Agronegócio brasileiro enfrenta crise em meio a custos altos e pressão externa
Setor lida com queda nos preços, impactos geopolíticos e riscos climáticos, mas mantém papel estratégico global
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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O agronegócio brasileiro enfrenta uma crise marcada por custos elevados, queda nos preços internacionais e incertezas externas, como conflitos geopolíticos e riscos climáticos. Apesar dos desafios, o país mantém forte potencial de crescimento e papel estratégico na segurança alimentar e energética global.
De acordo com Roberto Rodrigues, professor emérito e coordenador do Centro de Agronegócios da FGV (Fundação Getulio Vargas) e ex-ministro da Agricultura, o setor vive uma “tempestade perfeita”, combinando aumento dos custos de produção com a redução dos preços no mercado internacional. “Nós temos uma crise com fatores causais internos e também externos. Os internos são, basicamente, custos de produção muito altos — fertilizantes caros, defensivos, mas sobretudo taxas de juros. Taxa de juros para a agricultura é infernal, não dá para pagar”, afirma.
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O cenário é agravado por fatores externos. Tensões geopolíticas e conflitos internacionais têm impactado a logística e o fornecimento de insumos essenciais. O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, enfrenta dificuldades adicionais diante das restrições no transporte global. “Há risco de não haver fertilizantes suficientes para atender toda a demanda, além de preços mais elevados”, alerta Rodrigues.
No campo climático, a possível atuação de um El Niño mais intenso também preocupa o setor, com potencial de afetar a produtividade agrícola, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
Apesar das dificuldades no curto prazo, o especialista avalia que o Brasil mantém forte potencial de expansão produtiva, com capacidade de ampliar a produção de alimentos de forma sustentável, sem a necessidade de abrir novas áreas, graças ao desenvolvimento de um modelo de agricultura tropical — um modelo que combina produção de alimentos, tecnologia e geração de energia com preservação ambiental — eficiente, competitivo e replicável em outras regiões do mundo.
Além disso, o agronegócio brasileiro também desempenha um papel relevante na matriz energética renovável, com destaque para biocombustíveis como etanol e biodiesel. “A agricultura não é só produtora de alimentos, mas também de energia. O Brasil tem uma posição privilegiada nesse cenário global”, completa.
Diante desse contexto, Rodrigues reforça que o principal desafio do setor é atravessar o período de turbulência com eficiência e capacidade de adaptação. “É preciso resistir. E, para resistir, fazer mais com menos. Produzir mais com menos consumo, com menor custo”, conclui.
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