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Como a tecnologia está mudando a forma de explorar o universo

Ferramentas democratizam o acesso à astronomia sem substituir a experiência de contemplar o céu

Radar Tecnológico|Juliano SchimiguelOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A tecnologia está transformando a astronomia, permitindo a exploração do universo por meio de softwares e aplicativos que oferecem experiências interativas.
  • Observação direta do céu continua sendo insubstituível, proporcionando uma conexão única com a astronomia e despertando interesse pela ciência.
  • Softwares como Stellarium democratizam o acesso a fenômenos celestes, permitindo simulações realistas e detalhadas de eventos astronômicos.
  • Especialistas destacam a importância da observação a olho nu e das tecnologias digitais como complementares na compreensão do cosmos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Astronomia e Tecnologias
Astronomia e Tecnologias Imagem Criada com ChatGPT

Você prefere observar os planetas por meio de um software ou em um observatório astronômico? Você faz parte do grupo de pessoas que gosta de admirar o céu e observar estrelas, planetas e outros corpos celestes?

Em noites de céu limpo, sem nuvens, é possível contemplar muitas estrelas, até mesmo a olho nu. Dependendo do local onde a observação é feita — especialmente em regiões mais altas e com pouca iluminação artificial — a experiência pode ser ainda melhor, permitindo identificar um número maior de astros.


Entre os fenômenos que mais despertam a curiosidade estão as constelações. Elas representam conjuntos aparentes de estrelas e outros objetos celestes que, vistos da Terra, formam figuras em determinadas regiões do céu.

Segundo o Portal Toda Matéria, algumas das constelações mais conhecidas são Andrômeda, Cruzeiro do Sul, Ursa Maior, Ursa Menor, Cão Maior, Cão Menor, Pégaso, Fênix e Órion.


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Mas a observação do céu não depende apenas de telescópios ou observatórios. Com o avanço da tecnologia, softwares e aplicativos especializados permitem explorar o universo de forma interativa, identificando estrelas, planetas, constelações e outros objetos celestes em tempo real.

Na matéria de hoje, vamos comparar essas duas formas de explorar o cosmos: a observação direta do céu e a experiência proporcionada por plataformas digitais, destacando as vantagens e limitações de cada uma delas.


Entrevistado Orlando Rodrigues
Entrevistado Orlando Rodrigues Arquivo Pessoal do Entrevistado Orlando Rodrigues

O primeiro entrevistado foi Orlando Rodrigues Ferreira, que é Astrônomo, Doutor em Ensino de Ciências e Matemática, Pós-Doutorando e Mestre em Ensino de Ciências; além de pós-graduado em Astronomia; Licenciado em Filosofia; e Membro da International Astronomical Union (IAU).

É sócio efetivo da Sociedade Astronômica Brasileira; e professor conteudista das disciplinas Astrobiologia e Exoplanetas, e Fundamentos da Evolução dos Conceitos Astronômicos do Curso Metodologia do Ensino de Astronomia da pós-graduação lato sensu EaD da Cruzeiro do Sul Virtual.


Para Orlando, “a astronomia é considerada por muitos estudiosos a mais antiga das ciências. Muito antes da existência de telescópios, a humanidade já observava o céu em busca de respostas sobre os fenômenos da natureza. Foi contemplando o Sol, a Lua, as estrelas e os planetas que diferentes civilizações passaram a compreender a passagem do tempo, as estações do ano e a criar os primeiros calendários”.

Durante milhares de anos, toda a observação do céu foi feita apenas a olho nu. A partir dela, povos de diferentes culturas identificaram grupos de estrelas, criaram constelações e desenvolveram conhecimentos fundamentais para a agricultura, a navegação e a organização da vida em sociedade.

Para o entrevistado, essa relação entre o ser humano e o céu atravessa gerações. Desde as pinturas rupestres até os dias atuais, a observação dos astros desperta curiosidade e ajuda a compreender o lugar da humanidade no Universo.

Por isso, “olhar para o céu não é apenas uma atividade de contemplação, mas também uma forma de conhecer nossa própria história e a evolução do pensamento humano”.

Na avaliação do especialista, a “observação a olho nu continua sendo uma experiência insubstituível. É ela que aproxima as pessoas da Astronomia de maneira simples, desperta o interesse pela ciência e mantém viva uma tradição que acompanha a humanidade desde os seus primórdios”.

Foto do Entrevistado Marco Sanches
Foto do Entrevistado Marco Sanches Arquivo Pessoal do Entrevistado Marco Sanches

O segundo entrevistado foi Marco Antonio Sanches Anastácio, que é Doutor em Ensino de Ciências e Matemática, Graduado em Matemática e Sistemas de Informação e Especialista em Tecnologias Digitais e Inovação na Educação e em Ensino de Física. Docente desde 1996, atua no Ensino Superior, nos cursos de Tecnologia da Informação. Desenvolve pesquisas em Ensino de Astronomia, Inteligência Artificial aplicada ao ensino e Tecnologias Digitais e inovação, articulando ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Para o prof. Marco Antonio, a “rápida difusão das Tecnologias Digitais na sociedade moderna vem ampliando de forma significativa as possibilidades de obtenção de informação, observação e análise astronômica, democratizando o acesso a fenômenos celestes que, em condições normais, seriam de difícil acompanhamento. Dentre as áreas do conhecimento que mais se beneficiam desses recursos, a Astronomia se destaca por sua natureza investigativa e pela necessidade de simulações precisas para a compreensão de movimentos, posições e fenômenos cósmicos, ainda mais considerando que a poluição luminosa nos grandes centros prejudica enormemente as observações a olho nu. Nesse sentido, softwares como o Stellarium e os Laboratórios Virtuais Guiados do Nebraska Astronomy Applet Project (NAAP) oferecem ambientes interativos que permitem visualizar o céu em diferentes condições, testar hipóteses e realizar análises detalhadas de corpos celestes, movimentos planetários e eventos astronômicos”.

O Stellarium é um dos softwares astronômicos mais populares e versáteis da atualidade, combinando realismo, acessibilidade e funcionalidades avançadas para a observação e análise do céu noturno. Garcia, Prado e Nardi (2020) destacam que o programa oferece simulações realistas com controle temporal para acompanhar movimentos do Sol e da Lua, visualizar o desenho de constelações, e simular fenômenos como eclipses, chuvas de meteoros e outros eventos que, na prática, raramente podem ser observados em tempo real.

Segundo o Dr. em Ensino de Ciências e Matemática, na essência, o Stellarium trata-se de um planetário virtual de código aberto que projeta um céu tridimensional, simulando com precisão a aparência do firmamento a partir de qualquer localidade na Terra e em qualquer data ou horário. Por meio das funcionalidades de controle de tempo e localização, é possível avançar, retroceder e pausar o fluxo temporal, além de personalizar a geolocalização do observador (Chéreau et al., 2025; Paganotti; Voelzke; Vieira, 2019), o que permite ao usuário comparar a visão do céu em diferentes regiões do planeta e em distintas épocas.

Software Stellarium
Software Stellarium Arquivo Pessoal do Entrevistado Marco Sanches

A versatilidade do software possibilita uma extensa gama de aplicações para a observação astronômica. Um exemplo clássico é o estudo da trajetória solar ao longo do ano: utilizando apenas os recursos de avanço e retrocesso temporal, é possível registrar as posições do Sol no horizonte em diferentes datas e constatar, com base na simulação, a variação do ponto de nascer e pôr do sol ao longo das estações (Garcia; Prado; Nardi, 2020). Tais análises são fundamentais para a compreensão de fenômenos como a duração do dia, a inclinação do eixo terrestre e as diferenças climáticas entre hemisférios.

Referências

ALBRECHT, E.; GALASSO, B. Explorando possibilidades no Stellarium para o Ensino de Astronomia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. ARACÊ, v. 6, n. 1, p. 277–301, 30 set. 2024.

CHÉREAU, F.; WOLF, A.; ZOTTI, G.; HOFFMANN, S.; KABATSAYEV, R.; BOONPLOD, W., CHÉREAU, G.; BERNARDI, M. Stellarium v25.2 Astronomy Software. Zenodo, 2025. DOI: 10.5281/zenodo.15715458

GARCIA, A. L. C.; PRADO, A. F.; NARDI, R. O software Stellarium e o ensino de Ciências Astronômicas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Anais eletrônicos V Congresso Brasileiro Ensino e Processos Formativos, 2020.

PAGANOTTI, A.; VOELZKE, M. R.; VIEIRA, G. C. A utilização do software Stellarium como recurso didático para o ensino de eclipses e estações do ano no Ensino Médio. In: PEREIRA, A. I. A. (org.). Estudos interdisciplinares: Ciências Exatas e da Terra e Engenharias 2. Ponta Grossa: Atena Editora, 2019.

Prof. Dr. Juliano Schimiguel

Tem doutorado e mestrado em Ciência da Computação pelo Instituto de Computação da Unicamp. É coordenador do mestrado profissional em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Cruzeiro do Sul (São Paulo, SP). Pesquisador permanente nos PPG ECM e EC. É docente na Unianchieta (Jundiaí/SP) e editor-chefe da Revista Ubiquidade.

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