Desassoreamento de rios ajuda a evitar enchentes no RS? Entenda
Depois da enchente de 2024, o desassoreamento dos rios virou uma das apostas para evitar novos alagamentos no Rio Grande do Sul. Mas será que tirar sedimentos do leito dos rios realmente ajuda a reduzir o risco de enchentes?
Rio Grande Record|Do R7
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Máquinas dentro do rio, sedimentos sendo retirados do leito: é assim que Taquara e Parobé tentam se preparar para as incertezas climáticas. É um trabalho conjunto, com recursos próprios, no Rio Paranhana, em trechos próximos a áreas onde moradores convivem de perto com o risco das cheias. A expectativa é que, com a retirada do material acumulado, a água encontre menos obstáculos para escoar.
O secretário de Planejamento de Taquara, Luciano Campana, explica que o trabalho consiste na remoção de ilhas formadas pelo acúmulo de sedimentos trazidos pela água que o rio recebe de outros municípios. "O que se está fazendo são remoção de ilhas, que se acumularam por conta exatamente dessa água que o rio vem trazendo de outros municípios também. Esse é o ponto que tem sido atacado, essa retirada dessas ilhas para que o rio possa correr no seu leito normal", afirma.
Segundo o secretário, o trabalho é feito em Taquara desde 2021. No bairro Barro Empresa, no município, corre o Arroio Sanga, onde diversos materiais já foram retirados (entre eles, um colchão que estava obstruindo a canalização e chocou as equipes envolvidas).
Mais de 4,6 milhões de metros cúbicos de sedimentos retirados
Mais de 4 milhões e 600 mil metros cúbicos de sedimentos já foram retirados em 213 municípios gaúchos pelo programa Desassorear RS, do governo estadual. Atualmente, o trabalho é feito em 18 cidades.
Efeitos da dragagem variam conforme o rio
O pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS (IPH/UFRGS) Fernando Fan explica que, quando um rio está mais raso, a retirada do material acumulado no fundo pode, em alguns casos, aumentar o espaço disponível para a passagem da água, mas os efeitos da dragagem variam. "A gente pode pegar como exemplo a cidade de Porto Alegre, que tem um rio urbano: a gente consegue tirar um volume de material que é relativamente expressivo em comparação com as vazões. Quando eu falo de um rio muito grande, essa relação passa a ser muito distante, a quantidade de material que eu tenho que retirar não é representativa perto das vazões, e o efeito que ele dá não é tão representativo assim", explica.
O desassoreamento não é uma garantia contra inundações. É preciso analisar as características de cada local. Segundo Fan, "a gente não está vendo nenhuma evidência de uma deposição generalizada de materiais de rios no RS que esteja aumentando as cheias. A situação não mudou, teve até erosão em muitos locais. Então, de repente, a gente tira material para abrir mais espaço, para abrir volume". Ele reforça ainda que "os volumes de água são muito grandes em relação com o material que a gente pode tirar de dentro dos rios".
Dragagem no Guaíba está ligada à navegação
A discussão sobre desassoreamento ganhou força depois da enchente de 2024. No Guaíba, por exemplo, as intervenções estão diretamente ligadas à navegação. O que define a necessidade de dragagem é o monitoramento técnico das profundidades dos canais e as condições de segurança para as embarcações.
A Portos RS acompanha, periodicamente, o fundo dos canais e pode aumentar a frequência dos levantamentos depois de chuvas intensas ou de eventos hidrológicos extremos. Os serviços de dragagem abrangem, atualmente, vários canais da região do Guaíba.















