Promotor tenta desconstruir álibi e usa linha do tempo para convencer jurados que Gil Rugai é culpado
No fim, Zagallo afirmou que não "tem outra pessoa" que possa ter cometido crime
São Paulo|Alexandre Saconi e Vanessa Sulina, do R7

Depois de apresentar Gil Rugai como psicopata aos jurados, o promotor de Justiça Rogério Zagallo construiu uma cronologia do crime para mostrar o réu na cena do crime, além de desqualificar o álibi do acusado. Quase nove anos após o crime, o julgamento do ex-seminarista, acusado de matar o pai, Luis Carlos Rugai e a madrasta, Alessandra de Fátima Troitino, entrou na fase de debate e deve terminar nesta sexta-feira (22), quinto dia de júri.
Por meio de depoimentos de diversos vizinhos que estavam no computador, e por isso poderiam precisar melhor o horário dos disparos, Zagallo mostrou que o crime aconteceu por volta das 21h30, horário em que a defesa afirmou que o ex-seminarista estava no shopping Frei Caneca.
Depois, ele citou uma interceptação telefônica da mãe de Gil, Maristela Grecco, em que ela conta a uma pessoa o que o filho fez na noite do crime. Nesta ligação, ela não teria dito que ele passou pelo estabelecimento comercial.
“Espero que ele saia condenado e preso do plenário”, diz advogado
Relembre o caso Gil Rugai em fotos
Zagallo insistiu também na validade do depoimento do vigia Domingos Ramos de Oliveira, que disse ter visto Gil Rugai sair da cena do crime. E ainda afirmou que, apesar da defesa ter questionado o delegado responsável pela investigação, Rodolfo Chiareli, não conseguiu “fazê-lo de gato e sapato”.
— Domingos, de poucas letras, foi feito de gato e sapato pela defesa, foi praticamente estuprado. Domingos foi submetido a uma atrocidade, uma crueldade.
O promotor voltou a criticar a postura da defesa ao falar sobre o depoimento de Alberto Balzaia Neto, instrutor de voo do pai de Gil. Segundo Zagallo, citar um suposto envolvimento com o tráfico de drogas por parte da família de Balzaia foi uma “irresponsabilidade” e causou inúmeros danos à imagem desta.
Em outro momento, Zagallo falou sobre o que Rudi Otto, sócio de Rugai, citou como “caixa de emergência”. O sócio relatou que o ex-seminarista mostrou a ele uma caixa com LSD, dinheiro e uma arma. A defesa afirmou que a arma era de brinquedo, mas a promotoria apontou que, após manusear o equipamento, Otto teria ficado constrangido.
— Quem fica constrangido com uma arma de brinquedo?
Ao final, Zagallo abaixou seu tom de voz e pediu aos jurados para condenar o réu.
— Jurados, cinco dias. Estou cansado, foi o Gil Rugai. Não tem outra pessoa.
Relembre o caso
O publicitário Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e sua mulher, Alessandra de Fátima Troitino, 33 anos, foram assassinados a tiros dentro da casa onde moravam em Perdizes, zona oeste de São Paulo no dia 28 de março de 2004.
Alessandra foi baleada cinco vezes na porta da cozinha, segundo laudo da perícia. Luiz Carlos teria tentado se proteger na sala de TV. A pessoa que entrou no imóvel naquela noite arrombou a porta do cômodo com os pés e disparou quatro vezes contra o publicitário.
O comportamento aparentemente frio de Gil Rugai, na época com 20 anos, ao ver o pai e a madrasta mortos chamou a atenção da polícia, que passou a suspeitar dele.
Os peritos concluíram que a marca encontrada na porta arrombada era compatível com o sapato de Rugai, que, ao ser submetido pela Justiça a radiografias e ressonância magnética, teria apresentado lesão no pé direito.
Na mesma semana do duplo homicídio, os policiais encontraram no quarto do rapaz um certificado de curso de tiro e um cartucho 380 deflagrado, o mesmo calibre da arma usada no assassinato do casal.
As investigações apontaram ainda que ele teria dado um desfalque de R$ 228 mil na empresa do pai, a Referência Filmes, falsificando a assinatura do publicitário em cheques da firma. Poucos dias antes do assassinato, ele foi expulso de casa.
Um ano e três meses após o duplo homicídio, uma pistola foi encontrada no poço de armazenamento de água de chuva do prédio onde o rapaz tinha escritório, na zona sul. Segundo a perícia, seria a mesma arma de onde partiram os tiros que atingiram as vítimas.
Rugai responde pelo crime em liberdade e está sendo julgado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe e por estelionato, em razão do desfalque dado na produtora do pai.
Assista ao vídeo:
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