‘Seguro rural no Brasil sempre foi uma piada’, diz diretor da Abramilho
Safra deve superar 141 milhões de toneladas e ser a segunda maior da história, mas desafios ainda são grandes
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A safra brasileira de milho 2025/2026 deve ultrapassar 141 milhões de toneladas, de acordo com estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Caso seja confirmada, esta será a segunda maior colheita da história do país. A área plantada também deve alcançar um recorde de 22,6 milhões de hectares, apesar da previsão de queda de 3,9% na produtividade média devido às condições climáticas.
O diretor-executivo da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo), Glauber Silveira, destacou o crescimento da produção do etanol de milho no país, principalmente em Mato Grosso, e o impacto positivo da atividade para agregar valor para a cadeia produtiva.

“Sem dúvida, o Brasil tem uma oportunidade enorme agora com a produção de etanol de milho. Nós, a cada ano, estamos produzindo mais, então isso é bastante interessante aqui. No caso do Mato Grosso, você tem um percentual muito grande de milho convertido para etanol de milho. Então isso é muito positivo, porque toda a vida nós discutimos isso, a gente agrega valor no nosso milho”, afirmou.
Desafios do setor
Apesar do cenário favorável para a produção, Silveira ressaltou que a baixa remuneração continua sendo uma das principais preocupações dos agricultores. Segundo ele, os custos de produção seguem altos, pressionados pelo aumento nos preços de fertilizantes, sementes e óleo diesel, que pode impactar os investimentos na próxima safra. “O grande desafio realmente é preço. Os preços são bastante ruins, têm pouco remuneratórios, mas, como diz o produtor, continua plantando. É importante ele fazer a safra de milho, por isso ele continua plantando, mas sem dúvida é um grande desafio”, disse.
Outro ponto importante é a falta de infraestrutura de armazenagem no Brasil. Essa falta de capacidade para estocar a produção obriga muitos produtores a venderem o milho rápido e em períodos de preços menos favoráveis. “Nossa armazenagem no Brasil tem um déficit muito grande e esse déficit aumenta a cada ano”, afirma Silveira.
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Além da armazenagem, o setor também reivindica alternativas para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e avanços no seguro rural, cuja baixa cobertura causa irritação ao setor.
“Seguro rural é piada, né? A gente falar de seguro rural é brincar com coisa séria. Seguro rural no Brasil sempre foi uma piada, nunca foi sério. O recurso disponibilizado para o seguro rural segura quase que nada. E a cada ano consegue piorar, ainda. Uma coisa que já era ruim, cada vez fica pior”, reclama.
Os temas vão estar entre os destaques do Fórum Mais Milho, evento promovido pela Abramilho, que também discutirá irrigação, custos de produção, sustentabilidade e estratégias para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Mesmo diante dos desafios, o milho segue com uma forte demanda no mercado interno, impulsionado pela produção de proteína animal e pela indústria do etanol. No mercado externo, o Brasil exporta entre 35 e 40 milhões de toneladas do cereal por ano e mantém uma pauta diversificada de compradores, sem concentração em um único destino.
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