Conheça a tecnologia que está transformando o agronegócio brasileiro
Da inteligência artificial aos drones e sensores, a inovação ganha espaço no campo e ajuda produtores a aumentar a eficiência
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Brasil é o país do Agro! Este é um slogan que muitas empresas, organizações e a mídia utilizam! Somos um país muito forte na indústria, no comércio, na pesquisa e inovação tecnológica, mas o agronegócio se sobressai!
Antigamente, o agronegócio era mais forte em regiões específicas do Brasil. Hoje em dia, está espalhado por todo o país, em diferentes tipos de plantio e cultivos, dependendo do clima, região, relevo, etc.
Neste contexto, podemos destacar diferentes perfis de produtores rurais, incluindo grandes produtores, agricultores familiares e produtores que adotam sistemas de produção orgânica, entre outros.
Os grandes produtores rurais têm como característica principal a produção em grande escala, geralmente com maior capital, mecanização e uso de tecnologias e inovação.
A agricultura familiar é responsável pela gestão e por parte significativa do trabalho na própria propriedade. Os agricultores orgânicos produzem segundo as normas da agricultura orgânica, com restrições ao uso de determinados insumos e práticas.
Esses perfis de produtores usam tecnologias, com diferentes finalidades, a saber:
1. Grandes produtores rurais
Normalmente utilizam tecnologias voltadas para escala, produtividade, automação e gestão:
- Agricultura de precisão — GPS, sensores, mapas de produtividade e aplicação localizada de insumos.
- Sensoriamento remoto e imagens de satélite — acompanhamento de lavouras e identificação de problemas.
- Máquinas agrícolas automatizadas — tratores, colheitadeiras e pulverizadores com sistemas de automação.
- IoT e sensores — monitoramento de solo, clima, umidade e condições das plantas.
- Inteligência Artificial e Big Data — previsão de produtividade, detecção de pragas e apoio à tomada de decisão.
- Drones — mapeamento, monitoramento e aplicação localizada.
- Sistemas de gestão agrícola em nuvem — controle de produção, custos, estoque e logística.
- ERPs e plataformas de gestão do agronegócio.
2. Agricultores familiares
As tecnologias tendem a estar mais relacionadas a baixo custo, acessibilidade, comercialização e melhoria da produtividade:
- Aplicativos para agricultura — previsão do tempo, preços, manejo e orientação técnica.
- Estações meteorológicas e sensores de baixo custo.
- WhatsApp e redes sociais — comunicação, assistência técnica e comercialização.
- Plataformas digitais de venda — conexão direta com consumidores, restaurantes e mercados.
- Imagens de satélite gratuitas — acompanhamento da propriedade.
- Tecnologias de irrigação eficiente — gotejamento e automação.
- Máquinas e equipamentos de pequeno porte.
- Sistemas digitais de gestão financeira e produção.
- IA, principalmente em aplicativos de assistência, diagnóstico e recomendação.
3. Agricultores orgânicos
A tecnologia precisa estar alinhada aos princípios e às normas da produção orgânica. Portanto, não significa necessariamente “agricultura sem tecnologia”. Podem utilizar:
- Sensores de solo e umidade.
- Irrigação inteligente.
- Sensoriamento remoto para monitoramento das culturas.
- Drones para identificar áreas com problemas.
- Tecnologias de controle biológico de pragas.
- Bioinsumos e fertilizantes biológicos.
- Tecnologias de compostagem e aproveitamento de resíduos.
- Aplicativos de gestão e rastreabilidade.
- Blockchain e sistemas de rastreabilidade, especialmente para comprovação da origem dos produtos.
- IA para monitoramento e diagnóstico, desde que as recomendações estejam compatíveis com o sistema orgânico.

Nesta matéria, entrevistamos Alessandra Marieli Vacari [], para falar sobre tecnologias aplicadas ao contexto do agro. Ela é professora e pesquisadora da Universidade de Franca (UNIFRAN), engenheira agrônoma e doutora, com atuação nas áreas de Entomologia Agrícola, Manejo Integrado de Pragas, controle biológico, ecologia química e tecnologias sustentáveis aplicadas à agricultura. Desenvolve pesquisas voltadas à inovação no manejo de pragas, uso de agentes de controle biológico e bioinsumos, com destaque para sistemas de produção agrícola e cafeicultura. Atua também na formação de profissionais e pesquisadores nos cursos de graduação e pós-graduação.
Para Alessandra, “a agricultura brasileira enfrenta três pressões ao mesmo tempo: um clima cada vez mais instável, custos de produção elevados e a necessidade de produzir alimentos com menor impacto ambiental. Nesse cenário, a tecnologia deixou de ser apenas um diferencial e se tornou essencial para manter a competitividade. Sensores, drones, imagens de satélite, inteligência artificial, máquinas automatizadas e sistemas de agricultura de precisão permitem acompanhar a produção em detalhes que a inspeção visual, sozinha, não consegue alcançar. É uma mudança decisiva: saem as escolhas baseadas em suposições e ganham espaço decisões orientadas por dados”.
Um dos principais avanços está no uso mais eficiente dos recursos. Ao identificar com precisão áreas com deficiência nutricional, estresse hídrico ou focos de pragas e doenças, o produtor pode agir no local correto, no momento adequado e na dose necessária, em vez de tratar toda a propriedade da mesma maneira. Isso reduz desperdícios, ajuda a controlar custos e diminui a pressão sobre o meio ambiente.
A entrevistada reforça que “defender a inovação no campo, portanto, não significa defender o uso indiscriminado de insumos, mas aplicar conhecimento para produzir mais e melhor com os recursos disponíveis”.
A professora pesquisadora salienta que a “transformação também chegou ao monitoramento de pragas. Monitoramento digital, armadilhas inteligentes, modelos de previsão, controle biológico e bioinsumos ampliam as possibilidades do Manejo Integrado de Pragas e qualificam a tomada de decisão.
Essas ferramentas não anulam o conhecimento acumulado pelo produtor nem substituem todas as práticas já utilizadas. Ao contrário, tornam as escolhas mais precisas e permitem reduzir aplicações preventivas feitas apenas por calendário, sem evidências de que o problema realmente esteja presente”.
Ainda, para ela, a “tecnologia no agro” não se resume a equipamentos sofisticados. Uma recomendação baseada em dados confiáveis, um sistema de monitoramento bem conduzido ou o uso correto de uma solução de controle biológico podem gerar resultados tão importantes quanto os de uma máquina de última geração — muitas vezes com maior alcance para pequenos e médios produtores.
O Brasil, que já ocupa posição de destaque na produção agrícola mundial, pode avançar ainda mais ao unir ciência, inovação e sustentabilidade. Nesse processo, o engenheiro agrônomo assume um papel estratégico: “transformar informação em decisões capazes de elevar a produtividade, reduzir impactos ambientais e tornar a agricultura mais eficiente e resistente às mudanças”.

Também entrevistamos o engenheiro agrônomo Enes Pereira Barbosa, que é graduado em Agronomia pela Fundação Educacional de Machado, mestre em Ciência Animal pela Universidade de Franca (UNIFRAN) e atualmente é doutorando em Ciências pela mesma instituição. Atua como técnico da EMATER em Claraval (MG), desenvolvendo atividades de assistência técnica e extensão rural junto a produtores. É especialista em cultivos orgânicos, com experiência em práticas de produção sustentável e manejo de sistemas agrícolas de base orgânica.
Para Enes, “a agricultura orgânica consolidou-se como uma alternativa viável e altamente sustentável. Ao priorizar a saúde do solo, dos ecossistemas e dos seres humanos, esse sistema busca integrar diferentes práticas e recursos para tornar a produção mais equilibrada e resiliente. A adoção de soluções mais sustentáveis contribui para reduzir impactos ambientais e, ao mesmo tempo, abre espaço para novas formas de utilizar conhecimento e inovação no campo”.
Segundo o engenheiro agrônomo, nesse modelo, “o uso de insumos biológicos e da compostagem desempenha um papel crucial na nutrição e na proteção das plantas”. Essas práticas permitem aproveitar melhor os recursos disponíveis e contribuem para processos mais eficientes, reduzindo desperdícios e favorecendo o equilíbrio dos sistemas de produção.
Para ele, outra prática que vem ganhando espaço é a homeopatia. Utilizada em doses altamente diluídas e dinamizadas, a técnica, segundo o pesquisador, pode contribuir para o fortalecimento das respostas naturais das plantas diante de diferentes situações de estresse, como ataques de insetos e períodos de seca prolongada.
A proposta reforça uma tendência de buscar alternativas que combinem conhecimento, sustentabilidade e novas formas de lidar com os desafios do campo.
Finalmente, o pesquisador reforça que os “resultados desse sistema integrado são nitidamente observados na qualidade final dos alimentos e na preservação dos recursos naturais”.
Para Enes, a adoção de práticas mais sustentáveis mostra que inovação não está necessariamente ligada apenas a máquinas ou equipamentos sofisticados. Ela também pode estar na forma como o conhecimento é aplicado, nos processos utilizados e na busca por soluções mais eficientes e sustentáveis.
Por fim, podemos concluir que a tecnologia está transformando o campo e deixando de ser apenas uma ferramenta para se tornar parte estratégica da produção. Inteligência artificial, sensores, drones e dados já ajudam a tomar decisões mais precisas, reduzir desperdícios e tornar a agricultura mais eficiente e sustentável. O campo mudou! E a próxima grande colheita pode ser de inovação.
Prof. Dr. Juliano Schimiguel
Tem doutorado e mestrado em Ciência da Computação pelo Instituto de Computação da Unicamp. É coordenador do mestrado profissional em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Cruzeiro do Sul (São Paulo, SP). Pesquisador permanente nos PPG ECM e EC. É docente na Unianchieta (Jundiaí/SP) e editor-chefe da Revista Ubiquidade.
👉 Você pode me seguir no Instagram e no LinkedIn!
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp










