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Dor menstrual afeta rotina escolar de seis em cada dez estudantes brasileiras

Segundo pesquisa, quatro em cada dez chegam a faltar mensalmente devido ao período menstrual

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Seis em cada dez estudantes brasileiras relatam cólicas menstruais que afetam sua rotina escolar, com quatro em cada dez faltando às aulas mensalmente.
  • A pesquisa do Instituto Alana revela que a dor menstrual é tratada como um problema individual, mas afeta a aprendizagem e o vínculo escolar.
  • As cólicas intensas são mais comuns entre meninas que menstruam precocemente, e há diferenças raciais na percepção e relato da dor.
  • Políticas educacionais e de saúde devem incluir o letramento sobre saúde menstrual para meninos e meninas, abordando desigualdades e invisibilização do tema.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Cólica é o principal sintoma menstrual que impede alunas de irem às aulas Paulo Pinto/Agência Brasil - Arquivo

Seis em cada dez jovens estudantes dos ensinos fundamental e médio relatam ter cólicas fortes ou moderadas que atrapalham sua rotina e exigem uso de medicação. Segundo pesquisa inédita feita pelo Instituto Alana em parceria com o Equidade.info, quatro em cada dez alunos faltam às aulas mensalmente por esse motivo. Os dados serão divulgados nesta quarta-feira (27) por ocasião do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado nesta quinta-feira (28).

A pesquisa ouviu 2.551 estudantes — sendo 770 estudantes que menstruam —, 303 docentes e 181 gestores escolares, das redes pública e privada de todas as regiões do país.


As alunas apontam que a cólica é o principal sintoma menstrual que as impede de ir às aulas, mencionada por 57,7% das entrevistadas. O sintoma supera cansaço e dores no corpo, citados por 30,1%; dores de cabeça, por 28%; dor de barriga, por 20,1%; vergonha e medo de vazamento, por 19,3%; e falta de banheiro ou produtos de higiene, por 8,2%.

Na prática, os sintomas menstruais podem levar a aproximadamente dois dias de falta por mês.


Na avaliação do Instituto, os dados ajudam a revelar um problema que costuma ficar diluído nas médias gerais das turmas: parte das ausências das meninas está associada a sintomas menstruais que ainda são tratados como individuais, privados ou inevitáveis.

“Quando acumuladas mês a mês, essas faltas podem afetar aprendizagem, vínculo com a escola e oportunidades educacionais ao longo da trajetória. Nos dias em que as jovens estão presentes, ainda podem sofrer com a ausência de docentes pelas mesmas razões”, pondera.


Segundo a pesquisa, 12% das professoras ouvidas deixaram de dar aulas ao menos uma vez por mês em razão da dor menstrual — descrita por 15,6% como cólicas fortes.

“A naturalização da dor menstrual faz com que ela seja tratada apenas como um desconforto individual, quando, na verdade, é um fator recorrente de impacto funcional. No ambiente escolar, tanto estudantes quanto docentes são afetadas por essa invisibilização. Por isso, políticas de saúde menstrual precisam considerar meninas e mulheres, em suas diversas realidades e fases da vida”, afirma Sofia Reinach, líder da iniciativa de endometriose, dor pélvica e saúde menstrual do Alana.


Para Guilherme Lichand, professor de Educação da Universidade de Stanford e responsável pela supervisão técnica da pesquisa, “a ausência de dados sobre saúde menstrual nas escolas é normalizada como consequência inevitável da dificuldade de abordar temas sensíveis na infância e na adolescência. As centenas de entrevistas realizadas para a pesquisa mostram que essa crença não só é incorreta, como ainda autoriza formas invisíveis de exclusão que cristalizam desigualdades”.

Os dados também mostram que a menstruação ainda é pouco compreendida como uma questão coletiva dentro da escola. Entre os meninos, 36,8% afirmam não pensar muito sobre o tema — quase duas vezes maior que o registrado entre as meninas, de 19,7%.

A diferença também aparece na percepção sobre os impactos da menstruação na rotina: apenas um quarto deles (23,7%) acredita que ela pode atrapalhar a escola ou a prática esportiva, enquanto 41,2% das alunas reconhecem esse efeito.

“Isso reforça que a saúde menstrual continua sendo um assunto pouco abordado com os meninos, o que interfere diretamente em como eles enxergam a menstruação. Políticas educacionais e de saúde eficientes precisam incluir o letramento desses jovens como um objetivo primordial”, assinala Reinach.

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Dor é mais intensa entre quem menstrua mais cedo

A pesquisa também mostra que uma parcela significativa das meninas começou a menstruar até os 10 anos (36,5% da amostra), enquanto 65,2% das estudantes menstruaram pela primeira vez até os 11 anos. Os dados sugerem que esse início precoce pode estar associado a dores mais intensas.

Entre as meninas que menstruaram até os 10 anos, 43% relatam cólicas intensas. O percentual cai para 27% entre aquelas que menstruaram aos 11 ou 12 anos — praticamente o mesmo registrado entre as que tiveram a primeira menstruação aos 14 anos ou mais. Entre as estudantes que menstruaram aos 13 anos, 25% dizem sentir cólicas fortes.

Desigualdade racial

A experiência da dor não depende apenas da idade em que a menstruação chega. Ela também é influenciada por desigualdades raciais e por diferenças na forma como meninas são ouvidas, acolhidas e autorizadas a falar sobre o que sentem.

De acordo com a pesquisa, 37,5% das crianças e adolescentes brancas tendem a sentir cólicas fortes, e apenas 8,5% não sentem dor em intensidade alguma. Entre meninas negras, o percentual de dores fortes cai para 25,9%, enquanto 16% afirmam não sentir cólicas.

À primeira vista, segundo o Instituto Alana, o dado poderia sugerir menor intensidade de dor entre meninas negras. No entanto, quando observado junto aos dados de faltas, o cenário aponta para uma possível subnotificação.

“Essa diferença vai na contramão da literatura clínica internacional, que indica maior prevalência de cólicas fortes em mulheres negras. Uma possível explicação é que, historicamente, mulheres negras são ensinadas a dar menos nome à sua dor e a tolerá-la mais antes de falar”, observa Sofia Reinach, do Alana.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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