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Brasil vive "legião de cesáreas", afirma revista inglesa

Publicação lembra que País se tornou o primeiro onde a maioria dos bebês nasce pelo método

Saúde|Do R7

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Dois terços das mulheres brasileiras querem dar a luz naturalmente, mas apenas um terço acaba realizando o desejo ao final da gravidez
Dois terços das mulheres brasileiras querem dar a luz naturalmente, mas apenas um terço acaba realizando o desejo ao final da gravidez

A revista inglesa The Economist publicou em sua edição desta semana uma matéria em que analisa o cenário das operações de cesárea no Brasil. Segundo a publicação, o país vive uma crescente alta no número de operações do tipo, com quase nove entre dez mulheres dando a luz por meio desse método no sistema privado de saúde.

Em 2009, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo onde menos da metade das crianças nascem de maneira natural. Em 2013, o índice aumentou ainda mais, com 57% dos nascimentos sendo feitos por meio de cesárea. Como base de comparação, a média mundial de operações do tipo registrada entre 2010 e 2011, segundo o jornal médico Lancenet, foi de 31%.


Segundo o texto, os motivos para o aumento expressivo podem ser atribuídos ao aumento do poder aquisitivo dos brasileiros, que podem se dar ao luxo de pagar pela cirurgia; à tendência crescente de as mulheres darem a luz mais tarde em suas vidas do que no passado, o que torna o procedimento do nascimento mais complicado; além do "medo de ficar presa no trânsito caótico de São Paulo durante o trabalho de parto".

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Mesmo com todos esses desencorajadores, um estudo publicado em 2014 mostra que dois terços das mulheres brasileiras querem dar a luz naturalmente, mas apenas um terço acaba passando pelo procedimento ao final da gravidez. De acordo com a reportagem, esse dado pode indicar que elas são induzidas a aceitar a cesárea ao longo da gravidez por obstetras, que costumam ser pagos por operação realizada, além das unidades neonatais que "lucram consideravelmente com as cesáreas".


Cesárea pode causar complicações como hemorragia e infecções
Cesárea pode causar complicações como hemorragia e infecções

O texto também lembra o caso de um hospital de São Paulo (não identificado pela reportagem) que teria anunciado no ano passado que sua maternidade só funcionaria entre as 10 da manhã e as 4 da tarde, em um sinal claro de que só realizaria operações de cesárea. 

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Por se tratar de uma cirurgia complexa, a cesárea pode causar complicações como hemorragia e infecções para as mulheres, que também correm riscos maiores de se sentirem deprimidas após o nascimento. Os recém-nascidos também podem sofrer mais por não entrarem em contato com as bactérias presentes no canal de nascimento.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou recentemente que a política do país em relação aos nascimentos "se tornou absurda". Obstetra de um dos mais conceituados centros médicos do país, o Hospital e Maternidade Albert Einstein, Rita Sanchez ressaltou à reportagem da revista The Economist que o país precisa conscientizar a população sobre essas questões.

— Uma telenovela seria ótima.

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