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‘O mercado é uma grande incerteza’, diz Cecafé sobre impactos geopolíticos no setor

Apesar de liderar as exportações globais do grão, Brasil registrou queda no primeiro trimestre deste ano

Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil lidera a produção e exportação de café, com quase 40% do mercado mundial.
  • Exportações de café caíram 21% nos primeiros meses de 2026, com destaque para a variedade arábica.
  • Logística, especialmente no Porto de Santos, enfrenta desafios que afetam as operações do setor cafeeiro.
  • Questões sociais e ambientais dos trabalhadores rurais estão se tornando cada vez mais relevantes na indústria.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Responsável por mais de 30% da produção global de café, o Brasil mantém a liderança na exportação do grão há mais de 150 anos — somente em 2025, foram embarcadas 40 milhões de sacas. Apesar disso, o país registrou uma queda de quase 8% nas vendas externas em março deste ano.

No Dia Mundial do Café, Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), explica que a retração é decorrente das tensões geopolíticas entre grandes potências, situação que gera incerteza econômica e reflete no agronegócio.


Grãos de café torrados. São marrons escuros com brilho oleoso, mostrando textura uniforme e superfície levemente lustrosa.
País registrou uma queda de quase 8% nas vendas externas em março deste ano Reprodução/Record News

“Nós temos o maior conflito desde os anos 1970 no Oriente Médio. Nós temos uma tensão entre as potências globais, Estados Unidos, Rússia e China. E nós temos uma Europa há 49 meses com uma guerra, com Ucrânia e Rússia, e uma estagnação econômica. E o mundo vê custos de vida mais altos, inflação mais alta, e tudo isso acarreta uma série de outras consequências”, afirma em entrevista ao Record News Rural desta terça-feira (14).

Segundo Matos, “o desempenho de março é muito daquilo que a gente viu ao longo de 2026: retração nas nossas vendas externas de café. De janeiro a março, nós estamos com menos 21% — foram 8,5 milhões de sacas —, e aquela disponibilidade de café que nós temos ainda, o produtor já vinha se capitalizando nos últimos anos com os preços melhores internacionais, ele espera o seu momento mais adequado de comercializar”.


O cenário de queda nas exportações de café preocupa o setor: “O que a gente está vendo é o Brasil perder market share [participação de mercado], e, em março, como a gente também tinha visto em fevereiro, os Estados Unidos ficaram na terceira posição. Ou seja, resolvemos 90% dos problemas das tarifas, que são os cafés verdes. Ainda falta resolver a tarifa do café solúvel, que é 10% das nossas exportações. Mas ainda assim não destravou as vendas para os Estados Unidos”.

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Para o produtor, a situação impõe uma nova realidade de mercado. “O que a gente diz para o produtor é que ele olhe os seus custos de produção e que ele faça as vendas com as margens adequadas, porque o mercado dá oportunidades. O pior cenário é você colocar um preço imaginário ou um preço de meta na sua cabeça, mas a gente não sabe se esse preço vai chegar e o Brasil deixa de fazer suas vendas. [...] O mercado é uma grande incerteza. E, nesses tempos geopolíticos complexos, o nível de incerteza é máximo”, frisa Matos.

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