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O pedido feito por um presidente de partido a Nunes Marques em reunião no TSE

Presidente do Unidade Popular criticou cláusula de barreira e pediu apoio do ministro por uma disputa mais ‘democrática’

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Leonardo Péricles, presidente do Unidade Popular, pediu ao ministro Nunes Marques, do TSE, o fim da cláusula de barreira e mais igualdade na disputa eleitoral.
  • A cláusula de barreira limita o acesso de partidos pequenos a recursos públicos e tempo de propaganda, afetando sua visibilidade e competitividade nas eleições.
  • Izabela Jamar, especialista em direito eleitoral, explica que a cláusula foi criada para reduzir a fragmentação partidária, mas pode restringir o pluralismo político.
  • Há um acordo para que o UP articule propostas de mudança na cláusula de barreira, embora não devam ser incorporadas nas eleições atuais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Reunião entre Nunes Marques e presidente do UP ocorreu nesta semana Antonio Augusto/TSE - 17.06.2026

O presidente do UP (Unidade Popular), Leonardo Péricles, aproveitou a reunião de partidos com Nunes Marques, atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para fazer um pedido ao ministro: mais igualdade na disputa eleitoral e o fim da cláusula de barreira. A conversa foi marcada por Nunes Marques para a assinatura de um termo de compromisso pela integridade das eleições deste ano com os principais partidos que concorrem no pleito.

Ao R7 Planalto, Péricles destacou que hoje o modelo revela uma “grande contradição”, porque retira da população o direito de conhecer todos os partidos e candidatos, já que siglas menores não têm direito a verba ou tempo de televisão e rádio, por exemplo.

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Na conversa com o presidente do TSE, ficou combinado de o UP articular propostas que possam mudar a atual cláusula de barreira. Qualquer medida, no entanto, não deve ser incorporada ainda nestas eleições, mas podem ser estudadas para as próximas disputas.

O que é cláusula de barreira?

A advogada especialista em direito eleitoral Izabela Jamar explica que a cláusula de barreira, também conhecida como cláusula de desempenho, é um mecanismo que cria critérios mínimos de votação para que os partidos políticos tenham acesso a recursos públicos.

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“Em termos práticos, trata-se de uma regra que condiciona o acesso ao fundo partidário, ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão ao desempenho obtido pelos partidos nas eleições para a Câmara dos Deputados”, explica.

Antes da mudança mais recente, mesmo partidos com votação pouco expressiva conseguiam acessar recursos públicos e tempo de propaganda.

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“A cláusula de barreira é um dos maiores paradoxos da democracia pluripartidarista. Para sermos práticos, imagine o paradoxo de um partido político que recebe milhões de votos, elege deputados e, ainda assim, entra na disputa seguinte sem um segundo de rádio e televisão, sem um centavo do fundo partidário e virtualmente condenado à extinção. Não se trata de um exercício de imaginação, mas sim do cenário real que a chamada cláusula de barreira pode impor a pelo menos vinte legendas”, explica Newton Lins, especialista em direito eleitoral.

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Newton cita que “o funcionamento desse mecanismo ainda é pouco compreendido pelo público geral. Tecnicamente, a cláusula de barreira, que muitos analistas definem como uma cláusula de exclusão, é o dispositivo legal que condiciona certos direitos dos partidos ao alcance de um piso mínimo de votos ou de representantes eleitos”.

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“Quem fica abaixo da linha não desaparece das urnas imediatamente, mas perde os benefícios vitais para a sobrevivência institucional. Trata-se de um afunilamento que retira os recursos da legenda até inviabilizá-la”, analisa.

Izabela Jamar observa que há perdas no modelo. “A regra pode restringir o pluralismo político ao dificultar a atuação de partidos menores ou emergentes, limitando o surgimento de novas lideranças e correntes ideológicas. Além disso, ao retirar o acesso ao tempo de rádio e televisão das legendas que não atingem o desempenho mínimo, cria-se uma desigualdade na disputa eleitoral, já que esses partidos passam a ter menor visibilidade perante o eleitorado”, diz.

“Nesse contexto, a cláusula de barreira impacta diretamente o equilíbrio das eleições. Partidos que não alcançam os requisitos constitucionais ficam sem acesso ao horário eleitoral gratuito, o que reduz significativamente suas chances de competitividade. Assim, embora seja um instrumento legítimo para racionalizar o sistema político, a sua aplicação exige constante reflexão sobre o equilíbrio entre a busca por governabilidade e a preservação do pluralismo democrático”, observa.

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