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No Dia Mundial do Câncer de Ovário, entenda a importância do diagnóstico precoce

Em tratamento há nove anos, paciente relata experiência com a doença silenciosa

Saúde|Do R7

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Paola Penina, 40 anos, convive com a doença desde 2017 Arquivo pessoal

Em 2017, quando recebeu o diagnóstico de câncer de ovário metastático, aos 40 anos, Paola Penina, a profissional de relações públicas de São José dos Campos, estava trabalhando freneticamente e não percebeu os sinais que o corpo dava.

“Inchaço abdominal, mudança nos hábitos gastrointestinais, dor pélvica e sintomas urinários. Quando decidi ir ao médico e fazer os exames, a cirurgia já era urgente e o choque foi brutal: câncer de ovário metastático avançado. A medicina havia me dado poucos meses de vida”, relata.


Desde então, Paola passou por muitas quimioterapias, outras cirurgias, internações, tratamentos, terapias, semanas na UTI e muitos aprendizados e transformações. Entre elas, encabeçar uma campanha pessoal para ajudar a levar informação e promover mudanças significativas na saúde da mulher.

Dia de luta e conscientização

O Dia Mundial do Câncer de Ovário (8 de maio) foi instituído em 2013 para conscientizar e promover ações de educação sobre a doença, que é o segundo tumor ginecológico mais comum.


“Os sintomas iniciais são vagos e inespecíficos, podem ser facilmente confundidos com problemas gastrointestinais. Por isso, a maioria das mulheres costuma ter o diagnóstico tardio, quando a doença já está em estágio avançado, como no meu caso, e as opções de tratamento passam a ser limitadas, diminuindo as taxas de sobrevida”, explica Paola.

Segundo a gastroenterologista Fabiana de Faria Alves, os primeiros sintomas relatados por pacientes com câncer de ovário são realmente muito parecidos com os que apresentam algum tipo de problema digestivo.


“Muitas mulheres se queixam de distensão abdominal e sensação de peso na região mais baixa do abdômen, acompanhada por alterações intestinais, como intestino preso. Por isso, a avaliação entre as duas especialidades, gastroenterologista e ginecologista, é essencial para fazermos o diagnóstico precocemente”, explica.

A médica orienta ainda as mulheres a se observarem no dia a dia: prestar atenção a uma distensão abdominal que não melhora com a eliminação de gases, à sensação de que a barriga está rígida, de fadiga mesmo depois de ter dormido ou descansado, e perda de peso sem fazer dieta nem exercício são considerados sinais de alerta para procurar o médico.


“Na consulta, além de examinar o abdômen, analisamos o histórico familiar e também os hábitos diários, como tabagismo, etilismo e sedentarismo, para direcionar a investigação e tentar diagnosticar o câncer em fase inicial, quando a chance de cura é maior.”

Estatísticas sobre a doença

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o triênio 2026-2028 apontam que o cenário do câncer de ovário no Brasil apresenta dados preocupantes por se tratar de um tumor silencioso e letal. A estimativa de novos casos no país chega a aproximadamente 7.300 ao ano.

De acordo com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, entre os tumores ginecológicos, o câncer de ovário é o terceiro em incidência, atrás do de colo do útero e de endométrio — e mais comum em mulheres que já passaram pela menopausa.

Mas, como no caso da Paola, também pode acometer mulheres bem mais jovens.

‘Nenhuma mulher deixada para trás’

Muitas organizações se unem para educar sobre os sintomas e a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento.

Neste ano, o tema da campanha da Coalizão Mundial contra o Câncer de Ovário é: “No Woman Left Behind” (nenhuma mulher deixada para trás, em português). O slogan reflete o compromisso de não deixar nenhuma mulher ter seus sintomas ignorados.

Cicatrizes físicas e emocionais

Neste processo, como paciente oncológica com uma doença crônica em tratamento paliativo, Paola decidiu fazer das circunstâncias suas aliadas para viver e não somente sobreviver.

Hoje, precisa aprender a lidar com as cicatrizes físicas e emocionais da doença, como ansiedade, dores, neuropatia e fadiga crônica, que são efeitos colaterais do tratamento, além do bloqueio hormonal e da menopausa abrupta, forçada e adiantada.

Ela optou por combinar o tratamento convencional com a medicina integrativa, focando bem-estar físico, mental e emocional.

“Procuro ter conexões que me ajudem a evoluir, a curar, que agreguem coisas boas, porque confio no meu corpo e no milagre da vida”, afirma Paola.

E prioriza passar tempo com a filha de 15 anos. A adolescente nasceu em Sydney, na Austrália, quando Paola trabalhava para a organização internacional Greenpeace.

“A maternidade é minha maior fonte de força”, fala. “Acordar, comer, movimentar o corpo, tomar banho sozinha, ter saúde para trabalhar, saborear uma boa comida... A mágica da vida é encontrada no comum, no verdadeiro, no milagre de estar vivo aqui e agora. Quem enfrenta a finitude de frente aprende a valorizar cada amanhecer”, conclui.

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