OCDE, Brics e Mercosul: as apostas dos presidenciáveis para o Brasil no mundo
R7 Planalto analisou os planos de governo dos principais candidatos ao Planalto para as relações exteriores
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Os planos de governo dos principais candidatos à Presidência apresentam visões distintas sobre o papel do Brasil no cenário internacional. As propostas vão da saída do Brics e aproximação com a OCDE à defesa de um maior alinhamento com o Sul Global e de mudanças na estrutura do Mercosul. Há ainda quem proponha uma política externa voltada prioritariamente à abertura de mercados e à atração de investimentos.
Confira as principais medidas:
Lula (PT)
Em seu plano de governo, Lula fala em retomar o protagonismo brasileiro em âmbito internacional por meio do multilateralismo, da integração regional e liderança em pautas globais sociais e climáticas. Entre as medidas, estão:
- Aprofundar a aproximação com o Brics, o Sul Global, o G20 e a cooperação técnica Sul-Sul;
- Integração Sul-Americana, que envolve os países da América do Sul e do Caribe;
- Fortalecimento do Mercosul como plataforma de integração econômica, criando um mercado comum sul-americano de energia;
- Aprofundar relações com a África e estreitar laços com Ásia, Oriente Médio e Europa;
- Liderança em Crises Globais: Focar na implementação de iniciativas brasileiras de projeção global, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio defende como prioridade máxima a adesão à OCDE. Segundo seu plano, a entrada no bloco forçará a convergência das normas brasileiras aos padrões internacionais e reduzirá a corrupção. Ele quer ainda:
- Retomar diálogo com parceiros históricos, como Argentina, Estados Unidos e Israel;
- Defende que o Brasil deve negociar com qualquer parceiro que traga vantagens mútuas, sem descartar a China, por exemplo, ou outros países asiáticos;
- Integrar o setor produtivo nacional a mercados de alta tecnologia utilizando o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Augusto Cury (Avante)
O plano do terceiro colocado nas pesquisas prevê capitalismo humanizado e uma transformação das embaixadas em estruturas altamente voltadas a resultados comerciais. Outras propostas:
- Embaixadas Empreendedoras: pretende reestruturar as representações diplomáticas sob metas anuais auditadas de abertura de mercados, atração de investimentos e promoção do turismo. Propõe renomear o cargo de Ministro das Relações Exteriores para Secretário de Estado, conferindo maior projeção política e músculo de conexão comercial global;
- Deslocamento Geoeconômico: propõe realocar 20% do efetivo diplomático atualmente nos EUA para a Índia e mercados asiáticos emergentes, e 10% do pessoal na Europa para a China e Oriente Médio;
- Promoção Turística Internacional: Criação do programa “Influenciadores Embaixadores” (financiando viagens de criadores de conteúdo estrangeiros ao Brasil) e de “Black Weeks” de turismo brasileiro com descontos globais coordenados;
- Liderança Humanitária Global: propõe articular junto à ONU e G20 o “Fundo Fome Nunca Mais”, a ser financiado por uma taxa sobre o comércio internacional e transações da indústria armamentista para erradicar a fome mundial.
Ronaldo Caiado (PSD)
Caiado propõe uma inserção internacional com pragmatismo e priorizando a “biocompetitividade”, sem alinhamentos automáticos, nem antagonismos ideológicos. Seu plano prevê:
- Relações multilaterais simultâneas: dialogar e estreitar laços com EUA, União Europeia, América Latina, Ásia, África e Oriente Médio de forma equilibrada;
- Aproximação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico);
- Consolidar acordo comercial Mercosul-União Europeia;
- Defender um diálogo franco no Mercosul para reduzir barreiras internas e harmonizar procedimentos;
- Usar a diplomacia para garantir acesso a tecnologias críticas como IA e semicondutores e posicionar os recursos naturais estratégicos, como minerais críticos e energia limpa, para garantir desenvolvimento do país.
Romeu Zema (Novo)
Zema quer uma guinada liberal e um reposicionamento geopolítico do Brasil. Entre suas medidas está a saída do Brics, mantendo apenas as relações comerciais de forma pragmática. Confira outras medidas:
- Adesão à OCDE: retomar o processo de adesão do Brasil à OCDE, realizando as reformas institucionais e econômicas necessárias para ingressar no bloco;
- Flexibilização do Mercosul: transformar o Mercosul de uma união aduaneira para uma zona de livre comércio, eliminando a regra que impede os países-membros de negociarem tratados bilaterais de forma independente;
- Retorno do Brasil à Aliança Internacional para a Memória do Holocausto;
- Cooperação internacional com os EUA e vizinhos sul-americanos para combater e asfixiar financeiramente as redes operacionais de facções criminosas (como PCC e CV).
Samara Martins (UP)
O programa do Unidade Popular adota um viés anti-imperialista. Confira propostas:
- Ruptura com o imperialismo: propõe o rompimento de todos os tratados de submissão militar e econômica aos EUA, à OTAN ou à China, rejeitando acordos de livre comércio, como o do Mercosul-União Europeia;
- Rompimento com Israel de todas as relações diplomáticas, militares e comerciais com o Estado de Israel em solidariedade à causa palestina;
- Apoio a Países sob Sanções: Apoio aberto a governos sob cerco imperialista, como Venezuela, Cuba, Irã, Saara Ocidental e Iêmen. Propõe enviar petróleo brasileiro de forma solidária para romper o bloqueio econômico contra Cuba;
- Nacionalização do Comércio Exterior: propõe estatizar e transferir o controle de todo o comércio exterior para órgãos do Estado e proibir a remessa de lucros, dividendos e royalties para o exterior.
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