Defesa tem conseguido confundir os jurados, diz criminalista sobre julgamento de Gil Rugai
Para Percival de Souza, MP deveria apresentar “verdadeiro arsenal” que há no processo
São Paulo|Do R7
Quase nove anos após o crime, o julgamento de Gil Rugai, acusado de matar o pai e a madrasta em 2004, começa a entrar na fase final nesta sexta-feira (22). Após os debates, a promotoria abriu mão da réplica e, após pausa, os jurados vão traçar o destino do réu. De acordo com o criminalista Percival de Souza, a defesa do caso conseguiu deixar certas hesitações nos jurados.
— O que eu vejo é que, em alguns pontos, a defesa tem conseguido confundir os jurados. E parece que é uma intenção deliberada dos defensores, ou seja, lançar dúvidas para transformar, no momento final, essas dúvidas em vantagem para o Gil Rugai. É a impressão que tenho.
Durante o julgamento, a defesa do acusado, representada pelos advogados Marcelo Feller e Thiago Anastácio, tentou provar ao júri que seu cliente é inocente apresentando erros na perícia e nas falas de testemunhas. Uma das dos erros citados por Feller foi o sumiço de um pedaço da porta, que supostamente teria sido chutada pelo réu. Percival explica que, apesar de a perícia já ter sido feita, é inconcebível que uma prova desapareça.
— Como você explica isso para os jurados?
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Sobre o trabalho da promotoria, Percival avaliou que a acusação não está conseguindo ultilizar corretamente as informações que estão no processo do caso.
— Eu acho que a promotoria não está sabendo utilizar corretamente um verdadeiro arsenal de investigação, um arsenal técnico, de perícia cientifica, que está a sua disposição dentro desse processo. Eu até tenho minhas dúvidas se esses 28 volumes estão vistos devidamente.
Percival afirma ainda que, pesando o que acompanhou do julgamento, ele tem algumas dúvidas se os jurados estão suficientemente bem informados sobre o processo. Segundo ele, as questões que os jurados deveriam analisar durante o julgamento são: "quem tinha interesse em cometer o crime?", "a quem interessava o assassinato das vítimas?" e "quem lucraria com as mortes?".
— Se há brechas, lacunas [nas respostas], evidentemente sairá vitorioso aquele que tiver a melhor performance [durante o julgamento]. É como se fosse uma peça de teatro, e o que tiver melhor desempenho vai vencer.
Relembre o caso
O publicitário Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e sua mulher, Alessandra de Fátima Troitino, 33 anos, foram assassinados a tiros dentro da casa onde moravam em Perdizes, zona oeste de São Paulo no dia 28 de março de 2004.
Alessandra foi baleada cinco vezes na porta da cozinha, segundo laudo da perícia. Luiz Carlos teria tentado se proteger na sala de TV. A pessoa que entrou no imóvel naquela noite arrombou a porta do cômodo com os pés e disparou quatro vezes contra o publicitário.
O comportamento aparentemente frio de Gil Rugai, na época com 20 anos, ao ver o pai e a madrasta mortos chamou a atenção da polícia, que passou a suspeitar dele.
Os peritos concluíram que a marca encontrada na porta arrombada era compatível com o sapato de Rugai, que, ao ser submetido pela Justiça a radiografias e ressonância magnética, teria apresentado lesão no pé direito.
Na mesma semana do duplo homicídio, os policiais encontraram no quarto do rapaz um certificado de curso de tiro e um cartucho 380 deflagrado, o mesmo calibre da arma usada no assassinato do casal.
As investigações apontaram ainda que ele teria dado um desfalque de R$ 228 mil na empresa do pai, a Referência Filmes, falsificando a assinatura do publicitário em cheques da firma. Poucos dias antes do assassinato, ele foi expulso de casa.
Um ano e três meses após o duplo homicídio, uma pistola foi encontrada no poço de armazenamento de água de chuva do prédio onde o rapaz tinha escritório, na zona sul. Segundo a perícia, seria a mesma arma de onde partiram os tiros que atingiram as vítimas.
Rugai responde pelo crime em liberdade e está sendo julgado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe e por estelionato, em razão do desfalque dado na produtora do pai.













