Fiscalização contra contrabando de canetas emagrecedoras cresce no RS
Apreensões aumentam enquanto casos graves do uso sem prescrição são relatados
Rio Grande Record|Do R7
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Contrabando de canetas emagrecedoras cresce no RS e nove pessoas são presas nas rodovias gaúchas
A fiscalização do contrabando de canetas emagrecedoras é cada vez mais intensa aqui no Estado
Pelo menos nove pessoas foram presas nos últimos dias transportando os medicamentos de forma clandestina pelas rodovias do Rio Grande do Sul, em abordagens registradas em Lajeado, São Francisco de Paula e Porto Alegre.
Os envolvidos podem responder por crimes contra a saúde pública e contrabando, segundo a Polícia Rodoviária Federal.
A utilização desses medicamentos sem prescrição ou acompanhamento médico pode provocar sequelas graves, como mostra o caso da empresária Kellen Nunes, que comprou a caneta emagrecedora de um conhecido e usou o produto sem prescrição por um mês.
As consequências foram sérias: paralisação pulmonar, parada cardíaca e falência dos rins, que a levaram à hemodiálise.
Kellen recebeu alta depois de seis meses internada, mas ainda convive com sequelas: as mãos não abrem completamente e ela precisa de andador e cadeira de rodas para se locomover.
O caso é investigado pela Polícia Civil.
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que, somente nos primeiros cinco meses deste ano, foram apreendidas mais de 58 mil ampolas e canetas emagrecedoras irregulares, que seriam vendidas ilegalmente no país.
O cenário é condizente com o que mostra um levantamento da Polícia Federal, via Lei de Acesso à Informação: as apreensões de canetas emagrecedoras ilegais passaram de nove registros em 2024 para 335 em 2025 e chegaram a 758 apenas nos cinco primeiros meses de 2026, um salto puxado por uma rota de contrabando entre Paraguai e Brasil.
O perigo dos efeitos adversos
O aumento das apreensões acompanha uma alta nas notificações de efeitos adversos recebidas pela Anvisa, que passaram de 257 em 2023 para 449 em 2024 e chegaram a 1.122 em 2025, o que indica maior circulação e uso desses produtos em todo o país.
Segundo a Anvisa, muitos dos produtos contrabandeados entram no Brasil sem qualquer controle sanitário e são transportados em condições inadequadas de conservação, inclusive escondidos dentro de pneus de veículos, sem refrigeração.
Além disso, esse mercado irregular pode incluir canetas com concentrações incorretas do princípio ativo ou impurezas capazes de causar danos graves à saúde, como aconteceu com Kellen.
Em meio a esse cenário, a Anvisa aprovou o registro de duas novas canetas injetáveis para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, ambas com semaglutida como princípio ativo.
Uma delas é o primeiro genérico do medicamento produzido no país.
O Brasil já conta com mais de vinte medicamentos registrados no formato de caneta injetável, todos disponíveis exclusivamente em farmácias e mediante receita médica.
Para a endocrinologista Fabiana Alves Nunes Maksud, o uso desses medicamentos exige acompanhamento periódico para administrar doses e minimizar efeitos colaterais, um cuidado que se perde quando o produto é adquirido fora do circuito regulado, sem orientação médica.














