Ciclone-bomba e El Niño: como funciona o monitoramento de risco feito pelo governo brasileiro
Fenômeno climático tem 80% de chance de ser forte ou muito forte este ano, segundo estudos internacionais
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Este ano, há 80% de chance do El Niño ser classificado como forte ou muito forte, segundo análises da Organização Meteorológica Mundial. O fenômeno climático natural causa o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e resulta em mudanças nos ventos e na circulação do ar do planeta. No Brasil, o El Niño costuma causar chuvas torrenciais no sul e secas na região nordeste e norte do país.
Embora ainda não diretamente relacionado com o fenômeno, o sul do país se prepara para os riscos de ser atingido por um ciclone extratropical, que poderá ser classificado como ciclone-bomba caso seja confirmada uma queda muito rápida da pressão em seu centro em 24 horas.
Todos esses fenômenos são monitorados, diariamente, por pesquisadores do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). Eles são responsáveis por alertar a defesa civil nacional e dos estados sobre as regiões que podem sofrer com enchentes, deslizamentos ou algum outro impacto ambiental severo.
Atualmente, o foco está em 1.295 cidades com histórico de desastres, mas o Cemaden trabalha para incluir outros 800 municípios na lista de alerta máximo dos pesquisadores.
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Conjunto de dados
Ao R7 Planalto, a diretora do Centro, Regina Alvalá, explicou como é feito o acompanhamento pelas equipes.
“Ininterruptamente, 7 dias por semana e 24 horas por dia, monitoramos as cidades brasileiras, principalmente as com maior risco de desastre que demandam atenção redobrada. O El Niño costuma deixar o sul mais chuvoso, e o norte e nordeste com secas severas. Esse cenário aumenta o risco de enxurradas e deslizamentos, por exemplo, com ventos e chuvas torrenciais”, explica.
Regina detalha que não são usados apenas dados de satélites, mas também uma rede de pluviômetros que medem as chuvas e enviam dados de 10 em 10 minutos para o Cemaden. Outro equipamento é o radar meteorológico, que consegue monitorar um raio de 500 km, e permite perceber como a chuva está sendo distribuída na região.
“Quando observamos todos esses fatores, conseguimos identificar o que pode culminar na ocorrência de risco hidrológico. Assim, os alertas são encaminhados para a Defesa Civil do município e nacional”, conta.
Regina resume a missão do Cemaden como um trabalho feito “antes do desastre”. “De fato, nos últimos quinze anos, o Brasil investiu em gestão e redução de risco de desastres, mas ainda há muito em aprimorar, porque os municípios ainda não são autossuficientes no sentido amplo de abrigo, rotas de fuga e contenção”, elenca.
A diretora do Cemaden, no entanto, deixa claro uma mensagem: não é tudo responsabilidade dos órgãos do governo.
“A comunidade, a sociedade, também precisa contribuir não acumulando lixo, não jogando resíduos em cursos de água, bueiros, protegendo as matas ciliares. E o governo deve fazer contenção de encostas, desassoreamento, limpeza de bueiros, podas de árvores e várias ações que minimizem os riscos”, pontua.
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