Como a tecnologia está mudando a forma de explorar o universo
Ferramentas democratizam o acesso à astronomia sem substituir a experiência de contemplar o céu
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Você prefere observar os planetas por meio de um software ou em um observatório astronômico? Você faz parte do grupo de pessoas que gosta de admirar o céu e observar estrelas, planetas e outros corpos celestes?
Em noites de céu limpo, sem nuvens, é possível contemplar muitas estrelas, até mesmo a olho nu. Dependendo do local onde a observação é feita — especialmente em regiões mais altas e com pouca iluminação artificial — a experiência pode ser ainda melhor, permitindo identificar um número maior de astros.
Entre os fenômenos que mais despertam a curiosidade estão as constelações. Elas representam conjuntos aparentes de estrelas e outros objetos celestes que, vistos da Terra, formam figuras em determinadas regiões do céu.
Segundo o Portal Toda Matéria, algumas das constelações mais conhecidas são Andrômeda, Cruzeiro do Sul, Ursa Maior, Ursa Menor, Cão Maior, Cão Menor, Pégaso, Fênix e Órion.
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Mas a observação do céu não depende apenas de telescópios ou observatórios. Com o avanço da tecnologia, softwares e aplicativos especializados permitem explorar o universo de forma interativa, identificando estrelas, planetas, constelações e outros objetos celestes em tempo real.
Na matéria de hoje, vamos comparar essas duas formas de explorar o cosmos: a observação direta do céu e a experiência proporcionada por plataformas digitais, destacando as vantagens e limitações de cada uma delas.

O primeiro entrevistado foi Orlando Rodrigues Ferreira, que é Astrônomo, Doutor em Ensino de Ciências e Matemática, Pós-Doutorando e Mestre em Ensino de Ciências; além de pós-graduado em Astronomia; Licenciado em Filosofia; e Membro da International Astronomical Union (IAU).
É sócio efetivo da Sociedade Astronômica Brasileira; e professor conteudista das disciplinas Astrobiologia e Exoplanetas, e Fundamentos da Evolução dos Conceitos Astronômicos do Curso Metodologia do Ensino de Astronomia da pós-graduação lato sensu EaD da Cruzeiro do Sul Virtual.
Para Orlando, “a astronomia é considerada por muitos estudiosos a mais antiga das ciências. Muito antes da existência de telescópios, a humanidade já observava o céu em busca de respostas sobre os fenômenos da natureza. Foi contemplando o Sol, a Lua, as estrelas e os planetas que diferentes civilizações passaram a compreender a passagem do tempo, as estações do ano e a criar os primeiros calendários”.
Durante milhares de anos, toda a observação do céu foi feita apenas a olho nu. A partir dela, povos de diferentes culturas identificaram grupos de estrelas, criaram constelações e desenvolveram conhecimentos fundamentais para a agricultura, a navegação e a organização da vida em sociedade.
Para o entrevistado, essa relação entre o ser humano e o céu atravessa gerações. Desde as pinturas rupestres até os dias atuais, a observação dos astros desperta curiosidade e ajuda a compreender o lugar da humanidade no Universo.
Por isso, “olhar para o céu não é apenas uma atividade de contemplação, mas também uma forma de conhecer nossa própria história e a evolução do pensamento humano”.
Na avaliação do especialista, a “observação a olho nu continua sendo uma experiência insubstituível. É ela que aproxima as pessoas da Astronomia de maneira simples, desperta o interesse pela ciência e mantém viva uma tradição que acompanha a humanidade desde os seus primórdios”.

O segundo entrevistado foi Marco Antonio Sanches Anastácio, que é Doutor em Ensino de Ciências e Matemática, Graduado em Matemática e Sistemas de Informação e Especialista em Tecnologias Digitais e Inovação na Educação e em Ensino de Física. Docente desde 1996, atua no Ensino Superior, nos cursos de Tecnologia da Informação. Desenvolve pesquisas em Ensino de Astronomia, Inteligência Artificial aplicada ao ensino e Tecnologias Digitais e inovação, articulando ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Para o prof. Marco Antonio, a “rápida difusão das Tecnologias Digitais na sociedade moderna vem ampliando de forma significativa as possibilidades de obtenção de informação, observação e análise astronômica, democratizando o acesso a fenômenos celestes que, em condições normais, seriam de difícil acompanhamento. Dentre as áreas do conhecimento que mais se beneficiam desses recursos, a Astronomia se destaca por sua natureza investigativa e pela necessidade de simulações precisas para a compreensão de movimentos, posições e fenômenos cósmicos, ainda mais considerando que a poluição luminosa nos grandes centros prejudica enormemente as observações a olho nu. Nesse sentido, softwares como o Stellarium e os Laboratórios Virtuais Guiados do Nebraska Astronomy Applet Project (NAAP) oferecem ambientes interativos que permitem visualizar o céu em diferentes condições, testar hipóteses e realizar análises detalhadas de corpos celestes, movimentos planetários e eventos astronômicos”.
O Stellarium é um dos softwares astronômicos mais populares e versáteis da atualidade, combinando realismo, acessibilidade e funcionalidades avançadas para a observação e análise do céu noturno. Garcia, Prado e Nardi (2020) destacam que o programa oferece simulações realistas com controle temporal para acompanhar movimentos do Sol e da Lua, visualizar o desenho de constelações, e simular fenômenos como eclipses, chuvas de meteoros e outros eventos que, na prática, raramente podem ser observados em tempo real.
Segundo o Dr. em Ensino de Ciências e Matemática, na essência, o Stellarium trata-se de um planetário virtual de código aberto que projeta um céu tridimensional, simulando com precisão a aparência do firmamento a partir de qualquer localidade na Terra e em qualquer data ou horário. Por meio das funcionalidades de controle de tempo e localização, é possível avançar, retroceder e pausar o fluxo temporal, além de personalizar a geolocalização do observador (Chéreau et al., 2025; Paganotti; Voelzke; Vieira, 2019), o que permite ao usuário comparar a visão do céu em diferentes regiões do planeta e em distintas épocas.

A versatilidade do software possibilita uma extensa gama de aplicações para a observação astronômica. Um exemplo clássico é o estudo da trajetória solar ao longo do ano: utilizando apenas os recursos de avanço e retrocesso temporal, é possível registrar as posições do Sol no horizonte em diferentes datas e constatar, com base na simulação, a variação do ponto de nascer e pôr do sol ao longo das estações (Garcia; Prado; Nardi, 2020). Tais análises são fundamentais para a compreensão de fenômenos como a duração do dia, a inclinação do eixo terrestre e as diferenças climáticas entre hemisférios.
Referências
ALBRECHT, E.; GALASSO, B. Explorando possibilidades no Stellarium para o Ensino de Astronomia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. ARACÊ, v. 6, n. 1, p. 277–301, 30 set. 2024.
CHÉREAU, F.; WOLF, A.; ZOTTI, G.; HOFFMANN, S.; KABATSAYEV, R.; BOONPLOD, W., CHÉREAU, G.; BERNARDI, M. Stellarium v25.2 Astronomy Software. Zenodo, 2025. DOI: 10.5281/zenodo.15715458
GARCIA, A. L. C.; PRADO, A. F.; NARDI, R. O software Stellarium e o ensino de Ciências Astronômicas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Anais eletrônicos V Congresso Brasileiro Ensino e Processos Formativos, 2020.
PAGANOTTI, A.; VOELZKE, M. R.; VIEIRA, G. C. A utilização do software Stellarium como recurso didático para o ensino de eclipses e estações do ano no Ensino Médio. In: PEREIRA, A. I. A. (org.). Estudos interdisciplinares: Ciências Exatas e da Terra e Engenharias 2. Ponta Grossa: Atena Editora, 2019.
Prof. Dr. Juliano Schimiguel
Tem doutorado e mestrado em Ciência da Computação pelo Instituto de Computação da Unicamp. É coordenador do mestrado profissional em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Cruzeiro do Sul (São Paulo, SP). Pesquisador permanente nos PPG ECM e EC. É docente na Unianchieta (Jundiaí/SP) e editor-chefe da Revista Ubiquidade.
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