Acordo entre UE e EUA pode aumentar concorrência de produtos brasileiros na Europa
Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, analisou como essa mudança pode impactar o agronegócio do Brasil
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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O Parlamento Europeu aprovou a redução das tarifas de importação sobre produtos dos Estados Unidos. O acordo foi firmado no ano passado, mas Donald Trump ameaçou impor tarifas altas caso as medidas não fossem adotadas até 4 de julho de 2026. A União Europeia eliminou as taxas sobre produtos industriais norte-americanos e priorizou os agrícolas. Enquanto isso, os EUA mantiveram uma tarifa de 15% sobre a maioria dos bens europeus.
Em entrevista ao Record News Rural desta segunda-feira (22), Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, analisou como a mudança pode impactar o agronegócio do Brasil. Ele destacou que o país é líder mundial em várias commodities agropecuárias e possui acordos comerciais com a União Europeia por meio do acordo Mercosul-UE.

“A União Europeia está buscando fazer acordos com parceiros comerciais, caso a caso, que a gente chamaria de acordos bilaterais. [...] Se esse acordo foi firmado em termos semelhantes ao que aconteceu com o Mercosul, [...] a União Europeia, caso perceba um aumento muito grande das importações vindas aqui do Mercosul, tem alguns dispositivos para tentar desacelerar esse processo”, diz.
Serigati explicou que, historicamente, tanto a UE quanto os EUA sempre tiveram um comércio forte entre si em produtos agropecuários. Apesar disso, nos últimos anos, quem ganhou espaço nesse mercado foi o Brasil devido à competitividade dos produtos.
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“O Brasil foi conquistando o seu espaço justamente por ter produtos que são mais competitivos e também que conseguem atender ali aos critérios estabelecidos pela União Europeia. Então, isso pode vir a aumentar a concorrência dos produtos norte-americanos frente aos produtos brasileiros”, complementa.
Segundo o especialista, há possibilidade de esse novo acordo aumentar a concorrência para os produtos brasileiros na Europa, mas depende das condições estabelecidas. “O setor já tem lá um ponto de partida complicado. Como se não bastasse, o custo de financiamento está elevado. [...] Então, sim, o ponto de partida da safra 26/27 é bastante desafiador”, finaliza.
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