Lais Souza exalta Tatiana Sampaio e estudo da polilaminina: ‘Ela faz parte do sonho de milhões de pessoas’
Ex-atleta e cientista participaram do programa ‘Mulheres Positivas’ e falaram sobre a esperança da recuperação de movimentos para pessoas tetraplégicas
Mulheres Positivas|Do R7, com RECORD NEWS
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Entre a atleta que sofreu um acidente e ficou tetraplégica, e a cientista que assinou seu nome em um projeto de manipulação de proteínas para a cura de impactos permanentes na coluna, está a esperança e o esforço para que a ciência ajude muitas pessoas a recuperarem os movimentos perdidos.
Durante o programa Mulheres Positivas, exibido pela RECORD NEWS na última semana, Lais Souza e Tatiana Sampaio falaram sobre uma relação de admiração mútua.
“Ela [Tatiana] está fazendo parte do sonho de milhões de pessoas que pretendem um dia andar ou, pelo menos, ter aquele brilho lá no fundo para entender: ‘Será que em algum momento a gente pode acreditar que vai existir uma melhora?’”, comentou Lais, em entrevista à apresentadora Fabi Saad.
Líder do estudo da polilaminina, Tatiana responde que Lais Souza, a princípio, não seria uma pessoa indicada para esse tratamento, já que sua lesão foi sofrida há 12 anos.
“Poderia [ser beneficiada] na época em que aconteceu o acidente, porque o que a gente tem mais avançado até agora é o protocolo para injeção logo depois da lesão; aí a gente tem observado ganhos, melhora nesses pacientes”, explicou.
A pesquisadora, porém, diz que, no futuro, a polilaminina pode contribuir para a recuperação de movimentos também em casos de tetraplegia mais antiga.
“Existe a possibilidade de que, sim, no futuro, a gente possa ter esse tratamento para ela [Lais], ela possa vir a se beneficiar, mas isso ainda demora um pouco mais. É um processo mais complicado de você reestruturar uma coisa que já está perdida, ao invés de, vamos dizer, ‘salvar’ essas conexões logo depois que elas são perdidas”, complementou.
A trajetória da cura
Tatiana Sampaio, de 59 anos, revelou também na entrevista os bastidores da sua descoberta. Ela sempre quis ser cientista.
“Eu não trabalhava com isso especificamente, mas já trabalhava estudando proteínas e, no final, a polilaminina é uma proteína. Então eu já sempre tive esse drive desde criança mesmo e comecei na pesquisa na biologia, no trabalho em laboratório, logo bem no início da carreira”, ressaltou.
Tatiana explicou que os estudos e pesquisas sobre a polilaminina apontaram para o uso de uma proteína natural produzida pelo organismo humano, e que tem capacidade autônoma de refazer conexões internas no corpo, quando rompidas. De acordo com ela, apesar de conhecida, a substância, ao ser retirada dos hospedeiros, perdia parte da sua estrutura genética, quebrando assim o processo necessário para a cura.
“O que a gente descobriu no laboratório foi o jeito de devolver essa estrutura que é perdida na hora da extração. Então, na verdade, é uma técnica de manipulação que faz com que ela volte à sua estrutura original”, disse.
Tatiana mostrou que seu trabalho é difícil e complexo justamente devido a percalços inerentes ao caminho para uma grande descoberta na área científica e da saúde, mas, apenas pelo conhecimento da existência de uma possibilidade e da consistência de uma esperança qualificada, tudo já se torna um sonho.
“A ciência é realmente um aspecto de surpresa [...] e eu acho que todo mundo tem que estar preparado para isso, ainda mais nós, mulheres, que, se quisermos espaço de verdade, vamos ter que enfrentar um pouco dessa estrutura de um mundo que não foi criado nem para nós e nem por nós”, enfatizou.
A resiliência de Lais Souza
“Eu sempre falo que Deus me deixou a minha consciência. Por mais que hoje eu seja uma pessoa numa cadeira de rodas que não tem movimento do corpo, eu ponho meu corpo em movimento. Eu tenho que ter bastante paciência e tento colocar meu corpo à prova, com adrenalina de novo”, argumentou Lais Souza.
A ex-atleta de ginástica artística, que sofreu um acidente durante seu treino de esqui para as Olimpíadas de Inverno de 2014, falou sobre como leva seu corpo, vai até o limite e o obriga a experimentar coisas novas, como surfe, saltos e mergulhos em cavernas e outras atividades.
“A gente tem que viver a vida, continuar criando, continuar ajudando uns aos outros, e o importante é que a gente continue vivendo, sabe? Não adianta só ficar ali olhando para o celular, que nada vai acontecer, mas se a gente criar, se ajudar, pensar no próximo, pensar em si primeiro, levantar da cama, dar valor à vida; aí a gente vai para frente”, aconselhou.
Assista à entrevista completa:














