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Pediatra explica por que o chamado ‘Baby Gaps’ não é o melhor para a alimentação do seu filho

Dieta restringe consumo de leguminosas e grãos; ‘Essas restrições desnecessárias não colaboram, só prejudicam’

Saúde|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O protocolo Baby Gaps, que evita frutas, leguminosas e grãos em bebês, preocupa pediatras brasileiros.
  • A prática não tem comprovação científica e pode prejudicar o desenvolvimento infantil.
  • A pediatra Fabíola Suano recomenda seguir guias alimentares oficiais e manter o aleitamento materno até os seis meses.
  • É importante a interação familiar na alimentação, evitando restrições desnecessárias que podem afetar o desenvolvimento cognitivo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Restringir o consumo de frutas, leguminosas e grãos já é um assunto complicado ao se estabelecer uma dieta para adultos. Para recém-nascidos, a prática não só é arriscada, como também pode prejudicar o desenvolvimento da criança. Por esse motivo, o protocolo conhecido como Baby Gaps tem ganhado popularidade nas redes sociais e preocupado os pediatras do Brasil.

A dieta consiste em evitar tais alimentos e iniciar a alimentação do bebê com caldos, para fortalecer o microbioma intestinal e prevenir alergias. Contudo, a eficácia do método não foi cientificamente comprovada. A pediatra e presidente do Departamento Científico de Nutrologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), Fabíola Suano, alertou no Link News desta segunda (26) sobre os perigos de seguir métodos virais de alimentação.

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Um prato de comida rosa, com três seções divididas, comporta: uma maçã descascada, alguns macarrões multicoloridos e um pouco de banana amassada.
Após os primeiros seis meses de vida, bebês devem provar comidas de características variadas Reprodução / Record News

“Quando falamos de introdução alimentar, falamos sobre oferecer nutrientes importantes para o crescimento, desenvolvimento e formação do hábito alimentar. [...] Não é olhando um post ou procurando uma saída mágica que a gente vai conseguir responder às perguntas específicas do meu bebê”, declarou a especialista. Em vez disso, um processo lento e atencioso deve ser empregado para garantir o desenvolvimento.

Primeiramente, o aleitamento materno deve ser mantido com exclusividade até os seis primeiros meses de vida. A partir de então, o organismo precisa ser desafiado a partir do consumo de comidas de diferentes sabores, odores e consistências. Para isso, Fabíola recomenda os guias oficiais disponibilizados pelo governo.

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“A gente tem no Brasil guias alimentares feitos para a população [...] que trazem as informações com o melhor nível de evidência possível para alimentar bem e formar o hábito das crianças”.

Ela entende que os pais que adotam o protocolo Baby Gaps visam o melhor para os próprios filhos, mas enfatiza que fontes oficiais devem ser consideradas no lugar de influenciadores que podem ter segundas intenções.

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A pediatra reforça o argumento ao citar que o corte de carboidratos pode prejudicar diretamente a capacidade mental: “O cérebro precisa de carboidrato, é de glicose que ele se alimenta. [...] Estamos falando de um nutriente fundamental para o funcionamento cerebral. [...] Essas restrições desnecessárias não colaboram; elas só prejudicam”.

Ultraprocessados e açúcares adicionados devem ser evitados por pelo menos dois anos Reprodução/Record News

A presidente da SBP só aprova o impedimento de açúcares e ultraprocessados antes dos primeiros dois anos de vida e de certos alimentos em casos de alergia, que devem ser acompanhados ao longo da vida. Ela conclui que, muito além do valor nutricional de cada comida, o acompanhamento da família na hora do almoço ou jantar é fundamental para a criança.

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“Alimentação é relação. Então, mais do que o que estou oferecendo, é como estou oferecendo. Eu olho no olho do bebê? Deixo-o interagir com a alimentação? Ele abre a boca, eu ponho a colher? [...] Ele vai aprendendo a comer. Isso é tão bonito de ver. [...] Às vezes o que é percebido como um problema é só um aprendizado, que não é instantâneo”, finaliza.

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