Acusado de chacina de sem terra será julgado nesta quinta-feira, em BH
Após série de adiamentos e habeas corpus, Adriano Chafik pode conhecer sentença
Minas Gerais|Do R7

Está marcado para quinta-feira (10), em Belo Horizonte, o julgamento de Adriano Chafik, acusado de ser o mandante da Chacina de Felisburgo, que provocou a morte de cinco trabalhadores sem terra em um acampamento em 2004. Chafik conseguiu adiar o júri que aconteceria em 21 de agosto e ficou preso por 20 dias, mas se beneficiou de um habeas corpus do STJ para continuar em liberdade. Outros três homens, acusados de ser os pistoleiros que executaram as vítimas, também vão a julgamento.
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O promotor Crisitano Leonardo Gonzaga Gomes vê nos sucessivos adiamentos uma tentativa da defesa em ganhar tempo até a prescrição de alguns crimes, mas não vê saída para o acusado.
— Como ele está solto, pode continuar em liberdade, como ainda não existe sentença, e conseguir a prescrição de certos crimes, como a acusação de incêndio. Mas o Ministério Público entende que é um caso de extrema gravidade e brutalidade e vai pedir a prisão imediata de todos em caso de condenação.
Adriano Chafik responde por cinco mortes, 12 tentativas de homicídio, formação de quadrilha ou bando e incêndio. Os réus Washington Agostinho da Silva, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira e Milton Francisco de Souza são acusados pelos homicídios e tentativas de homicídio.
O advogado William Santos, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG, e assistente da acusação, quer evitar que o mandante recorra em liberdade, caso condenado.
— Queremos que ele saia condenado e com a prisão decretada. Meu temor é que recorra em liberdade e fuja da justiça. Se for condenado a mais de 50 anos, que interesse teria em se apresentar?
Já Lúcio Adolfo, um dos advogados da equipe de defesa, não esconde que haverá nova tentativa de adiar o julgamento.
— Será que vai ter júri dessa vez? Vamos ver o que podemos fazer.
Cerca de 500 militantes do MST prometem se manifestar na porta do Fórum Lafayette pela condenação. Enquanto a Justiça não decide o caso, 62 famílias continuam morando no acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, no Vale do Jequitinhonha. A Justiça reconheceu que o terreno foi alvo de grilagem, mas o momento, nenhuma família foi reassentada.












