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Mudanças propostas por operadoras de planos de saúde geram polêmica

Um dos pontos que mais geraram críticas de entidades jurídicas e médicas é a criação de planos segmentados, que não cobrem todas as doenças

Saúde|Fernando Mellis, do R7

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Propostas têm sido discutidas por empresas do setor
Propostas têm sido discutidas por empresas do setor

A criação de planos de saúde 'customizados'; o fim da regulamentação do reajuste de planos individuais e familiares; e mais tempo para que seja atualizado o rol de procedimentos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Essas são algumas das propostas defendidas pelas operadoras de planos de saúde e criticadas por diversas entidades jurídicas, médicas e de defesa do consumidor.

Um dos pontos mais polêmicos é o novo formato de plano, em que o consumidor poderá escolher somente parte da cobertura.

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Um manifesto conjunto de 25 entidades — incluindo o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) — afirma que esses modelos "deixam de fora os atendimentos mais caros e doenças frequentes como câncer, problemas cardíacos e tantos outros".

Na visão do advogado especialista em direito à saúde Rafael Robba, do escritório Vilhena Silva Advogados, "a criação de novos modelos de planos de saúde criará mais incerteza para consumidores do que existe hoje".

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"Essa segmentação, inclusive com relação a doenças, o consumidor vai contratar de acordo com um rol de doenças. Isso vai ser ruim para o sistema de saúde, porque a pessoa mesmo pagando vai ter que ir ao SUS caso tenha outro problema que não seja coberto."

Atualmente, quando um paciente de plano de saúde utiliza o SUS, a operadora é obrigada a ressarcir o sistema público. Entre as mudanças defendidas pelas empresas, estão também o fim desse tipo de reembolso. 

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Robba ressalta ainda que as empresas querem aumentar de dois para três anos o período para atualização do rol de procedimentos da ANS (de tratamentos que são obrigadas a oferecer). Segundo ele, "isso vai aumenta a judicialização".

"Os consumidores vão ter mais restrição no atendimento. Isso pode até aumentar o número de ações judiciais. Existem estudos que mostram que, da forma como está, já é um mercado muito conflituoso. A judicialização dos planos de saúde cresceu mais de 300% nos últimos dez anos."

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Leia também: Fraudes em planos de saúde consomem R$ 15 em cada R$ 100

Outro item que preocupa entidades de defesa do consumidor é a desregulamentação dos reajustes de planos individuais e familiares.

"As regras impostas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar — especialmente a política de reajuste — inviabilizaram economicamente as carteiras de planos individuais, levando as operadoras a suspenderem as vendas e, em alguns casos, a alienar as carteiras existentes", diz uma carta aberta assinada pelo presidente da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), que representa empresas do setor.

A justificativa é de que os reajustes autorizados pela agência entre 2008 e 2018 foram de 155%, menos do que os 192% de aumento das despesas assistenciais por cliente, segundo estimativas da própria FenaSaúde.

Liberar reajustes seria preocupante, destaca Robba, pelo fato de que nos planos em que o aumento não é regulado pela ANS (coletivos empresariais e por adesão), o consumidor paga muito mais anualmente — em 2018, 20%, contra 7,35% dos planos individuais.

As entidades que assinaram o manifesto, intitulado "Planos de saúde preparam ataque contra consumidores, pacientes e médicos", afirmam ainda que trata-se de articulação nova, mas a propositura é velha".

"São os mesmos 'planos populares' e 'planos acessíveis', que tentaram, sem êxito, emplacar nos governos Dilma e Temer e em comissão especial da Câmara dos Deputados em 2017."

Nesta quinta-feira (24), um evento em Brasília, organizado pela FenaSaúde, reuniu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Luís Felipe Salomão, e o secretário especial da Previdência Social do Ministério da Economia, Rogério Marinho.

O setor apresentou uma agenda com objetivo de "atrair novos beneficiários e reforçar a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar".

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