Transformação social pelas mãos do cooperativismo: o impacto na vida de crianças e adolescentes
Coral de jovens atende 54 crianças em vulnerabilidade social; cooperativismo é força que transforma nordeste brasileiro
R7 Planalto|*Edis Henrique Peres, enviado especial a João Pessoa (PA)
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Jennifer Almeida, de 15 anos, tem o sonho de ser cantora. Ela descobriu a potência da voz e a paixão pela música no Coral do Instituto Unimed João Pessoa (PB), onde é atendida ao lado de outros 53 colegas. A adolescente ingressou no Instituto sem fins lucrativos aos 9 anos de idade, e conta, orgulhosa, da diferença em sua educação.
“Para mim, o Coral conseguiu me ajudar, ajudar minha família, e me deu mais acesso a cultura”, relatou ao R7 Planalto.
O Instituto Unimed João Pessoa começou a funcionar em 2005 e desde então é um braço auxiliar em programas sociais do Unimed com a inclusão de crianças e adolescentes por meio da educação musical. Ano passado, o grupo de alunos fez 30 apresentações.
No entanto, muito além da educação musical, as crianças recebem acompanhamento escolar, visitas domiciliares, formação profissionalizante, programa de primeiro emprego, entrega de cestas básica e atendimento médico, odontológico e realização de exames.
Para Matheus Bernardo, de 12 anos, “a experiência de estar no Coral é muito boa”. “Mudou minha vida”, confessa, e acrescenta que gosta muito de cantar.
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Um trabalho de vida
Quem conduz os estudantes do coral é a maestrina Socorro Estrela. Ela detalha que a cada ano são feitas novas seleções e que os alunos contam com aulas duas vezes por semana. “A mudança de estar no coral começa pela própria família, que recebe palestras da importância da criança estar na escola, do acompanhamento das boas notas, e recebe do Instituto assistência psicossocial”, detalha.
Socorro resume que a música é uma arte que envolve muitos campos: “Ela desperta o pensamento, a criatividade, o ritmo do próprio corpo. Trabalhamos vários elementos, como postura, respiração e comportamento no palco. Para mim, esse trabalho é uma realização”, diz.
As ações são possíveis graças ao braço do cooperativismo na cidade. A Unimed João Pessoa foi fundada em 1971 por um grupo de 106 médicos e hoje tem 1.906 médicos cooperados, com 2,5 mil colaboradores, e mais de 182,5 mil clientes. Nos últimos cinco anos, por exemplo, enquanto o mercado nacional de saúde suplementar cresceu 10,90%, segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), a Unimed João Pessoa avançou 20,22%.

A reportagem visitou a unidade de referência de fisioterapia da Unimed, que ocupa um prédio tombado com um jardim assinado por Burle Marx. No espaço, os pacientes têm acesso a fisioterapia, pilates, aulas em grupo e diversas ações de recuperação.
Fernando Florêncio, presidente do Instituto Unimed João Pessoa, acrescenta que o Instituto faz diversas ações e campanhas em datas importantes, como o Outubro Rosa, o Novembro Azul e recentemente, em abril, ações de conscientização sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista). “Tudo isso é possível devido ao foco do cooperativismo no desenvolvimento socioambiental”, destaca.
João Pessoa não é a única região do nordeste de destaque. Conforme mostrou a coluna, o couro se destaca na Roliúde Nordestina e garantiu a sobrevivência de uma tradição na cidade de Cabaceiras (PA). Ao todo, a região nordeste do país conta com 1,1 milhão cooperados, 836 cooperativas e mais de 39 mil empregos diretos.
Confira raio-x:
Alagoas:
- Cooperados - 94.617
- Cooperativas - 92
- Empregos gerados - 4.580
Bahia:
- Cooperados - 422.905
- Cooperativas - 167
- Empregos gerados - 3.346
Ceará
- Cooperados - 145.475
- Cooperativas - 129
- Empregos gerados - 11.477
Maranhão
- Cooperados - 45.440
- Cooperativas - 58
- Empregos gerados - 1.005
Paraíba
- Cooperados - 114.602
- Cooperativas - 78
- Empregos gerados - 4.302
Pernambuco
- Cooperados - 191.731
- Cooperativas - 123
- Empregos gerados - 9.818
Piauí
- Cooperados - 13.134
- Cooperativas - 77
- Empregos gerados - 1.332
Rio Grande do Norte
- Cooperados - 85.573
- Cooperativas - 82
- Empregos gerados - 1.653
Sergipe
- Cooperados - 27.193
- Cooperativas - 30
- Empregos gerados - 1.582
A força para crescer juntos

Além do destaque do cooperativismo de saúde, João Pessoa é o lar de outras cooperativas, como a Extremo. Alex Santana, de 52 anos e diretor-presidente da cooperativa, detalha que hoje são 22 cooperados e 30 veículos entre ônibus, vans e micro-ônibus. A demanda do grupo varia: no verão, visita ao litoral Sul e Norte de João Pessoa, e no inverno, visitas às festas de São João e outras festas típicas da região.
“O cooperativismo é um braço muito forte que permite você crescer. Sozinho, a gente não consegue, mas juntos tudo é possível. A Extremo nasceu justamente de um grupo de amigos que queria somar”, finaliza.
*O jornalista viajou a convite do Sistema OCB
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