Parto humanizado foi uma experiência "libertadora na minha vida", diz mãe que já havia feito cesárea
Jóice Almeida Guimarães perdeu o medo da dor e a insegurança para dar à luz a segunda filha
Saúde|Marta Santos, do R7

A coordenadora de comunicações Jóice Almeida Guimarães ficou grávida da primeira filha em 2009. Como vivia uma gestação complicada, ela conta que ouviu da própria médica: “Você já está sofrendo tanto, não precisa sofrer no parto também”. Diante disso, tomou a decisão que lhe pareceu mais adequada, fazer uma cesariana. A cirurgia e a recuperação foram tranquilas, mas, cinco anos depois, quando ficou grávida pela segunda vez, aos 33 anos, começou a pesquisar sobre partos normais e humanizados, e decidiu que daria à luz dessa forma.
— Foi uma experiência fantástica, libertadora e transformadora na minha vida.
Durante sua primeira gravidez, da qual nasceu Maria Flor, em agosto de 2009, Jóice teve hiperêmese gravídica (excesso de náuseas e vômitos durante a gestação) muito intensa e chegou a ser internada várias vezes com desnutrição, desidratação e perda de peso.
— Por isso mesmo, a médica apoiou minha decisão logo de cara. Na época, eu achei maravilhosa. Era o que eu queria. Eu tinha uma ideia muito errada do parto normal, achava que era algo desnecessário e que fosse um sofrimento. Tinha um medo muito grande da dor e associava o parto ao sofrimento. Se eu tivesse, naquele tempo, o esclarecimento que eu tenho hoje sobre esse assunto, teria optado por um parto normal.
E foi durante os cinco anos que separaram o nascimento da primeira filha e da segunda, Maria Alice, em maio de 2015, que a ideia do parto humanizado foi surgindo na vida da baiana, que mora em São Paulo há 15 anos.
— No começo, algumas amigas me falaram sobre as experiências delas e eu até ficava meio escandalizada com as decisões dessas pessoas, mas depois de um tempo, tudo começou a fazer muito sentido. Eu fui pesquisando, descobrindo os benefícios do parto normal para a mãe e para a criança, para que ela nasça no tempo certo, quando estiver pronta.
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Jóice lembra que assistia a muitos vídeos de partos normais e humanizados ao lado da filha Maria Flor e que mostrava fotos da cesariana para ela também.
— Eu mostrei uma foto do momento em que a médica tirava ela da minha barriga e ela me falou “mamãe, porque eu não estava no seu colo nessa hora? Eu acho que eu não estava feliz”. Ela comentou também que estava com os olhos fechados porque a luz estava muito forte e que ela estava com frio. Que se ela estivesse no meu colo não estaria chorando.
Assim, a baiana decidiu que faria o parto humanizado e começou a procurar por uma equipe especializada.
— Nós montamos uma equipe de obstetrícia, uma doula e um pediatra que já estavam acostumados com partos humanizados. Essas pessoas me orientaram e me deram segurança para fazer o parto normal, mesmo após ter tido uma cesárea.
O medo da dor, a essa altura, já havia desaparecido, porém, Jóice ainda não se sentia pronta para dar à luz de forma natural.
— Eu tinha insegurança sobre a minha capacidade de passar pelo processo do parto normal. Eu sempre ficava excluída nas aulas de educação física e sempre fui fraca, como eu iria conseguir? Mas a minha obstetra, Ana Paula Portela, me mostrou que, na maioria dos casos, a mulher é capaz de dar à luz seu próprio filho.
Jóice entrou em trabalho de parto em casa, por volta das 16h, e foi levada ao Hospital e Maternidade São Luiz às 21h, onde ela já havia tido a primeira filha. Maria Alice nasceu por volta da 0h.
— O parto foi muito intenso. Doeu muito sim, mas eu a lembrança que eu tenho não é da dor. Cada contração estava trazendo minha filha para mais perto de mim. Meu marido esteve o tempo todo comigo, a doula ajudou muito fazendo massagens e segurando meu quadril de forma que amenizava a dor. Eu fiquei em uma sala com banheira, iluminação baixa, música. O ambiente todo favorecia que eu me concentrasse. A equipe não ficava me dando ordens, o tempo de parto foi decidido por mim e pela minha filha.
Os benefícios do parto normal puderam ser vistos pouco após o nascimento da menina e, segundo a baiana, mudaram a vida dela.
— A recuperação foi muito tranquila, horas depois nem parecia que eu tinha dado à luz. Essa experiência me mudou muito em termos de autoconfiança, de saber que essa força toda está em mim. E acredito que isso também foi bom para a Maria Alice, ela é uma criança mais aberta e mais confiante, mas acho que o estímulo da irmã mais velha também a favorece muito.
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