Estúdio News aborda a dependência de fertilizantes importados no agronegócio brasileiro
Programa vai ao ar neste sábado (31), às 22h15, na tela da RECORD NEWS
Estúdio News|Do R7

A combinação de tensões geopolíticas, restrições comerciais e gargalos logísticos voltou a acender o sinal de alerta no agronegócio brasileiro. Apesar de ser uma das maiores potências agrícolas do mundo, o Brasil segue altamente dependente de fertilizantes importados, insumo essencial para a produção de alimentos. Este é o tema do Estúdio News deste sábado (31).
Em 2025, cerca de 93% dos fertilizantes utilizados no país vieram do exterior, cenário que preocupa produtores e especialistas diante da redução das exportações de importantes fornecedores, como Rússia e China.
Entre janeiro e julho de 2026, as compras brasileiras de fertilizantes russos caíram 28%, enquanto as importações chinesas recuaram 20%. O impacto já é sentido no campo. Com preços elevados e uma relação menos favorável entre custos e receitas, agricultores enfrentam o desafio de manter a rentabilidade da safra 2026/2027 sem comprometer a produtividade.
Para o coordenador FGV Agro, Guilherme Bastos, o principal problema hoje está relacionado ao cenário geopolítico internacional. Segundo ele, dificuldades no transporte global e restrições comerciais têm pressionado os custos, justamente em um momento decisivo para o plantio da nova safra.
A dependência brasileira chama atenção pela dimensão do consumo. De acordo com Elias Alvez Lima, presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional para Difusão de Adubos, o país consome cerca de 49 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, mas produz apenas cerca de 10% dessa demanda. Isso significa que nove em cada dez toneladas utilizadas na agricultura nacional são importadas.
“O Brasil, além de ser um dos maiores produtores, ele é um dos maiores consumidores de fertilizantes e essa dependência externa de fertilizantes é uma vulnerabilidade para o país”, destaca o presidente da ANDA.
Embora o Brasil possua reservas minerais relevantes de fósforo e potássio, a ampliação da produção interna enfrenta desafios estruturais. A abertura de novas minas e a implantação de projetos industriais exigem investimentos elevados, segurança jurídica e um longo período de maturação, que pode ultrapassar cinco anos. Por isso, os especialistas defendem a execução efetiva do Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022 para reduzir gradualmente a dependência externa.
“O Plano Nacional de Fertilizantes tem uma importância estratégica, e deve ser visto não como um plano de governo, mas como um plano de estado pensando exatamente em dar suporte a esse setor tão importante para a economia brasileira”, pontua Bastos.
Na avaliação dos entrevistados, a redução significativa da dependência externa não acontecerá no curto prazo. Os primeiros resultados concretos devem surgir apenas nos próximos quatro a cinco anos, desde que as ações planejadas sejam efetivamente colocadas em prática.
O Estúdio News vai ao ar aos sábados, às 22h15, na RECORD NEWS. A emissora pode ser sintonizada pelos canais 586 (Vivo TV), 14 (Oi TV), 578 (Claro), 419 (Sky) e 2038 (Samsung TV Plus), além do canal 42.1 em São Paulo e de diversas emissoras afiliadas da TV aberta em todo o Brasil.















