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Manipular morcego para fazer sopa é mais perigoso que ingerir alimento

Estudo levantou a suspeita de que novo tipo de coronavírus surgido na China possa ter relação com iguaria muito apreciada no país asiático

Saúde|Fernando Mellis, do R7

Sopa de morcego é considerada iguaria em algumas regiões chinesas
Sopa de morcego é considerada iguaria em algumas regiões chinesas Sopa de morcego é considerada iguaria em algumas regiões chinesas

Uma iguaria chinesa pode ter relação com o surto de um novo coronavírus que já infectou cerca de 900 pessoas e matou 26 desde meados de dezembro. No entanto, especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que a contaminação pelo vírus não se daria pelo simples fato de tomar a sopa de morcego.

A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, afirma que o risco maior é para "quem captura o animal para fazer a sopa".

Para o médico João Prats, infectologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, "a fervura, com certeza, mata o vírus".

"Comer não é o que transmite. [O risco está no] preparo e [existe para] as pessoas que estão envolvidas com isso, que mexem com carcaça de morcego, com sangue fresco."

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Prats acrescenta que não é imediatamente que o vírus do morcego infectará aquela pessoa, mas o processo de mutação pode ocorrer ao longo do tempo.

"O vírus do morcego tem contato com um humano e morre. Nessas tentativas, pode sofrer uma mutação e aí sim conseguir infectar a pessoa."

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Sabe-se que os coronavírus são transmitidos de animais para humanos e, posteriormente, a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa.

O local onde os primeiros casos foram relatados foi um mercado de frutos do mar e de animais vivos em Wuhan.

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Imediatamente, o espaço foi interditado e desinfetado por autoridades sanitárias, o que não impediu que o número de pessoas infectadas continuasse a aumentar.

"A característica dele [novo vírus] é de uma zoonose. Não é à toa que acaba acontecendo de novo na China, onde há contato muito próximo com animais silvestres, animais vivos", observa a médica do Emílio Ribas. 

Um estudo de 2017, publicado no China Science Bulletin, alertava que "os morcegos estão conectados ao crescente número de vírus emergentes e re-emergentes que podem quebrar a barreira das espécies e se espalhar para a população humana".

"Os coronavírus são um dos vírus mais comuns descobertos em morcegos, que foram considerados a fonte natural de coronavírus recentes suscetíveis a humanos, como SARS-CoV e MERS-CoV."

A SARS (síndrome respiratória aguda grave), surgida na China em 2002, e a MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio), com origem na Arábia Saudita, em 2012, tiveram surtos parecidos com o atual.

A primeira registrou cerca de 8.000 infectados, com algo em torno de 800 mortes. A segunda teve 2.200 casos e 790 óbitos.

Rosana lembra que no caso da MERS, camelos e dromedários que haviam sido infectados por morcegos teriam transmitido o coronavírus para humanos. Na SARS, a civeta (animal parecido com um guaxinim) teria sido o transmissor para pessoas. 

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