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“Sexta-feira da raiva” tem Exército nas ruas, confrontos violentos e dezenas de mortos no Egito

Manifestantes pedem a volta do presidente deposto e protestam contra violência policial

Internacional|Do R7, com agências internacionais

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Homem ferido nos confrontos próximos à praça Ramsés é atendido dentro de mesquita
Homem ferido nos confrontos próximos à praça Ramsés é atendido dentro de mesquita

Dezenas de pessoas morreram nesta sexta-feira (16) no Egito, em mais um dia de enfrentamentos entre as forças de segurança do governo interino e os manifestantes que pedem a volta do presidente deposto Mohamed Mursi.

A Irmandade Muçulmana, grupo islamita que levou Mursi ao poder, convocou seus seguidores a marcharem hoje pelas ruas do Cairo até a praça Ramsés para pedir o restabelecimento do governo, destituído por um golpe militar em 3 de julho.


Eles protestam também contra o violento desalojamento de seus acampamentos no Cairo, na quarta-feira (14), que causaram confrontos sangrentos com cerca de 600 mortos em todo o país.

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O chamado da Irmandade Muçulmana levou as forças de segurança a uma operação especial para proteger locais importantes da capital, Cairo, e de outras cidades, como Alexandria.

Tanques ocuparam os principais acessos ao Cairo e fecharam a emblemática praça Tahrir.


Com os manifestantes e os agentes nas ruas, novos confrontos foram registrados em várias localidades, deixando mais de 40 mortes — o número ainda é incerto e deve aumentar nas próximas horas.

Oficialmente, o Ministério da Saúde confirmou que 17 pessoas morreram e 182 ficaram feridas em todo o país. Mas uma fonte de segurança do governo declarou à agência Associated Press, na condição de anonimato, que mais de 60 pessoas já morreram.

Confrontos em todo o país

O principal palco dos confrontos é a região próxima à praça Ramsés, onde uma delegacia foi atacada.

Uma fonte de segurança declarou à agência EFE que os manifestantes islamitas abriram fogo contra a sede policial a partir de uma ponte e um edifício em construção.

A Irmandade Muçulmana negou a autoria desses ataques e disse que foram as forças do Ministério do Interior quem dispararam contra os milhares de manifestantes reunidos em Ramsés. A Irmandade ressaltou ainda que a polícia é apoiada por pistoleiros conhecidos como "baltaguiya".

Apesar do jogo de acusações, o governo estima em ao menos dez o número de pessoas mortas nos confrontos próximos à praça e à delegacia.

Já uma testemunha da agência Reuters informou que 27 pessoas morreram nesses embates. Os corpos foram colocados em uma mesquita perto da praça Ramsés. Os corpos possuíam marcas de tiros, disse a testemunha. Um policial também foi morto, segundo a agência de notícias estatal Mena.

A Irmandade Muçulmana, por sua vez, informa que 50 pessoas morreram no local.

Outras 12 mortes foram confirmadas fora da capital egípcia pelo Ministério da Saúde: quatro em Ismailiah, no Canal de Suez, e oito em Damietta. O governo não informou se as vítimas eram manifestantes ou membros das forças de segurança.

Confrontos também eram registrados em outras grandes cidades do país, como Alexandria (norte), Beni Sueif e Fayum, ao sul do Cairo, e na cidade turística de Hurghada, às margens do mar Vermelho.

A mais recente crise no Egito se iniciou em 3 de julho, quando o islamita Mursi foi destituído por um golpe militar, somente um ano após ser eleito. Desde então, vários protestos foram organizados pelos islamitas para exigir a volta do presidente, que segue detido pelo Exército.

Na quarta-feira (14), forças de segurança agiram com violência quando desmantelavam dois acampamentos tomados pelos apoiadores de Mursi. Centenas de islamitas morreram. O confronto na capital atiçou os ânimos em outras partes do país e espalhou os embates.

O movimento Tamarrod, que organizou as gigantescas manifestações que provocaram a destituição de Mursi, pediu aos egípcios que criem "comitês populares" para defender o país contra o que chamam de "terrorismo" da Irmandade Muçulmana.

A Irmandade Muçulmana acusa as Forças Armadas de terem realizado um golpe para derrubar Mursi. Ativistas liberais e jovens que apoiaram os militares viram a medida como uma resposta positiva às demandas públicas.

Mas alguns agora temem que o Egito esteja voltando a viver o tipo de estado policial que sustentou o regime de 30 anos de Hosni Mubarak até de sua queda em uma revolta popular em 2011, à medida que as instituições de segurança recuperam a confiança e reafirmam seu controle.

As autoridades decretaram estado de emergência por um mês e estabeleceram um toque de recolher no país entre 19h (14h de Brasília) e 06h (1h).

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