar o processo comercial mais flexível e alinhado à dinâmica do campo, passamos a oferecer neste ano, em parceria com a Grão Direto, a comercialização digital de grãos 24 horas por dia. A ferramenta permite ao produtor acompanhar preços em tempo real e fechar negócios fora dos horários tradicionais de operação, ampliando a transparência e a autonomia no processo comercial. Com isso, ele pode conferir ofertas, observar variações de preço, câmbio e mercado internacional, e avaliar oportunidades de acordo com o momento mais adequado para sua operação.

Mundo Agro: Qual é o impacto da previsibilidade no fornecimento de insumos para o planejamento da safra e como empresas da cadeia agrícola podem contribuir para dar mais segurança ao produtor?

Eduardo Rodrigues: A previsibilidade é o que irá proteger a rentabilidade do produtor rural de oscilações de mercado e facilitar o acesso a insumos, algo cada vez mais importante diante de conflitos geopolíticos globais que impactam o fornecimento de materiais agrícolas e dos extremos climáticos que afetam as lavouras. Para o produtor rural, planejar a safra significa combinar decisões agronômicas que fortaleçam a saúde dos cultivos, com estratégias financeiras e comerciais. Nosso papel é conectar diferentes iniciativas que apoiem essa gestão de forma integrada, oferecendo informação, ferramentas de hedge , alternativas de negociação e acesso a produtos agrícolas para que cada produtor possa organizar sua estratégia de acordo com sua realidade operacional e econômica.

Mundo Agro: Em um ambiente cada vez mais complexo, qual é o papel das parcerias entre produtores e empresas do agronegócio para aumentar a competitividade e a sustentabilidade dos negócios rurais?

Eduardo Rodrigues: A continuidade dos negócios e a competitividade combinam a capacidade de investir em eficiência e produzir de forma cada vez mais sustentável, atendendo cada fazenda com a combinação ideal de fertilizantes, defensivos e biológicos, mais tecnologia e maior inteligência de mercado. Em um ambiente no qual a produtividade pode ser afetada por diversos fatores incertos, como extremos de temperatura, irregularidade de chuvas e maior pressão de pragas e doenças, o acesso à informação, o uso de produtos e ferramentas adequados, instrumentos de proteção e modalidades comerciais flexíveis passam a ser parte do processo de mitigação de riscos.

Um produtor bem preparado consegue se proteger das oscilações das commodities, ao mesmo tempo em que garante o acesso a matérias-primas para investir na resiliência e na saúde da lavoura, o que impacta diretamente a produtividade e protege o campo de pressões climáticas. Por outro lado, a capacidade de produzir de forma sustentável é o que irá tornar os produtores peças fundamentais no acesso a mercados cada vez mais exigentes.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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