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Manifestações entram no quarto dia na Itália e se espalham por Roma

Autoridades temem que a insatisfação conduza "a uma espiral de rebelião contra as instituições"

Internacional|Do R7

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O objetivo exato da manifestação permanece vago, a não ser pela exigência de substituição do governo e dissolução do Parlamento
O objetivo exato da manifestação permanece vago, a não ser pela exigência de substituição do governo e dissolução do Parlamento

Protestos que irromperam na Itália se espalharam por Roma nesta quinta-feira (12), quando centenas de estudantes entraram em confronto com a polícia e lançaram fogos de artifício diante de uma universidade onde ministros do governo participavam de uma conferência.

Caminhoneiros, pequenos empresários, desempregados, estudantes e trabalhadores mal-remunerados realizam há quatro dias manifestações em cidades do país, desde Turim, no norte, até a capital da Sicília, no sul.


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"Nossa universidade não é uma passarela para aqueles que querem vender austeridade", dizia uma faixa no protesto em Roma.

Passeadas, concentrações e outros protestos continuaram em Milão, Turim, Florença e na capital siciliana, Palermo. Manifestações maiores estão programadas para a capital italiana na próxima semana.


"Há milhões de nós e estamos crescendo a cada hora. Esse governo tem de sair", disse o agricultor Danilo Calvani, que emergiu como um dos líderes dos protestos.

O ministro do Interior, Angelino Alfano, disse ao Parlamento que a insatisfação poderia "conduzir a uma espiral de rebelião contra as instituições nacionais e europeias".


Os protestos são alimentados pela queda da renda, desemprego acima de 12 por cento - dos quais um número recorde de 41 por cento tem menos de 25 anos -, corrupção e escândalos entre os políticos, que de modo geral os italianos consideram que buscam apenas servir aos seus interesses, e não aos do país.

O objetivo exato da manifestação permanece vago, a não ser pela exigência de substituição do governo e dissolução do Parlamento. As metas variam muito e incluem críticas ao órgão de coleta de impostos e ao aumento dos preços dos combustíveis, à elite privilegiada e ao euro.

Alfano disse aos parlamentares que o governo compreende "o sofrimento das pessoas pobres", mas não irá permitir que a violência continue. Catorze policiais ficaram feridos e lojas e outras propriedades foram danificadas nos últimos dias.

"Nós pretendemos defender a liberdade de nossos cidadãos viverem em segurança e de nossos comerciantes fazerem negócios", disse ele.

Alfano afirmou que o governo tentou manter diálogo com os manifestantes, mas isso foi difícil porque há muitos grupos diferentes e nenhum líder evidente.

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Embora a maioria dos manifestantes insista não ter nenhuma filiação política, vários partidos, como o movimento antissistema Cinco Estrelas, e a Liga Norte, pró-autonomia do norte, expressaram apoio aos protestos.

Na quarta-feira, o líder de centro-direita Silvio Berlusconi propôs reunir-se com uma delegação de caminhoneiros que integram o movimento, mas se retirou no último momento e foi substituído por um de seus aliados.

Mario Borghezio, um proeminente membro da Liga Norte no Parlamento Europeu, aproveitou os protestos desta quinta-feira para atacar o euro e o dirigente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

"O vento da revolta que está soprando hoje na Itália é resultado direto do euro e as escolhas erradas feitas pela UE e o BCE", disse ele durante um depoimento do dirigente do banco no Parlamento Europeu.

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