Internacional

20/2/2014 às 00h20 (Atualizado em 20/2/2014 às 07h28)

Pivô da crise na Ucrânia, Rússia repensa estratégia após onda de violência

Protestos em Kiev já deixaram pelo menos 26 mortos

Do R7, com Reuters

Praça da Independência, em Kiev, virou um campo de batalha entre manifestantes e policiais Petro Zadorozhny/REUTERS

Um manifestante ucraniano joga um coquetel molotov em direção a uma porta, um policial se contorce em agonia no chão, barricadas em chama.

Imagens da violência na capital da Ucrânia foram transmitidas de forma incessante pela TV estatal russa na última quarta-feira (19), acompanhadas de alertas apocalípticos sobre a possibilidade de uma guerra civil no país vizinho e acusações de envolvimento de outros países.

As imagens contam a história melhor do as palavras de políticos e levam a mensagem que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, quer transmitir: a violência saiu do controle e precisa ser contida.

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"A Ucrânia está numa situação muito perigosa", disse Mikhail Margelov, presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara Alta do Parlamento russo. "Tudo segue o curso de um país em direção à guerra civil."

Transmitir a mensagem é vital para conseguir apoio público para a estratégia de Putin na Ucrânia, a segunda maior antiga república soviética, país de 46 milhões de habitantes, que está no centro de uma disputa geopolítica entre o Leste e o Oeste.

Putin deixa que os outros falem por ele durante a crise. Não disse praticamente nada em público sobre as pelo menos quatro reuniões que manteve com o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, nos últimos seis meses.

O seu objetivo, no entanto, na polêmica sobre o já recusado acordo ucraniano com a UE (União Europeia) é claro: manter a Ucrânia, um grande mercado e um país que muitos russos veem como uma extensão do seu, na órbita de Moscou.

A missão se encaixa na estratégia maior de Putin de recuperar o poder e a influência globais perdidos com o colapso soviético em 1991. A disputa relacionada a Kiev não é somente contra a UE e as suas ambições regionais hesitantes, mas também contra o velho rival, os Estados Unidos.

Deixar a Ucrânia se aproximar da UE, principalmente da Polônia, histórica rival dos russos, seria um sinal para que outras ex-repúblicas soviéticas fizessem o mesmo.

Poderia, inclusive, estimular manifestações na Rússia, oferecendo esperança para os jovens urbanos de classe média, que protestaram contra Putin na virada de 2011 e 2012, mas não conseguiram terminar com o seu domínio de 14 anos.

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Os distúrbios na Ucrânia, em certa medida, favorecem Putin ao permitir que a imprensa e as autoridades descrevam os opositores de Yanukovich como violentos simpatizantes do Ocidente. Ex-repúblicas soviéticas já se juntaram a Moscou numa união aduaneira.

Sem a Ucrânia, tal bloco fica muito mais fraco. Na quarta-feira, um porta-voz de Putin reiterou que a Rússia não vai intervir na Ucrânia, mas os países ocidentais acusam Moscou de influenciar a situação nos bastidores.

A imprensa russa têm feito a mesma acusação em relação ao Ocidente. Um aliado do Kremlin, Sergei Glazyev, tem falado sobre a ideia de a Ucrânia se tornar uma federação, dando mais poder para as suas regiões, uma medida que, segundo ele, poderia permitir que o leste do país, onde o idioma local é russo, se juntasse ao bloco comercial de Putin.

A ideia tem sido debatida por parlamentares em Moscou, alimentando as especulações de que um plano assim ou alguma forma de anexação do leste podem ter o apoio do Kremlin.

Observadores ocidentais também se preocupam com a possibilidade de a Crimeia se tornar de novo território russo, quase seis décadas depois de Nikita Khrushchev ter redesenhado as fronteiras soviéticas para entregar a península à Ucrânia.

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