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Canetas emagrecedoras oferecem nova abordagem para obesidade

Medicamentos precisam de orientação médica; tratamento não é apenas estético

Rio Grande Record|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Canetas emagrecedoras são medicamentos importantes no tratamento da obesidade.
  • Requerem prescrição e acompanhamento médico, não sendo indicadas apenas para fins estéticos.
  • O uso é recomendado para pacientes com IMC acima de 27 e deve ser combinado com mudanças no estilo de vida.
  • Especialistas alertam que a eficácia das canetas depende de hábitos saudáveis e acompanhamento continuado.

 

As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço nos consultórios e, também, nas conversas do dia a dia.

Mas, apesar da popularização desses medicamentos, ainda existem muitas dúvidas sobre quem realmente pode usá-los, quais são os efeitos colaterais e por quanto tempo o tratamento deve ser mantido.


Mais do que uma alternativa para perder peso, esses medicamentos passaram a fazer parte do tratamento médico da obesidade, uma doença crônica que pode estar associada a diversas outras condições de saúde.

Por isso, a indicação não deve ser feita apenas com base no desejo de emagrecer ou em padrões estéticos.


Segundo a endocrinologista Dra. Melissa Barcellos Azevedo, a avaliação deve considerar o quadro individual de cada paciente, incluindo índice de massa corporal (IMC), presença de doenças associadas, histórico clínico e outros fatores que interferem no controle do peso.

Como as canetas funcionam?


Medicamentos dessa classe atuam sobre mecanismos relacionados à fome e à saciedade.

Eles imitam ou potencializam a ação de hormônios produzidos pelo organismo, ajudando a reduzir o apetite, aumentar a sensação de saciedade e controlar a ingestão de alimentos.


Na prática, o paciente pode sentir menos fome e perceber que fica satisfeito com uma quantidade menor de comida.

Mas isso não significa que o medicamento substitua uma alimentação adequada ou a prática de atividade física.

A medicação é uma ferramenta dentro de um tratamento mais amplo, que pode envolver nutricionista, educador físico, psicólogo e outros profissionais, de acordo com as necessidades de cada paciente.

Quem pode usar?

A indicação depende de avaliação médica.

As canetas não são destinadas a qualquer pessoa que queira perder alguns quilos e não devem ser encaradas como um recurso exclusivamente estético.

O médico avalia o grau de obesidade ou sobrepeso e a existência de condições relacionadas ao excesso de peso, além de analisar possíveis contraindicações, medicamentos em uso e o histórico de saúde.

Por isso, copiar a prescrição de outra pessoa ou utilizar uma dose encontrada nas redes sociais pode representar risco.

É bom saber que os efeitos colaterais mais relatados são gastrointestinais.

Náuseas, vômitos, diarreia, constipação, sensação de estômago cheio e outros desconfortos podem aparecer, principalmente no início do tratamento ou após mudanças de dose.

A automedicação também pode levar ao uso inadequado da dose e aumentar o risco de complicações.

A compra de medicamentos sem prescrição, além de oferecer riscos à saúde, dificulta o acompanhamento adequado da evolução do paciente.

A interrupção do medicamento pode ser seguida pelo retorno da fome e, consequentemente, pelo reganho de peso em parte dos pacientes.

Isso acontece porque os mecanismos biológicos envolvidos no controle do apetite continuam presentes mesmo depois da perda de peso.

Por isso, suspender a medicação por conta própria não é recomendado.

Outro ponto importante do tratamento é preservar a massa muscular durante o processo de emagrecimento.

Por isso, alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas, atividade física, especialmente exercícios de força, e acompanhamento profissional são importantes durante o tratamento.

O caso de Sheila

A experiência de Sheila Tozzi ajuda a mostrar como o tratamento pode representar uma mudança que vai muito além do número registrado na balança.

Há dois anos em acompanhamento para controle da obesidade, ela perdeu 27 quilos.

Desse total, 18 quilos foram eliminados durante o uso da medicação.

Sheila saiu da faixa de obesidade grau III e passou para a faixa de sobrepeso.

O caso, no entanto, não deve ser entendido como uma promessa de resultado para outros pacientes.

A resposta ao tratamento varia de acordo com características individuais, medicamento utilizado, dose, tempo de tratamento e adesão às demais medidas recomendadas pela equipe de saúde.

Não existe fórmula mágica

A popularização das canetas também trouxe uma série de promessas nas redes sociais.

Resultados rápidos, doses indicadas por influenciadores e a ideia de que basta aplicar o medicamento para emagrecer fazem parte de um cenário que preocupa especialistas.

O tratamento da obesidade é individualizado.

A medicação pode ser uma ferramenta importante, mas não substitui alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, acompanhamento médico e mudanças sustentáveis de hábitos.

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